A fortuna de Bruno Fernandes dentro e fora de campo

🗓️ 2026-07-27 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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E terminou ontem a Volta à França, como é habitual, em Paris, com a última etapa a decorrer nos locais emblemáticos.

Com um flute, não? Costumam levar um flute de champagne.

No final. Eu, por acaso, depois não vi.

Também não vi.

Nos últimos quilômetros não dava mesmo. Não sei se no início da etapa aconteceu, mas nos últimos quilômetros não dava mesmo, porque foi uma etapa muito disputada. Este ano teve uma novidade em relação a outras etapas finais da Volta à França: contemplou a subida por três ou quatro vezes a Montmartre, repetindo aquilo que tinha acontecido nos Jogos Olímpicos de Paris. Em 2024, a última etapa da Volta à França não acabou, pela primeira vez em muitos anos. A Volta à França não acabou em Paris, por causa da realização dos Jogos Olímpicos. Foi em Nice nesse ano. E a prova de ciclismo de estrada dos Jogos Olímpicos foi em Paris e foi muito emocionante também, porque teve várias subidas a Montmartre. E ontem, a Volta à França terminou com uma etapa que, ao contrário do que acontecia anteriormente, não favoreceu os sprinters. Ou seja, os sprinters com aquelas subidas repetidas a Montmartre ficam com menos hipóteses de ganhar e por isso vimos ontem dois ciclistas a tentar disputar até à última vitória nessa etapa, e que não são propriamente dois sprinters. Mathieu van der Poel e o camisola amarela Tadej Pogačar, que queria conseguir um feito que até agora só pertence a um único homem, Bernard Hinault, que foi o único a ganhar a última etapa em Paris com a camisola amarela vestida. E Tadej Pogačar tentava ontem repetir esse feito, que só Bernard Hinault conseguiu fazer por duas vezes, ganhando a última etapa, chegar a Paris e ganhar com a camisola amarela. Aconteceu uma única vez uma mudança de liderança de camisola amarela na Volta à França na última etapa, mas também foi a única vez em que a etapa, em vez de ser uma etapa em linha, foi um contrarrelógio e foi em 1989. O norte-americano Greg LeMond acabou por ultrapassar. Não era o camisola amarela, à partida para essa última etapa, acabou por ultrapassar o francês Laurent Fignon, que assim perdeu a oportunidade de ser o último francês até agora a vencer esta prova. Continua a ser Bernard Hinault, em 1985, o último francês a ganhar. Desta vez também não seria. Mathieu van der Poel acabou por ganhar a etapa, conseguiu resistir mesmo até à última, porque apesar de não ser uma etapa para sprinters, acabou por aparecer ali um grupo ainda muito significativo de ciclistas a tentar vencer a etapa, mas van der Poel resistiu. Tadej Pogačar nos últimos metros acabou por desistir da luta pela vitória.

Pela etapa.

Pela etapa. E van der Poel aguentou ali mesmo até à última, mais uns 200 metros, 100 metros, e acabaria por ser ultrapassado. Mas foi o grande vencedor e Pogačar vai ter que guardar para o próximo ano essa tentativa de vencer a última etapa com a camisola amarela vestida. Pogačar, que entrou aqui no panteão de ciclistas com cinco vitórias. Miguel Indurain continua a ser o único com cinco vitórias consecutivas, mas Tadej Pogačar entra aqui para uma lista muito reduzida. São apenas cinco os ciclistas que ganharam por cinco vezes a Volta à França: Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain, esse o único a vencer por cinco vezes.

E o Lance. O Lance perdeu.

O Lance Armstrong. Ele tinha sete.

Tinha sete.

Tinha.

Mas perdeu-as oficialmente, é isso?

Sim, foram retiradas.

Foram todas retiradas.

E não há vencedor para esses anos. A vitória não foi atribuída a mais ninguém.

Isso é porque os outros também estavam todos com doping.

Muito provavelmente. Eu acho que foi por isso que eles não quiseram atribuir a mais ninguém. "Já não vamos atribuir, porque ainda vamos ter de retirar depois". Tadej Pogačar, destes cinco, é o mais novo a conseguir as cinco vitórias no Tour, portanto ainda vai a tempo de ficar no topo com o número máximo de vitórias na Volta à França.

Mas há também aqui um português em destaque.

Há um português em destaque, também consegue um feito extraordinário. Talvez, claro, não tão celebrado quanto o de Tadej Pogačar, mas Nelson Oliveira é o primeiro ciclista da história a chegar ao fim de 24 grandes voltas consecutivas.

Nunca desiste, é fiável.

Ele está sempre lá. Deixa-me confirmar aqui desta vez na Volta à França.

Os ciclistas também têm aquela posição de aguadeiro. Levam as barras de cereais e as águas aos amigos.

E ajudam a equipe, estão lá, são fiáveis. Não são os chefes de fila das equipes, mas estão lá para garantir o total apoio ao líder da equipe. Nelson Oliveira acabou em 65º esta edição do Tour, a quatro horas, 17 minutos e 56 segundos de Tadej Pogačar. Ainda é uma grande diferença, mas também houve uma grande diferença mesmo daqueles que ficaram nos 10 primeiros. Acho que o décimo ficou já a mais de meia hora de Tadej Pogačar. Nelson Oliveira começou esta série de 24 grandes voltas em 2011, com uma Volta à Espanha, e de então para cá iniciou mais nove Voltas à Espanha, quatro Voltas à Itália e 10 Voltas à França e nunca desistiu. É verdadeiramente inacreditável. Ele até agora tinha a companhia de um polaco De um ciclista polaco que também tinha estas 23 voltas consecutivas, mas agora é mesmo o primeiro a conseguir 24 voltas consecutivas. O polaco Sylwester Szmyd, que tinha igualado Nelson Oliveira no Giro deste ano, agora está com 501 etapas concluídas de forma consecutiva, distribuídas por essas 10 voltas à França, 10 voltas à Espanha e quatro voltas à Itália. Encontrei aqui no jornal "Record" umas comparações com as distâncias. A distância que Nelson Oliveira percorreu.

Chegava à Lua, não.

Não chegava à Lua, completava 19% do trajeto até à Lua. Já fez 19%, está quase a chegar aos 20. A viagem entre Lisboa e Porto, os 315 km, Nelson Oliveira, nestas grandes voltas, já fez esse percurso 231 vezes. Dar uma volta ao mundo também pela linha do Equador, são 40 mil km. Nelson Oliveira está quase a completar a segunda. Não é um homem para ganhar uma grande competição. Eu creio que ele só ganhou uma etapa em todas estas provas, uma vez na Volta à Espanha, creio que em 2015. Mas, como se vê, é bastante fiável o tipo de ciclista que qualquer diretor desportivo gosta de ter na sua equipa para ajudar.

Olha, e para fechar, Bruno Fernandes está podre de rico.

Está podre de rico. Eu estava a olhar aqui para os números, eu não fazia ideia, mas foi revelado, o jornal "Sun", jornal britânico, teve acesso às contas dos proprietários do Manchester United. E estamos aqui a falar de, num ano, 11,1 milhões de euros que Bruno Fernandes conseguiu em rendimentos.

Muito por causa da publicidade e direitos de imagem.

Também com os direitos de imagem. Aliás, isto é só de direitos de imagem.

Sim, fora ordenados.

Os ordenados foram 14,6 milhões de euros, já com os descontos feitos, portanto, 25 milhões de euros numa só época. Nós, claro, quando falamos de direitos de imagem, pensamos sempre no Cristiano Ronaldo, aqueles jogadores que têm muitos contratos, mas a verdade é que Bruno Fernandes também.

É uma grande figura no Manchester United.

No Manchester, da Premier League, acaba por ser quase o rosto da Premier League e isso tem valido contratos muito valiosos com várias marcas, com a EA Sports, por exemplo. E estamos a falar de ganhos semanais, por exemplo, no Manchester United de 351 mil euros. Isto de acordo com o novo contrato que ele firmou.

Dá para comprar um T0 em Almada.

Em Almada, sem água.

Com reservatório, dá para comprar um.

Com água.

Mas são números impressionantes numa figura que parece para nós não tão mediática por comparação a Cristiano Ronaldo.

Sim, a nossa bitola é sempre o Cristiano para estas coisas.

Mas quando vemos as imagens mesmo do estádio do Manchester United, nós percebemos que a cara do Bruno Fernandes está em todo lado, nas lojas, nos vidros.

E isso acaba por ser surpreendente, dado até o trajeto de Bruno Fernandes, que não era aquele jogador que nós imaginávamos como o rosto de competições como a Premier League ou mesmo como o clube. E na verdade, ao longo destes anos, ele afirmou-se como um símbolo, não só de Manchester United, como do próprio campeonato inglês.

Está feito o Três Toques com o Bruno Viera Amaral. Regressa amanhã à mesma hora.