Entre robôs, telescópios e uma caça ao tesouro, a ciência saiu à rua e uniu gerações na Noite Europeia dos Investigadores

🗓️ 2026-09-26 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

“As pessoas têm sempre a última sexta-feira de setembro marcada no calendário”. E a deste ano não foi exceção: no Jardim do Palácio do Marquês de Pombal, não há uma banca sem pelo menos duas pessoas a receber um “mini pitch” ou uma criança a cumprir um desafio em troca de uma lembrança da Noite Europeia dos Investigadores. Todos os anos, milhares de pessoas em todo o país — e em toda a Europa — procuram o convívio com a Ciência. E, pela primeira vez em duas décadas da iniciativa em Portugal, a data foi assinalada no Jardim do Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras.

No ano passado, os eventos tiveram lugar na Marina de Oeiras. Na edição de 2026, o recorde de visitantes foi batido logo na primeira hora desde que foram abertas as portas. “Neste momento já passaram por aqui mais de 2.500 pessoas”, contava ao Observador Susana Ferreira, membro da direção da Ciência Viva. Ao fim do dia, eram 4 mil visitantes.

Mesmo que existam mais de 40 expositores no recinto, o que chama a atenção é o palco. “Valem a pena os prémios. Vão chamar os vossos amigos e voltem para jogar”, ouve-se. O evento começou com um quiz com perguntas científicas, direcionado tanto para miúdos como para adultos, que viria a ser o tema das várias atividades da noite. A noite é dos investigadores, mas a comunidade é o público-alvo. “Somos todos voluntários. Queremos mostrar às pessoas o que andamos a fazer e estimular um entusiasmo pela ciência”, partilhou Henrique, um estudante da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique, enquanto mostrava ao Observador o seu projeto.

Em cima da mesa está “apenas” um braço robótico. Ao fundo da tenda, um televisor transmite o funcionamento do dispositivo — um plano B, já que a câmara avariou no dia do evento, mas que mesmo assim a tornou uma das bancas a atrair o maior número de pessoas. Como explica o criador do engenho, a câmara habitualmente funcional capta o movimento do sujeito que se coloca diante dela e o braço robótico mimetiza os gestos. “Fiz um tutorial, que está disponível online gratuitamente, para qualquer pessoa que queira experimentar fazer um igual”, afirma o jovem. Afinal, o objetivo — além de ser um projeto académico — é também chamar mais pessoas para a robótica.

Seja qual for o instituto que representam, todos os investigadores, sejam eles juniores ou seniores, têm esta mesma intenção. “A comunidade científica em Portugal é muito generosa. Na Ciência Viva temos essa experiência nas atividades em parceria com instituições científicas e escolas. E em 30 anos, nunca nenhum investigador ou investigadora nos disse não para comunicar ciência. Eles têm essa ansiedade e vontade de mostrar o que fazem”, partilha uma das diretoras da agência nacional de divulgação científica. E o interesse existe. De um lado para o outro do recinto, filhos arrastam os pais para ver as diferentes atividades em que podem participar.

Não interessa se é um simples desenho, um labirinto, uma sopa de letras ou uma experiência em realidade virtual, cada banca tem a sua forma de captar o público: tanto os filhos, como os pais. Mas para além desta vertente claramente pedagógica, acaba por ser também uma oportunidade dos investigadores exporem o seu trabalho e atraírem diferentes financiamentos para outros projetos.

Em Oeiras, o evento organizado pelo consórcio BRIDGES for Science, liderado pelo ITQB, pelo I3S e pela Ciência Viva não é único em Portugal. Em mais de 20 pontos do país, celebram-se e divulgam-se diferentes iniciativas científicas portuguesas, apoiadas pela União Europeia — onde o número de eventos ultrapassa as centenas.