00h. Exames. Ministro da Educação admite que centenas de provas não terão notas

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Ação Social Única. Jornal da Meia Noite com a Laura Figueiredo e começamos com os exames nacionais. Dada a hora tardia que foram lançadas as notas, nem todas as escolas conseguiram assegurar a afixação das pautas esta sexta-feira. O ministro da Educação diz que vai pedir justificações a quem não o fez.

Há escolas onde os resultados dos exames nacionais só vão ser afixados amanhã. É o caso da Escola Secundária Miguel Torga, em Sintra. Num e-mail enviado aos encarregados de educação, a escola explica que a uma hora tão tardia não tem condições a nível de funcionários e de segurança para afixar as notas. Também em Linda-a-Velha, a Escola Secundária Professor José Augusto Lucas anunciou que vai estar aberta sábado de manhã para os alunos poderem ver as classificações. Já na Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, as notas começaram a ser afixadas perto das 11 da noite. Porém, o Observador sabe que só este sábado é que pais e alunos vão poder ver as classificações. Ao Observador têm também chegado casos de vários alunos que estão a registar dificuldades para aceder à plataforma Inovar, que permite consultar as notas atribuídas nos exames nacionais.

E ao início da noite, o ministro da Educação dizia que as escolas têm a obrigação de fazer chegar as notas aos alunos esta sexta-feira, avisando que vai pedir uma justificação a quem não o fizer.

Ainda assim, o ministro reconhece que centenas de provas não vão ter nota. Nesses casos, surgirá a indicação de suspenso no espaço da avaliação. Em entrevista à SIC, o ministro Fernando Alexandre explica que parte dos casos sem avaliação se deve ao atraso no envio dos exames pelas escolas.

Há umas centenas de provas em que há falhas. As falhas são diversas. Vou-lhe dizer, por exemplo, exemplos de provas que chegaram ao Educa nas últimas semanas, incluindo na última semana, ou seja, que não foram entregues na altura pela escola. Isso é uma situação que tem que ser avaliada com muito cuidado. Eu penso que essas provas não têm condições, porque está em questão a própria integridade da prova, para ter uma nota agora. Ou seja, o Educa, o Júri Nacional de Exames, vão ter que olhar para essas situações.

Entretanto, o Educa, Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, diz que estes casos vão ser solucionados, mas ainda não sabe de que forma. Ainda na mesma entrevista à SIC, Fernando Alexandre deixou claro que o lançamento das notas dos exames é da responsabilidade dos diretores das escolas.

Hoje é um dia que as escolas sabem que as notas iam chegar. Os diretores têm essa responsabilidade, têm a responsabilidade também de preparar as equipas. Aliás, eu durante o dia falei com imensos diretores e todos me transmitiram precisamente essa mensagem de que estavam ao serviço da escola pública, ao serviço dos alunos. Eu teria muita dificuldade em perceber, as famílias também, os alunos também, que pelo fato das notas chegarem às 19h30, não seriam lançadas. Pode acontecer, mas eu vou precisar da justificação do diretor e será pedido individualmente a cada um, se isso acontecer.

O ministro confirmou ainda que o governo vai pagar horas extraordinárias aos professores que estiveram a corrigir exames. Fernando Alexandre disse ainda estar de consciência tranquila. Remeteu a continuidade no governo para o primeiro-ministro.

E o secretário-geral do PS diz que o governo foi imprudente e vinca que os alertas do Partido Socialista tinham fundamento.

José Luís Carneiro não pede diretamente a demissão de Fernando Alexandre, dizendo-se que é o primeiro-ministro que tem de assumir responsabilidade pela pessoa que escolheu para ocupar a pasta.

Nós chamámos o ministro à Assembleia da República no dia 1 de julho. Ele desvalorizou o que estava a passar. Disse que não havia quaisquer falhas de significado e que tratavam de questões de software e que, portanto, não seria necessário adiar o processo de classificação. O que é certo é que 48 horas depois decidiu adiar, mas adiou sempre com uma certa sobranceria que caracteriza este governo. Ora, aquilo que nós verificamos é que todos os alertas que formulamos tinham fundamento, tinham razão de ser.

Entrevista à SIC Notícias, o líder socialista garantiu ainda que o número de alunos sem prova classificada não corresponde à realidade.

O ministro aqui afirmou que são algumas centenas de jovens que estão suspensas a publicitação das suas classificações. Eu posso dizer que tenho reporte do país que me dá conta de que não serão algumas centenas, que serão alguns milhares.

José Luís Carneiro afirma ainda que os diretores das escolas se sentem ameaçados e desrespeitados pelas recentes declarações do ministro da Educação. O líder socialista não fecha também a porta a uma comissão de inquérito.

E o Partido Comunista critica a falta de respostas do ministro da Educação sobre os alunos com as notas suspensas.

A líder do grupo parlamentar do PCP, Paula Santos, considera a situação extremamente preocupante e aponta o dedo tanto a Fernando Alexandre como ao restante Executivo.

É extremamente preocupante que haja estudantes cujos resultados vão aparecer na pauta como suspensos e o ministro, até o momento, ainda não explicou como é que vai resolver esses problemas. Para lá de toda esta confusão e do caos dos exames, a verdade é que o rigor e a fiabilidade relativamente a este procedimento está claramente colocado em causa. O governo insiste em sacudir as suas responsabilidades. Mais uma vez, foi esse o procedimento por parte do ministro. Responsabiliza as escolas, responsabiliza os professores, responsabiliza o júri e não assume as suas responsabilidades perante aquilo que está a acontecer.

As críticas de Paula Santos, a líder da bancada comunista, à forma como o governo geriu os problemas com os exames nacionais, numa mensagem em vídeo enviada às redações Laura, entre os encarregados de educação, há um sentimento de indignação. Um testemunho recolhido pelo jornalista do Observador, Ricardo Lopes, que esteve esta tarde e noite na Escola Rainha Dona Leonor, em Lisboa, a acompanhar o processo de afixação das pautas. Ângela Loureiro, encarregada de educação, realça o esforço feito pela escola para conseguir afixar as notas ainda esta sexta-feira.

Às 19h disseram-nos que não ia ser possível. Às 19h30 disseram que talvez fosse possível e que iam fazer todo esse esforço. Foi feito o esforço. É de louvar aquilo que a escola fez, aquilo que os professores fizeram, os funcionários. Espero que lhes deem mais dias de férias, porque os merecem e muito bem. Temos uma senhora, que é a senhora que está à porta, que a esta hora está aqui ainda, deveria ter saído às 18h. E, portanto, espero sinceramente que alguém olhe para tudo isso e que se veja o esforço que foi para os miúdos, para nós, pais, sobretudo para os miúdos e para os professores, porque todos eles estão na mesma carruagem. Isto é um comboio em andamento, não há possibilidades das coisas poderem ser feitas desta forma.

Ângela Loureiro, encarregada de educação de uma aluna da Escola Rainha Dona Leonor, em Lisboa, onde as notas estão já afixadas. O Presidente da República espera que os responsáveis pelo processo dos exames resolvam os problemas, mas não fala sobre consequências políticas. António José Seguro pede uma resolução rápida dos problemas e vinca que se deve salvaguardar, sobretudo, que nenhum aluno saia prejudicado.

A minha preocupação é que todos os que têm responsabilidade no processo possam contribuir para que rapidamente os problemas desapareçam e, sobretudo, os alunos e as famílias tenham acesso à classificação dos exames e das provas que prestaram. É muito importante que isso aconteça e que nenhum aluno fique prejudicado pelos erros que ocorreram.

O Presidente da República a responder aos jornalistas, à margem da inauguração da requalificação do Museu da Gulbenkian, em Lisboa. Questionado ainda sobre a forma como os exames nacionais ou as polémicas sobre o ministro Luís Neves têm tido impacto no governo, António José Seguro reservou comentários para outros locais.

O Presidente da República está sempre muito atento e acompanha tudo o que se passa em Portugal e na vida nacional, mas fala no momento certo e no local adequado.

O chefe de Estado em resposta aos jornalistas sobre os problemas com o governo de Luís Montenegro. E a ministra do Ambiente e Energia quer mais explicações sobre o aumento dos preços dos combustíveis. Maria da Graça Carvalho lembra que enviou esta quinta-feira uma carta ao presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, na qual exigiu, no prazo de 20 dias úteis, um estudo aprofundado à formação do preço dos combustíveis. A ministra reitera que é preciso que todos os portugueses percebam o porquê dos aumentos e descidas.

Eu perguntei à ENS, perguntei à ERSE e a resposta é que, na verdade, quando desce o Brent, ainda há outros componentes que não descem. Então vamos ver quanto é que não desceu, como é que desceu, qual é a porcentagem, como é que é esta formação de preço a partir disso tudo. Para se perceber, as pessoas todas perceberem porque é que não desce na mesma proporção.

Declarações da ministra do Ambiente à margem de uma visita às praias de Grândola esta sexta-feira. Esta tarde, o governo anunciou o aumento do desconto do imposto sobre os produtos petrolíferos. Laura, vamos agora conhecer outras notícias em destaque. O Presidente da República promulgou esta sexta-feira quatro decretos do Parlamento, entre eles a Prestação Social Única. Além da PSU, António José Seguro deu ainda luz verde a dois outros diplomas da área da Justiça e aproveitou para vincar que é urgente uma reforma deste setor. Numa nota publicada no site da Presidência da República, António José Seguro considera que o combate à corrupção, à criminalidade organizada e à celeridade da Justiça devem ser prioridades. O presidente alerta ainda que uma justiça lenta compromete a confiança dos cidadãos nas instituições e defende que as reformas devem ir mais além. António José Seguro pede ainda estabilidade legislativa para evitar alterações sucessivas e avulsas e defende que todos os agentes da Justiça devem ser envolvidos, ouvidos e respeitados nos processos de reforma. O número de mortos pelo duplicismo na Venezuela ultrapassa já os 5 mil. É o mais recente balanço das autoridades venezuelanas, que registaram hoje mais 139 mortes. De acordo com o presidente da Assembleia Nacional, que divulgou os dados, o número de feridos mantém-se por volta dos 16 mil. Entre os mortos, há pelo menos 120 portugueses e lusodescendentes, além de mais de 50 desaparecidos. O Irão acusa os Estados Unidos de crimes de guerra pelos ataques de quinta-feira na rede social X. O porta-voz do Ministério Iraniano dos Negócios Estrangeiros afirma que os ataques foram uma tentativa de demonstrar força por parte dos Estados Unidos. O porta-voz classifica os ataques contra pontos no país como crimes de guerra, desde que foram assassinados oito iranianos inocentes. O responsável afirma ainda que os iranianos estão mais unidos do que nunca e que os Estados Unidos se vão arrepender dos ataques. Notícia de fecho do jornal da meia-noite.