17h. Dívida Pública. André Ventura pergunta onde Governo anda a gastar o dinheiro
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Esta é a "Tarde Política", da Rádio Observador, jornal das 17h, com edição do Miguel Vilela Dias. Começamos pelo acidente com o autocarro em Tomar, que provocou um morto.
Uma pessoa morreu, três ficaram feridas na sequência de um acidente com um autocarro que embateu contra o Hospital de Tomar. A informação foi confirmada à Rádio Observador por fonte oficial desta unidade de saúde. A vítima mortal é uma mulher de 64 anos. Sua família está a receber apoio psicológico no Hospital de Tomar. Entre os feridos, está o condutor do autocarro. Encontra-se fora de perigo e está a receber apoio psicológico no Hospital de Abrantes. Os outros dois feridos são considerados graves, sofreram fraturas e foram igualmente encaminhados para o serviço de urgência de Abrantes. Isto porque a urgência em Tomar é apenas de atendimento básico. O alerta para esta ocorrência foi dado pouco depois das 13h30. A fachada da unidade hospitalar em Tomar sofreu alguns danos com o embate deste autocarro. No entanto, fonte da unidade de saúde garante que a integridade estrutural do edifício não está em causa. Ainda assim, foi criado um perímetro de segurança em redor da zona afetada por precaução.
Depois de conhecido o aumento da dívida pública, André Ventura vem agora perguntar ao governo onde anda a gastar o dinheiro.
Com a dívida nos 92,9% do PIB, ao que revelou ontem o Banco de Portugal, o Chega critica a gestão do governo. André Ventura reuniu os coordenadores do partido para a área econômica para falar sobre o desempenho do executivo nesta área. As declarações foram acompanhadas pelo jornalista Miguel Pina Andrade, na sede do Chega, em Lisboa. Miguel, André Ventura acusa o governo de má gestão?
É isso mesmo, Miguel. O líder da oposição diz que apesar de tudo o que a AD fez durante esta sessão legislativa, Portugal continua a ser um país endividado e que os dados divulgados ontem pelo Banco Central Português são preocupantes. André Ventura considera que a ideia de que as medidas apresentadas pelo Chega que contribuem para o aumento da dívida pública não são verdade, contrariando assim as afirmações de Luís Montenegro. André Ventura deixa a pergunta antes da discussão do Orçamento do Estado: onde Portugal está a gastar o dinheiro?
É por isso legítimo, com esta deterioração do desempenho da economia portuguesa, com esta deterioração do desempenho das empresas públicas, com esta deterioração clara da despesa pública não controlada, que nós estamos num cenário econômico de péssima gestão, de enorme incompetência, mas sobretudo de enorme interrogação para onde, a que título e de que forma está a ser canalizado este dinheiro.
André Ventura, em declarações aos jornalistas na sede do partido em Lisboa. Dar-te ainda conta, Miguel, que André Ventura sublinhou um número que considera relevante. Os resultados líquidos das 126 empresas públicas caíram 98%, de 480 para 11 milhões de euros, o que para o líder da oposição contribui também para a deterioração da economia portuguesa e das empresas públicas.
O jornalista Miguel Pina Andrade, a partir da sede do Chega, a acompanhar as declarações de André Ventura esta tarde, o presidente do partido, que voltou a criticar a gestão de Luís Montenegro sobre o ministro da Administração Interna, Luís Neves. Declarações também para ouvirmos no jornal das 18h. Sobre a questão da dívida pública e ainda antes das declarações de André Ventura, ao final da manhã, já o primeiro-ministro tinha desvalorizado os dados revelados pelo Banco de Portugal.
Ontem saíram os números da dívida. Não têm rigorosamente importância nenhuma, digo isso com toda a tranquilidade. Não têm rigorosamente importância nenhuma na trajetória de diminuição da nossa dívida pública face ao nosso Produto Interno Bruto. E quando chegarmos ao fim do ano, voltaremos, nesse domínio, como no crescimento da economia, como no saldo orçamental, a surpreender muitos daqueles que cá estão e muitos dos que nos veem de fora com os nossos resultados.
Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas à margem de uma inauguração de uma unidade de saúde familiar em Torres Vedras.
Luís Montenegro critica quem não consegue garantir a regulação dos fluxos migratórios.
Um reparo que pode encaixar nas políticas migratórias de outros países europeus e de Espanha, liderada por Pedro Sánchez. À margem da inauguração deste centro de saúde em Torres Vedras, o chefe do governo aproveitou o caso de Ceuta para puxar os galões sobre o trabalho feito em Portugal para controlar a imigração.
Nestes dias em que nós assistimos incrédulos a fenômenos de falta de regra, de regulação no fluxo migratório, nestes dias em que infelizmente alguns teimam em adotar políticas que têm muitas vezes um efeito de chamada, chamam as pessoas sem lhes proporcionar as condições para os acolher e integrar. Nesta época, é uma época para nós dizermos que em Portugal, francamente, estamos a fazer aquilo que tem que ser feito.
Luís Montenegro, durante a cerimônia de inauguração desta unidade de saúde familiar. Ao início da tarde, já o ministro da Administração Interna tinha também alertado que as políticas nacionais podem ter impacto em outros Estados-membros da União Europeia. O aviso foi deixado na reunião por videoconferência, que juntou os ministros com as pastas dos assuntos internos da União Europeia. De acordo com o comunicado do ministério, Luís Neves pediu articulação aos Estados-membros para evitar medidas que possam gerar expectativas e funcionar como fatores de atração.
E a União Europeia anunciou o reforço do controle de fronteiras e dos mecanismos de retorno.
Anúncio feito pelo comissário europeu com a pasta da Segurança Interna e Migrações, na sequência da reunião entre estes ministros europeus. A União anunciou um reforço do controle fronteiriço, sem, no entanto, concretizar que medidas é que vai tomar. O comissário deu ainda conta de que está em curso uma investigação sobre o que aconteceu em Ceuta e também sobre um eventual envolvimento da Rússia neste caso.
Acho que ainda é um pouco cedo para termos certezas, mas sabemos que houve instrumentalização. Mencionei os contrabandistas e os traficantes de pessoas e agora, naturalmente, há uma investigação a correr e cabe à Europol investigar os detalhes sobre quem foram os responsáveis pela desinformação. Será que foi a Rússia? Será que foram os traficantes de pessoas e contrabandistas? Já temos certezas sobre o envolvimento dos traficantes e contrabandistas, mas quanto ao restante, peço que aguardem uma avaliação concreta a esse respeito.
Magnus Brunner, o comissário europeu com a pasta das migrações, depois do encontro com os ministros da União Europeia.
Na sequência deste caso, o Livre defende que Portugal não deve aceitar organizar o Mundial de Futebol de 2030 com Espanha e Marrocos.
Mundial organizado pelos três países, mas na sequência da entrada massiva de imigrantes em Ceuta, o porta-voz do Livre, Jorge Pinto, diz que Portugal não deve compactuar com atitudes de desrespeito pelos direitos humanos e, por isso, deve rejeitar uma organização conjunta do próximo Campeonato do Mundo com este país do norte de África.
Este episódio de Ceuta é apenas o mais visível e mais recente nesta estratégia de utilização das suas próprias pessoas para ganhos políticos. E, portanto, aquilo que ficou claro é que tanto a nível organizativo, Marrocos não parece ter a capacidade para organizar um evento deste tamanho, mas sobretudo a nível político, por aquilo que está a fazer no Saara Ocidental, por aquilo que está a fazer com o seu próprio povo, parece-nos que Portugal não deve estar ao lado de Marrocos na coorganização deste Campeonato do Mundo. E é essa mensagem que levaremos, em primeiro lugar, ao governo e à própria Federação Portuguesa de Futebol e depois, eventualmente, com uma proposta a nível da Assembleia da República.
Jorge Pinto sobre a organização do próximo Mundial de Futebol que vai decorrer em Portugal, Espanha e Marrocos.
Jorge Pinto é o nosso convidado para o Explicador desta tarde. Depois das 17h30, vamos voltar a este tema. E ao nosso convidado, Jorge Pinto, vamos conversar com o porta-voz do Livre sobre esta proposta. Na inauguração de um centro de saúde tipo C, um centro de saúde gerido por privados, o primeiro-ministro defendeu hoje que é importante ter serviços ao dispor da população.
Independentemente de quem os gere, Luís Montenegro diz que quer resolver os problemas dos utentes do SNS, sejam os cuidados prestados por unidades geridas por privados ou por entidades públicas, pedindo, Montenegro, que se afastem preconceitos ideológicos.
O que me interessa é que se há aqui cidadãos que precisam de uma resposta e se eu não consigo sozinho dar-lhes esta resposta, e está aqui alguém que me pode ajudar e que já tem a sua capacidade, eu vou lá buscá-la. É empresa? Parabéns. É instituição social? Parabéns a dobrar. É tão simples quanto isto.
Luís Montenegro em São Pedro da Cadeira, no Conselho de Torres Vedras, em que foi inaugurado este primeiro centro de saúde gerido por privados, dois anos depois do prazo apresentado pelo governo.
E a ministra da Saúde não afasta a possibilidade de cobrar uma taxa aos utentes que recusem uma vaga numa unidade de cuidados continuados.
A proposta foi apresentada pelo Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. A ideia é que a cobrança de uma taxa semanal progressiva possa contribuir para combater o fenômeno dos internamentos sociais, os doentes com alta que continuam no hospital por não terem para onde ir. Aos jornalistas, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admite que a cobrança de um valor pode ser uma solução para combater o problema.
Para este problema, existem várias soluções e, no limite, sim, temos de pensar, quando estão esgotadas todas as situações e quando existe oferta por parte do sistema, nomeadamente uma oferta de um espaço em cuidados continuados, sejam eles de curta, média ou longa duração, em lar, em estrutura residencial para pessoas idosas. Quando existem essas soluções, cuidados domiciliários, e não se consegue, mesmo assim, e há situações onde, mesmo assim, não se consegue que a pessoa saia do hospital, nós temos que começar a considerar também soluções como esta.
Ana Paula Martins, que esteve a acompanhar o primeiro-ministro na inauguração desta unidade de saúde familiar em Torres Vedras.
O Partido Socialista pede ao governo que apresente um calendário para implementar as recomendações da Comissão Técnica Independente sobre fogos florestais.
Relatório que foi publicado na última semana, que sublinha que em 2025 foi registado o maior incêndio de sempre em área ardida, em Piodão. Arderam perto de 66 mil hectares. Em reação às 20 recomendações deixadas pela Comissão, o deputado socialista André Rijo considera que a prioridade é implementar as propostas feitas pelos especialistas.
Até setembro, final do mês de setembro, o governo apresenta à Assembleia da República, para discussão com os partidos políticos da Assembleia da República, este calendário de execução e implementação das 20 recomendações que a Comissão Técnica Independente teve a oportunidade de produzir. Portanto, essa é a primeira prioridade, é apresentar até o final do mês essa proposta de calendarização, que para nós é muito importante.
André Rijo, em conferência de imprensa na sede do PS, no Largo do Rato, em que sublinha que Portugal nunca teve um investimento político à altura para combater os incêndios. A Comissão Técnica Independente não pede alterações à lei, nem a criação de novas estruturas, mas sim a implementação das mudanças que foram feitas depois de Pedrógão Grande em todo o território nacional.
E há outras notícias a marcar a tarde desta terça-feira, 4 de agosto.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos afirma que o acordo com o Irão para reabrir o Estreito de Ormuz pode ser concluído até amanhã. Apesar de Teerão negar a existência de negociações diretas com Washington, os mercados já reagiram. O preço do barril de petróleo já caiu para menos de US$ 80, depois de Scott Bessent ter garantido à CNBC que o governo norte-americano está em negociações com os iranianos. A diplomacia do Irão afirmou ontem que está apenas a negociar com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz. Sobe para 138 o número de portugueses e lusodescendentes mortos no duplo sismo que atingiu a Venezuela a 24 de junho. É o que indica o mais recente balanço do Ministério dos Negócios Estrangeiros português. Dos portugueses e lusodescendentes que morreram, 118 tinham também a nacionalidade venezuelana. O ministério indicou ainda que já não há cidadãos nacionais desaparecidos. O Benfica vai jogar à porta fechada no arranque do campeonato, mas vai contar com o apoio dos adeptos numa fan zone. As Águias arranjaram uma solução, vão colocar ecrãs gigantes junto ao Estádio da Luz para compensar esse jogo do campeonato à porta fechada. Os jogadores vão também entrar junto à estátua de Eusébio, podendo assim contactar com os adeptos antes de entrar no Estádio da Luz, na estreia do Benfica no campeonato. A fechar, a investigação ao espião português que vendia segredos à Rússia está no centro do novo podcast Plus do Observador. O segundo episódio já está disponível a partir de hoje.
Já, e eu já ouvi. Revela toda a vida dupla do espião do SIS, que a investigação judicial acabou por descobrir.
E que revelou um processo bastante complexo.
Tínhamos que explorar todas as hipóteses. Uma investigação quando é aberta não pode ser: "vamos apostar". Nós temos que pôr tudo em aberto e daí, se calhar, temos que ir mesmo ao fundo da questão em matéria de conhecer aquela pessoa, quais são os seus hábitos, com quem é que se relaciona. Todos os aspectos podem ser importantes num caso como este. Portanto, nós tivemos que lançar mão todos os meios especiais de obtenção de prova, as interceções telefónicas, as vigilâncias, a informação bancária, enfim, toda essa panóplia de dados que depois têm que ser trabalhados, analisados, cruzados para se chegar a alguma coisa.
A investigação encontra uma dificuldade acrescida. Como membro do SIS nas reuniões da Unidade de Coordenação Antiterrorismo da PJ, Carvalhão Gil conhece muitos dos inspetores que o estão a investigar.
É isso, porque neste país toda a gente se conhece.
A narração desta vez está a cargo do ator Ivo Canelas, a música original é de Bruno Pernadas e a investigação do jornalista Pedro Rei.
E todas as semanas há um novo episódio, mas os assinantes Standard e Premium do Observador têm disponíveis já todos os seis episódios desta nova série do Podcast Plus.
Melhor que Netflix. Dá para fazer binge listening.
Sim, dá para ouvir tudo de uma vez. Ou então quem não é assinante, ouve um por semana, eles vão saindo ali segunda-feira à noite, depois da hora de jantar, já fica disponível o novo episódio. Miguel Vitorino Dias vai regressar às 17h30.