12h. Orçamento de Estado 2027. Confederação Empresarial defende aposta no investimento privado e nova estratégia política
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Vamos às notícias, uma edição do jornalista Luís Soares. A Dinamarca confirma o acordo com os Estados Unidos para o controle norte-americano da segurança da Groenlândia. O documento deve ser assinado na Assembleia Geral das Nações Unidas. Já na próxima semana, no set oficial, a primeira-ministra dinamarquesa fala num grande acordo para a Groenlândia, a Dinamarca e os Estados Unidos, que fortalece a segurança comum no Ártico e na região do Atlântico Norte. A líder do governo dinamarquês classifica ainda o acordo como vantajoso para a NATO e também para toda a Europa. O anúncio foi feito ontem à noite por Donald Trump na rede social Truth. De acordo com o que escreveu o presidente norte-americano, os Estados Unidos passam agora a controlar as bases militares e também os investimentos estratégicos da Groenlândia. Em direto no jornal do meio-dia está a Liliana Reis, especialista em relações internacionais. Bom dia, Liliana. Este acordo anunciado por Donald Trump vai ao encontro das pretensões do presidente norte-americano?
Nós ainda não conhecemos o acordo definitivo, mas daquilo que foi anunciado, pelo menos pelo próprio e pela Dinamarca, por Mette Frederiksen, aquilo que sublinhou é que cada um tenta capturar para si algum sucesso deste acordo. Nós, pelo lado da Dinamarca, tínhamos aqui uma situação muito difícil, porque a Dinamarca não podia aceitar a anexação e não conseguia confrontar militarmente os Estados Unidos e, por outro lado, também precisava preservar a relação com a população da Groenlândia e assegurar simultaneamente a defesa do Ártico. Por outro lado, os Estados Unidos conseguem alargar aquele acordo que já existia desde 1951, que tinha sido atualizado em 2004 por George W. Bush. Agora, nós não conseguimos ainda perceber se este alargamento da presença militar, que já existia há 75 anos, é algo mais do que isso, e se trata efetivamente de um arranjo estratégico muito mais abrangente e potencialmente permanente, como disse Donald Trump. Agora, neste momento, aquilo que já se pode concluir é que há uma expansão significativa da presença militar americana e na exclusão de adversários dos Estados Unidos de estabelecerem ali bases militares. E por isso pode representar também uma tentativa por parte de Washington de criar uma espécie de arquitetura de segurança permanente, não apenas para a Groenlândia, mas sobretudo para o Ártico. E não deixa de ser curioso, e isto tem que ser também sublinhado, é que Ursula von der Leyen esteve na Groenlândia nos dias 6 e 7 de setembro. E todos estamos recordados que anunciou um investimento de 200 milhões de euros para reforçar a aliança estratégica da União Europeia com a Groenlândia e o desenvolvimento sustentável do Ártico. Ora, esta semana tivemos o discurso do Estado da União, em que uma das principais conclusões do discurso foi efetivamente a aproximação da União Europeia ao Canadá e a redefinição desta aliança com o Canadá. Ora, os Estados Unidos, três dias depois do discurso do Estado da União, vêm confirmar que quem tem capacidade é que realmente define os arranjos estratégicos ao nível da segurança e não quem faz discurso ou tem efetivamente um grau de ambição superior. E isso é que nos deve preocupar sobremaneira no quadro da União Europeia.
Percebemos que a União Europeia não tem força suficiente?
Claramente. Aliás, a União Europeia pode investir, pode financiar infraestruturas, pode cooperar com o Canadá em vários tipos de projetos, nomeadamente na cibersegurança e na investigação, mas depois quem é que garante efetivamente a dissuasão do Ártico e, nomeadamente, quem assegura o controle estratégico da Groenlândia? São os Estados Unidos.
Liliana Reis. Sim, pode concluir. Liliana Reis, muito obrigado por ter estado em direto conosco. Liliana Reis, especialista em relações internacionais, a analisar este acordo alcançado entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia para o controle norte-americano da segurança da ilha. E por cá, a CGTP diz que o primeiro-ministro chegou tarde com as ajudas para o aumento do custo de vida e o bónus nas pensões. Já a CIP, Luís, a Confederação Empresarial de Portugal, defende que o orçamento do Estado para o próximo ano deva apostar no investimento privado e definir uma nova estratégia política para o país. Proposta de orçamento que vai ser apresentada até o próximo dia 10 de outubro. O tema esteve em debate no Explicador desta manhã. O presidente da CIP, Armindo Monteiro, considera que nos últimos anos os orçamentos ignoram o fator investimento e defende, por isso, que o próximo orçamento deve expressar essa prioridade por parte do Estado.
Nos últimos anos, e volto a dizer, para a última década, fala-se só de despesas, não se fala em investimento. Portanto, o orçamento passou a ser um equilíbrio entre receitas e despesas e aqui gostávamos que precisamente o orçamento, para além desse documento que põe em equilíbrio uma coisa e outra, sobretudo exprimisse uma estratégia de um parceiro importante, que é naturalmente o parceiro Estado, no que concerne às suas prioridades.
Armindo Monteiro, no Explicador desta manhã, a pedir uma aposta no investimento. Já Tiago Oliveira, o secretário-geral da CGTP, defende que a linha política que tem sido seguida pelo atual governo condiciona as condições de vida dos trabalhadores e critica a política assente em baixos salários. Quanto às medidas anunciadas esta semana por Luís Montenegro, Tiago Oliveira diz que os trabalhadores e reformados precisam desses apoios ao longo de todo o ano, sublinhando que a valorização das reformas é crucial para a melhoria das condições de vida.
Relativamente às medidas de apoio ao suplemento das reformas e pensões, aquilo que é o posicionamento da CGTP está muito claro. Estamos precisando desses suplementos durante o ano inteiro, e os reformados e os pensionistas é igual
Chegamos ao fim do ano, vão ter um suplemento de € 100, € 150, € 200, mas e depois o resto do ano, como é que vai ser? Portanto, aqui a questão da valorização das reformas é essencial para responder àquilo que são as necessidades de cada um de nós.
Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, a dar conta de que é preciso que haja apoios durante todo o ano para os trabalhadores. Ele que esteve, juntamente com Armindo Monteiro da CIP, no Explicador desta manhã. 12h07, já a seguir, nova edição dos Cinco Continentes. Para já, Luís, que outras notícias estão em destaque? A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares tem dúvidas sobre a eficácia das propostas da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde para combater o chamado turismo de saúde. A Inspeção-Geral quer taxas moderadoras pagas à entrada dos hospitais e também sistemas de check-out para evitar fugas aos pagamentos. Ao Observador, o presidente da Associação de Administradores Hospitalares explica que as medidas propostas são difíceis de pôr em prática. O primeiro-ministro Luís Montenegro vai estar nos Estados Unidos na próxima semana, vai participar na Assembleia Geral das Nações Unidas e foi convidado pela Bolsa de Nova Iorque para a tradicional cerimônia do Closing Bell. Vai acionar o sino que marca o fim da sessão de negociação bolsista. O gabinete do chefe de governo orienta à Agência Lusa que esta viagem vai vincar a crescente importância dos laços econômicos e comerciais com os Estados Unidos. A visita a Nova Iorque arranca na terça-feira. Na quinta-feira, Luís Montenegro discursa no debate geral da Assembleia das Nações Unidas. O sistema de votos na Rússia foi alvo de um ciberataque durante a eleição que decorre este fim de semana. A líder da Comissão Central de Eleições garantiu que a situação está sob controle e não pôs em causa o processo eleitoral. Além deste ataque, o Ministério Russo do Desenvolvimento Digital denuncia também tentativas de sabotagem das linhas de comunicação na região oriental do país, situação que também já foi reposta.