Cinco internados, quatro nos cuidados, intensivos depois da meia-maratona do Porto. Organização afirma ter sido "exemplar"

🗓️ 2026-09-17 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

Jorge Teixeira garantiu esta quinta-feira que a Run Porto foi “exemplar” nas condições de segurança e saúde pública na meia-maratona do Porto, realizada no domingo, que teve várias pessoas a colapsar devido ao calor, cinco das quais continuam internadas. Cinco atletas continuam internados, quatro deles nos cuidados intensivos. Na passada quarta-feira, o Jornal de Notícias avançou que 10 corredores foram encaminhados para as urgências.

“Os cinco atletas internados estão desentubados, a respirar por si, o que significa que está a correr bem. Há apenas um caso um bocado mais complicado, mas com expectativa positiva”, disse o fundador e um dos responsáveis pela Run Porto, que organizou a corrida.

Com a prova disputada sob temperaturas a rondar os 30 graus, foram muitas as situações em que as equipas médicas tiveram de atuar, durante o percurso e após a meta, com o responsável a garantir que só uma “organização de excelência” conseguiu mitigar maiores problemas, “que poderiam ter resultado até em mortes, como já aconteceu em várias provas em Portugal”.

Garante que a equipa da Run Porto tem “acompanhado permanentemente a situação dos internados” e que, de forma oficiosa, tem indicações de que os dois elementos internados no Hospital São João “poderão eventualmente passar já o fim de semana em casa”. Fonte da unidade hospitalar disse à Lusa que os dois participantes “continuam no serviço de medicina intensiva, onde se encontram a evoluir favoravelmente”.

No caso dos três internados no Hospital Santo António, revelou que o paciente venezuelano “já enviou email a agradecer todo o apoio, sinal de que está consciente e quase bem”. Quanto ao atleta galego da Corunha, a ajuda fornecida tem chegado inclusivamente à família, à qual a organização tem dado apoio psicológico e logístico “para poderem acompanhar a situação de perto sem terem de se preocupar com mais nada”. “A evolução é favorável, pensamos que vamos ter mais uma vez um final feliz, mas não consigo dizer mais do que isto”, sintetizou.

Do hospital Santo António, revelaram à Lusa que “um dos doentes encontra-se já em enfermaria convencional, enquanto os outros dois doentes permanecem no Serviço de Cuidados Intensivos, sendo que um deles apresenta prognóstico reservado”.

Às dúvidas que se têm levantado quanto às condições da organização, respondeu com números, sobretudo com uma equipa de 76 elementos que inclui médicos, enfermeiros, técnicos de emergência, Cruz Vermelha, bombeiros e outra logística.

Foram 16 médicos escalados, quatro dos quais com trabalho em unidades de cuidados intensivos — “foram decisivos na resposta, pois quem foi para o hospital já foi entubado” — três equipas médicas motorizadas, um posto médico avançado na meta com equipamento “equivalente a uma sala de emergência de um grande hospital e que assistiu mais de 300 pessoas”, havendo ainda “14 ou 15 ambulâncias de apoio“.

Jorge Teixeira diz que “golpes de calor” estiveram na origem dos problemas, não a falta de hidratação, revelando que foram distribuídas 90.000 garrafas de água.

“Uma pessoa pode estar hidratada e recebe um golpe de calor, e o seu corpo deixa de transpirar. Não foi a hora e também não foi o calor, porque 30 graus não é calor extremo. E não podíamos adivinhar, quando no fim de semana anterior até choveu”, ilustra.

A competição contou com 15.000 inscritos, mas houve apenas cerca de 13.000 a levantar o dorsal, sendo que à partida rondavam os 11.000 participantes e foram por volta de 10.000 os que cruzaram a meta, avançou.

Entende, no entanto, que “muita gente não estaria devidamente preparada, pois uma meia-maratona é muito diferente do que correr duas vezes 10 quilómetros, exigindo uma preparação responsável, no treino e alimentação, entre outros, nos dias que antecedem a prova”.

Para 2027, vão ser tomadas medidas para melhor controlar situações análogas, com a partida a ser dada às 8h00 ou 8h30 — “ou 18h00, como hipótese extrema” —, o percurso será invertido, com “mais tempo junto ao rio Douro e em Gaia, à sombra”, além de estar a ser estudada a redução do número de inscritos, para um valor que não se quis comprometer.

Sugeriu ainda às pessoas que “não se deixem levar por alarmismos nas redes sociais”, aconselhando-as a informar-se através das “vias oficiais”.