00h. Liga Europa. Benfica vence St. Gallen por 5-0
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Meia-noite em ponto. Laura, boa noite mais uma vez. Começamos esta edição da meia-noite com o incêndio em Vale de Passos, no Conselho Vila Real. Mobiliza, a esta hora, perto de mil bombeiros.
Com três frentes ativas em Vale de Passos, Mirandela e Vinhais, os meios têm vindo a ser reforçados ao longo do dia e da noite. Durante a manhã, os meios aéreos não conseguiram atuar devido à neblina e à intensidade do fumo. Até agora foram já evacuadas as aldeias de São Pedro Velho, Ervideira e Vale de Talhas. Desde terça-feira, dia em que começou este fogo, há já registro de pelo menos cinco feridos, para além de danos em 20 casas. Ao final da tarde, num ponto de situação, a Proteção Civil revelou que foi já ativado o estado de prontidão especial de nível dois e três.
Ativamos o estado de prontidão especial de nível dois e três, de nível dois para o litoral e nível três, que é o segundo mais grave, para todo o interior de Portugal continental. Esta ativação do estado de prontidão especial teve como consequência um conjunto de determinações operacionais que foram implementadas no terreno, nomeadamente o pré-posicionamento de meios, quer a nível nacional, mas principalmente no patamar sub-regional. E também aquilo que é o patrulhamento armado com aviões médios nas zonas de maior risco e nos períodos em que esse risco também está mais acentuado.
Explicações do segundo comandante nacional da Proteção Civil, José Ribeiro, que diz que entre ontem e hoje há registro de alguns feridos entre operacionais e civis, mas todos ligeiros. José Ribeiro apela também às populações que, em caso de evacuação, sigam as recomendações das autoridades.
E Laura, desgaste das instituições e ataque à Polícia Judiciária. São estas as principais preocupações de António José Seguro sobre a polêmica que envolve o ministro da Administração Interna.
O presidente da República tem monitorizado o evoluir da situação política e os possíveis efeitos de contágio da continuidade de Luís Neves no governo. O Observador sabe que o presidente da República se desdobrou em contactos nos últimos dias para perceber a real dimensão do caso e António José Soares, apesar do silêncio dos últimos dias, o chefe de Estado não terá gostado nada do que ouviu.
Desde o recado, nem mais uma palavra. António José Seguro está em silêncio há quase duas semanas, mas o Observador sabe que nos últimos dias o presidente da República se tem desdobrado em contactos para perceber a real dimensão do caso Luís Neves. Já ouviu explicações da boca do Luís Montenegro, ainda antes da conferência de imprensa do ministro da Administração Interna, e consta que não terá ficado particularmente reconfortado com as justificações apresentadas pelo primeiro-ministro. Já sobre as explicações dadas por Luís Neves, o Observador apurou que Seguro entende que há ainda questões por responder quanto à ética do antigo diretor da Polícia Judiciária no exercício das suas funções públicas, mas os receios do presidente vão mais além. António José Seguro teme que surjam novos desenvolvimentos a envolver o governante e que isso arraste o Executivo e a PJ para um longo desgaste político. Espera-se que Seguro fale nos próximos dias. A mensagem deverá passar pela importância da defesa da dignidade das instituições, mas sem pedir a demissão de Luís Neves, ao contrário do que fez Marcelo Rebelo de Sousa, que exigiu publicamente a saída de João Galamba do Executivo de António Costa, após a crise desencadeada pelo caso do ex-adjunto do então ministro das Infraestruturas.
O jornalista António José Soares, com o resumo das principais preocupações do presidente da República sobre o caso Luís Neves.
Este é um artigo assinado pelo editor adjunto de política do Observador, Miguel Santos Carrapatoso, e que faz manchete, Laura, a esta hora no nosso site em observador.pt. Seguimos agora com Pedro Passos Coelho. Considera que não há ninguém que esteja despreocupado com as polêmicas das últimas semanas em Portugal.
Em declarações aos jornalistas, o antigo primeiro-ministro assumiu não querer falar sobre as mais recentes polêmicas. Ainda assim, deixou uma breve opinião.
Julgo que não haverá ninguém que esteja despreocupado com o que se passa. Elas não devem ser tomadas, estas situações que têm vindo a ocorrer, como uma mera espuma dos dias, porque estão para além da espuma. Mas isso remete para uma reflexão e para alguma ação, que é preciso empreender, para a qual eu não quero estar, nesta altura, a deitar asas para a fogueira.
Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas, à margem da apresentação do estudo "Desbloquear o Crescimento de Portugal", realizado pelo Nobel da Economia James. O ex-primeiro-ministro deixou ainda um elogio ao que considera ser a intenção clara reformista do governo. Admite, ainda assim, que preferia que houvesse um ritmo mais intenso.
E o Tribunal Constitucional censura a Polícia Judiciária, Luís Neves e os elementos que integraram a Direção Nacional pelo incumprimento da obrigação de entrega das declarações únicas de rendimentos. Já a PJ descarta qualquer responsabilidade.
Fonte oficial do Tribunal Constitucional assume que não houve fiscalização da obrigação de entrega por falta de meios, mas garante que a responsabilidade cabe sempre ao titular do cargo. E que por isso, como explica o jornalista Luís Rosa, a justificação de Luís Neves de que só não entregou a declaração de rendimentos porque não foi notificado para o fazer, não é válida.
Não é desculpa. É precisamente isso que o Tribunal Constitucional está aqui a dizer. Diz: "Senhor, nós não fiscalizamos, não tínhamos meios para o fazer". É verdade, o Tribunal Constitucional nunca fiscalizou. Há dezenas e dezenas e dezenas de situações de políticos que não cumpriram suas obrigações declarativas ou então políticos, por exemplo, Isaltino Morais, nunca declarou as suas contas da Suíça ao Tribunal Constitucional e não lhe aconteceu nada. Isso estaria um crime de falta de declarações como há pouco disse.
Também ao Observador, fonte da Polícia Judiciária descarta qualquer responsabilidade relativamente ao cumprimento das obrigações declarativas por parte dos dirigentes. Diz que esse passo cabe apenas aos próprios.
E o primeiro-ministro diz, Laura, que as propostas da Air France-KLM e da Lufthansa valorizaram a TAP acima do expectável.
Luís Montenegro esteve hoje na apresentação de um projeto de descarbonização da Bondalti, em Estarreja, e pegou no exemplo das propostas apresentadas ontem para a compra de 49,9% da TAP para enaltecer a economia portuguesa.
Nem toda a gente tem reconhecido, mas mobilizou as maiores companhias aéreas da Europa e foi a primeira vez que o fez.
O primeiro-ministro reconhece que as duas companhias aéreas valorizaram a TAP acima do esperado. Promete divulgar a proposta vencedora a seu tempo.
A seu tempo, nós faremos a divulgação e a apreciação das respectivas propostas, mas todos os indicadores que temos apontam numa direção de valorização acima daquilo que era expectável do potencial da companhia.
O primeiro-ministro, na apresentação da conclusão de um projeto de descarbonização da Bondalti, que custou quase €80 milhões, mais de 30 foram financiados pelo PRR. À saída do evento, Montenegro não quis falar à margem.
E o governo confirma, Laura, o adiamento do início do ano letivo do ensino secundário.
Um anúncio feito por Fernando Alexandre no final do Conselho de Ministros, que aconteceu esta tarde em Lisboa. As aulas do ensino secundário arrancam a 21 de setembro. Vai ser estudada a hipótese de fazer o mesmo para o terceiro ciclo.
Eu vou ainda reunir novamente com os diretores. Em relação ao secundário, haverá um adiamento para dia 21. Em relação ao terceiro ciclo, nós temos ainda que avaliar. Ou seja, temos também professores. Qual é que é o objetivo do adiamento? O objetivo do adiamento é proteger os professores que estiveram, de facto, em sobrecarga nas últimas semanas. Em relação ao terceiro ciclo, vamos tomar a decisão. Os professores classificadores do terceiro ciclo, obviamente, também têm que ter aqui uns dias, tem que ver com os diretores a melhor forma de o fazer. O adiamento ou não do terceiro ciclo ficará talvez para amanhã, porque a decisão tem que ser tomada rapidamente.
Adiamento justificado pelos atrasos na correção dos exames nacionais, sendo que a ministra anunciou hoje que 70% das provas da segunda fase já estão corrigidas. Ainda no Conselho de Ministros, Fernando Alexandre anunciou também o alargamento da proibição do uso de telemóveis nas escolas até ao nono ano.
E em Espanha, Laura, subiu para 18 o número de mortos. Ao longo desta quinta-feira, milhares de pessoas tentaram atravessar a fronteira entre Marrocos e Espanha.
As autoridades espanholas foram apanhadas de surpresa com a entrada de milhares de pessoas na cidade de Ceuta. Tudo isto se deve a uma alteração aprovada pelo Supremo Tribunal Espanhol, que dita que quem atravessa a nado a fronteira tem direito a um pedido de asilo ou, no mínimo, assistência jurídica num eventual processo de expulsão. A regra não se aplica a quem entra em Espanha a pé. Aí a lei dita uma devolução imediata ao país de origem, o que, ainda assim, não tem impedido milhares de imigrantes de tentarem entrar no país por esta via. No entanto, o politólogo Diogo Noivo explica à Rádio Observador que o governo espanhol está numa situação complicada para perceber quem realmente entrou ou não a nado.
Será interessante também perceber qual será a decisão das autoridades espanholas. Vai aplicar esta interpretação do Supremo a todos? Porque uma vez que não é possível, ou que será muito difícil, estabelecer concretamente os indivíduos que entraram a nado e aqueles que entraram por via terrestre, o que é que vale? Vale a nova interpretação do Tribunal Supremo, que diz: "Temos que receber estas pessoas, iniciar um processo administrativo, dar direito, por exemplo, a pedidos de asilo", ou continua-se a aplicar a interpretação antiga, segundo a qual há uma devolução a quente, isto é, as pessoas são automaticamente devolvidas a Marrocos.
Análise do politólogo Diogo Noivo a este incidente de imigrantes em Ceuta, Espanha. De acordo com dados do Ministério do Interior espanhol, até 16 de julho deste ano, já entraram ilegalmente em Espanha mais de 2800 imigrantes.
E a fechar esta edição da meia-noite, falamos de futebol. O Benfica venceu o St. Gallen por 5x0 esta noite no Estádio da Luz. As Águias estão agora apuradas, Laura, para a terceira pré-eliminatória de acesso à Liga Europa.
Pablo Ídiz foi o homem do jogo, fez quatro gols, o quinto foi marcado por Lenglet. Depois da derrota da semana passada frente à equipa da Suíça, os encarnados estavam hoje obrigados a vencer para seguirem em frente na qualificação para a Liga Europa. No final do jogo, o treinador do Benfica, Marcos Silva, destacou a evolução da equipa em relação ao jogo da primeira mão.
Retificamos algumas coisas que não funcionaram no último jogo. Não deixamos o jogo ir tanto para duelos individuais, independentemente do adversário promover isso. E não há forma de sair disso quando o adversário marca homem a homem o campo todo, e foi isso que aconteceu novamente. Melhoramos em alguns aspetos, percebemos os momentos e a forma como bater e chegar a zonas de finalização, muitas vezes muito rápido, muitas vezes não pausado, mas numa marcação homem a homem o campo todo, também os passes, por vezes, são grandes e nós optamos por ir rapidamente para zonas de finalização em alguns momentos. Mas na realidade melhoramos em muitos aspetos aquilo que foi o jogo da semana passada, mas também, muito sinceramente, era o que tínhamos fazer.
Marcos Silva, treinador do Benfica, no final da vitória das Águias por 5x0 frente ao St. Gallen.
E é o ponto final nesta edição da meia-noite na Rádio Observador e também nesta noite informativa de quinta-feira com a Laura Figueiredo, que está de regresso esta sexta a partir das 20h30. Um abraço, Laura. Bom descanso.
Até amanhã.