A história por trás do uísque Macallan, servido a autoridades brasileiras em Londres
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O Macallan é considerado o uísque mais valorizado do mundo em leilões — uma de suas garrafas foi arrematada por 2,7 milhões de dólares, recorde da categoria. Essa reputação de exclusividade se reflete nos preços: no mercado brasileiro, uma garrafa custa entre 800 reais e mais de 100 mil reais, a depender do tempo de envelhecimento, que pode chegar a 72 anos.
A fama internacional da destilaria escocesa, fundada comercialmente em 1824, apoia-se em uma política deliberada de “escassez controlada” e no rigor extremo na escolha dos insumos. Especializada em single malts, a marca mantém cerca de 400 mil barris em maturação. A cevada usada é cultivada exclusivamente no Reino Unido e custa dez vezes mais que o milho empregado em blends convencionais. O envelhecimento ocorre em barris de carvalho europeu e americano com mais de cem anos, reaproveitados no máximo duas vezes — prática que preserva as nuances sensoriais da bebida e evita taninos agressivos.
Esse foco em qualidade, em vez de volume, é viabilizado pela estrutura societária da destilaria: ela pertence à Robertson Trust, fundação filantrópica que controla a holding e destina os lucros a causas sociais, o que elimina a pressão de acionistas por resultados financeiros de curto prazo.
Foi esse uísque que autoridades brasileiras degustaram em 25 de abril de 2024, no George Club, em Londres — entre elas os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues. O evento, com duas horas de duração, custou 640 mil dólares (3,2 milhões de reais na cotação da época) e foi pago por Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, instituição hoje sob investigação por fraude financeira.
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A proximidade das autoridades com o anfitrião provocou forte repercussão ética no Brasil. Em fevereiro de 2026, relatórios da Polícia Federal baseados em dados do celular de Vorcaro — que foi preso, e teve o banco liquidado — motivaram o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do inquérito sobre o Banco Master no STF. Alexandre de Moraes argumentou que a participação em encontros sociais não compromete a atuação dos magistrados na Corte, mas o episódio ampliou o debate sobre os limites éticos para o recebimento de cortesias de alto valor por agentes públicos.
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