'A essência dele está preservada. O corpo, não', explica Mila Seidl, esposa de Lito Sousa | G1

🗓️ 2026-08-31 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Conhecido pelo trabalho no canal "Aviões e Músicas" e por participações em programas como o "Fantástico", Lito compartilhou a notícia em um vídeo gravado ao lado da esposa, Mila Seidl.

O diagnóstico ocorreu meses após o especialista iniciar o tratamento contra um câncer de próstata.

Durante o processo, Lito começou a apresentar sintomas neurológicos como perda de força e de movimento no braço esquerdo, dificuldade para caminhar, alterações na visão e fala enrolada.

"A essência, alma, inteligência dele está 100% preservada. O corpo físico, não, já foi muito afetado. Em questões de semana ele perdeu movimentos importantes, não anda sozinho", explica Mila.

Lito Souza e Mila Mila Seidl — Foto: Reprodução/TV Globo

O que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob

A DCJ é provocada por uma alteração na estrutura da proteína príon, presente naturalmente no cérebro humano.

Por razões ainda incertas na maioria dos casos, a proteína muda de formato e passa a funcionar como um molde, fazendo com que outras proteínas saudáveis também assumam a forma defeituosa em um efeito dominó.

"Todos nós temos essa proteína e ela está ali funcionando, inclusive com uma importância neuroprotetora", explica Tuane Vieira, professora do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ.

Quando a proteína se altera, os agregados danificam os neurônios e causam uma degeneração rápida do cérebro.

De acordo com o neurologista Adalberto Studart, do Hospital das Clínicas da FMUSP e da Academia Brasileira de Neurologia, a sobrevida média após os primeiros sintomas é de seis meses, raramente ultrapassando oito meses.

"Infelizmente não existe um tratamento curativo nem que aumente a sobrevida. O tratamento atual é de suporte para atenuar sintomas e dar qualidade de vida ao paciente", afirma Studart.

Causas e dados no Brasil

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 547 casos confirmados de DCJ entre 2005 e 2021. A forma mais frequente é a espontânea, que responde por 80% a 85% dos casos e ocorre sem um fator externo ou genético identificável — tipo que acometeu Lito Sousa.

Cerca de 15% dos casos têm origem hereditária. As formas adquiridas são ainda mais raras e incluem a contaminação por procedimentos médicos ou a transmissão por consumo de carne infectada por encefalopatia espongiforme bovina, o "mal da vaca louca". O Brasil nunca registrou casos de transmissão da doença por consumo de carne bovina.

Atualmente, o teste diagnóstico de alta precisão (RT-QuIC) é realizado de forma acadêmica no laboratório da UFRJ, mas ainda não integra o fluxo regular de exames do Sistema Único de Saúde (SUS).

Busca por remédio experimental

Sem opções de tratamento convencional, a família de Lito tenta obter acesso ao uso compassivo de medicamentos em fase de testes nos Estados Unidos. A medida permite que pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas utilizem substâncias experimentais fora de ensaios clínicos formais.

A esposa do influenciador tentou incluí-lo em pesquisas internacionais em andamento nos EUA e na China, mas os critérios rigorosos dos protocolos impediram a entrada após o início dos testes.

"Não sou negacionista e sei que é uma doença grave. Mas ouvimos de médicos que, se conseguirmos acesso aos remédios do estudo, talvez seja possível pausar o avanço da doença. Por isso solicitamos apoio de órgãos como o Ministério da Saúde, Anvisa e Itamaraty", explicou Mila.

As pesquisas de novos medicamentos contam com o empenho de cientistas como Sonia Vallabh e Eric Minikel, do Broad Institute (parceria entre MIT e Harvard). O casal mudou de carreira para se dedicar à ciência após Sonia descobrir que herdou a mutação genética da DCJ de sua mãe, buscando desenvolver terapias que possam bloquear a evolução da proteína príon.

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