00h. Donald Trump acredita que acordo com Irão ainda "é possível"

🗓️ 2026-07-13 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Jornal da meia-noite com Laura Figueiredo. E Laura, enquanto os Estados Unidos atacam pela terceira noite consecutiva o Irão, Donald Trump diz que ainda acredita que é possível chegar a acordo.

A confirmação dos ataques chegou pelo comando central dos Estados Unidos, momentos depois de o presidente norte-americano ter prometido, numa entrevista, bombardear fortemente o Irão hoje e amanhã. Já com os ataques em curso, Donald Trump falou aos jornalistas na Sala Oval da Casa Branca.

"Vamos atacá-los fortemente esta noite. Nós temos uma imensa quantidade de munições, temos números como nunca antes tivemos e vamos atacá-los e vai continuar. Vamos ver o que acontece, mas destruímos toda a capacidade ofensiva deles e estamos a controlar o estreito. Voltámos a colocar o bloqueio. E é um bloqueio que atinge só o Irão e quem fizer negócios com o Irão. Todos os restantes vão poder atravessar".

O presidente norte-americano esclareceu também o que já tinha dito esta tarde relativamente ao estreito de Ormuz. Questionado pelos jornalistas na Casa Branca sobre um acordo com o Irão, Donald Trump disse que ainda é possível, mas que o Irão é responsável pela inexistência de um entendimento. Já numa entrevista dada a um programa norte-americano, também esta noite, Donald Trump afirmou que o memorando de entendimento assinado com o Irão foi apenas um teste com pouco valor.

"Nós tínhamos um acordo ontem e de repente receberam uma chamada e saíram da sala. Estas pessoas são loucas. Tínhamos um acordo em que ganhávamos tudo. Eles simplesmente quebram os acordos. Para eles, os acordos são para serem quebrados. São pessoas nada confiáveis. Se alguma vez tivessem uma bomba nuclear, usariam-na em um dia".

Donald Trump a dizer que os iranianos não honraram o teste.

Como dizíamos, esta tarde o presidente dos Estados Unidos tinha anunciado que Washington ia restabelecer o bloqueio naval ao Irão e cobrar uma taxa de 20% sobre toda a carga enviada através do estreito.

Ora o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, não concorda com a tática de Donald Trump. Em Paris, onde marcou hoje presença na reunião da Coligação das Vontades, Paulo Rangel diz que é preciso garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz, mas discorda desta estratégia de Washington.

Quando defendemos a liberdade de navegação, defendemos a liberdade de navegação pura e dura. E, portanto, naturalmente que a nossa posição é de não concordar com uma medida dessas. Uma coisa é, obviamente, tomar as medidas necessárias para garantir a liberdade de navegação. Ela está em causa e aí os Estados Unidos têm tido um papel importante, especialmente nos últimos dias, porque foi o Irão que começou com a violação da liberdade de navegação que estava no acordo. E, portanto, para isso, naturalmente que há aqui um grande suporte e até para vir a acompanhar essas operações mais tarde, mas sempre no sentido de respeitar o direito do mar e a liberdade de navegação.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, em declarações aos jornalistas em Paris. Esta tarde, a Organização Marítima Internacional das Nações Unidas disse que não há base legal para os Estados Unidos cobrarem tarifas a quem passar no estreito de Ormuz. De recordar que já há algumas semanas Mark Rubio, secretário de Estado norte-americano, referia que nenhum país pode cobrar tarifas para circular em águas internacionais.

Entretanto, os preços do petróleo aumentaram depois do anúncio de Donald Trump.

O petróleo Brent subiu 7,1% para 81,40 dólares o barril, enquanto o petróleo norte-americano subiu para 76,50 dólares o barril, os níveis mais altos desde 15 de junho. Na análise, o major-general João Vieira Borges diz que o anúncio da cobrança de taxas no estreito de Ormuz feito por Donald Trump é incompreensível e deixa os Estados Unidos numa situação muito delicada.

Efetivamente, o Irão estava a infringir o direito internacional e a Organização Marítima Internacional apelou hoje que o estreito de Ormuz deve estar livre de qualquer taxa em cargo. Portanto, se a grande crítica dos Estados Unidos e da comunidade internacional sobre o Irão era efetivamente as taxas, os Estados Unidos colocam-se numa situação muito delicada. Isto faz parte dos discursos incompreensíveis de um presidente dos Estados Unidos. Pode dizer que pode e deve fazer o bloqueio, mas estar a dizer que vai receber muito dinheiro e que vai receber agora 20% da carga transportada por esse trabalho é perfeitamente indescritível num presidente dos Estados Unidos.

A crítica do major-general João Vieira Borges, ouvido no Gabinete de Guerra da Rádio Observador.

Na atualidade nacional, a ministra da Saúde aguarda esclarecimentos do INEM sobre a morte de um homem na Vila das Taipas, em Guimarães.

O INEM anunciou ontem que vai averiguar por que motivo foram enviados os bombeiros voluntários de Guimarães para socorrer um homem de 48 anos que estava em paragem cardiorrespiratória na Vila das Taipas. O caso aconteceu no sábado. De acordo com o comandante da corporação local, os bombeiros da Vila das Taipas demorariam entre três e cinco minutos a chegar à vítima, enquanto os bombeiros de Guimarães estão a cerca de 9 km e perto de 14 minutos do local da ocorrência. Questionada sobre este caso, a ministra Ana Paula Martins diz que está à espera das explicações do presidente do INEM.

O INEM está a avaliar essa situação, exatamente perceber por que não foram os bombeiros de Taipas e teve que ser acionado, quer a VMER, quer a outra unidade de uma corporação de bombeiros mais distante. Certamente que o presidente do INEM muito rapidamente virá explicar o que se passou. E eu acho que é importante ouvirmos aquilo que o presidente do INEM tem para dizer.

A ministra da Saúde, em declarações aos jornalistas à margem de uma cerimónia em Miranda do Corvo. A propósito deste caso, a Associação Nacional de Bombeiros e Agentes da Proteção Civil exigem o esclarecimento imediato. Também a Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica considera que este episódio representa mais um sinal preocupante da capacidade do INEM para gerir a resposta pré-hospitalar. E o Chega vai pedir a demissão do ministro da Administração Interna no debate do Estado da Nação. Em causa, as alegadas ameaças feitas por Luís Neves ao partido. E também a polêmica em torno dos contratos adjudicados pela Polícia Judiciária à empresa de um empreiteiro próximo do governante. André Ventura entende que o ministro Luís Neves tem respostas a dar.

E na quinta-feira, o partido Chega terá a oportunidade, com a mesma frontalidade com que aqui exigiu esses esclarecimentos, dizer ao primeiro-ministro que este ministro da Administração Interna não deve continuar enquanto ameaçar jornalistas, mesmo que nós não gostemos desse jornalismo. Não deve continuar enquanto ameaçar líderes da oposição, mesmo que nós não gostemos desse estilo de fazer política. E que o ministro da Administração Interna não pode querer um regime para si, diferente de todos os que exige para os outros políticos em Portugal. É a nossa democracia que está em causa.

O líder do Chega diz que as suspeitas sobre o ministro da Administração Interna devem ser esclarecidas ainda antes do debate do Estado da Nação. Já quanto às alegadas ameaças de Luís Neves ao Chega, André Ventura não tem dúvidas, diz que as imagens são incontornáveis. Ontem, Luís Neves recusou ter ameaçado André Ventura durante o debate quinzenal de 27 de maio. O ministro considera muito estranho que a publicação tenha sido feita agora, mais de um mês depois. Laura, que outras notícias estão em destaque a esta hora? O presidente da República aponta a redução do risco sísmico como prioridade nacional acima dos ciclos políticos. A posição de António José Seguro consta numa nota publicada no site oficial da Presidência da República, na qual se dá conta de que o chefe de Estado recebeu no Palácio de Belém especialistas em engenharia civil, geologia e sismologia. De acordo com a nota, neste encontro foi analisado o estado da preparação nacional face ao risco sísmico e as condições para a redução. Atualidade internacional, a Rússia voltou a atacar Kiev esta noite. Os sistemas de defesa aérea foram ativados na capital ucraniana, é o que dá conta o presidente da Câmara da Cidade. No Telegram, o autarca de Kiev diz que o inimigo está a atacar Kiev com mísseis balísticos. Donald Trump vai apoiar um pacote de sanções contra a Rússia proposto por congressistas democratas e republicanos. É o que avança uma fonte da Casa Branca à CNN, que dá conta de que o projeto, liderado por um senador republicano que morreu no domingo, estava a ser negociado com Trump, mas a morte do congressista pode vir a acelerar esta aprovação. Laura Figueiredo com o jornal da meia-noite.