“A Leste do Paraíso” é uma das séries do ano? — Sugestões

🗓️ 2026-10-12 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Ora muito bem, aqui estamos com os presentes do costume, sugestões para os próximos dias. Vamos começar de uma forma pouco habitual, ou seja, vamos começar com o Bruno Vieira Amaral. Olha, rimei, viste?

É, pareces um poeta.

Viste? Extraordinário.

Quem rima sem querer é amado sem saber.

Muito bom.

Já diz o povo.

Esse grande sábio.

Uma frase anos 90.

E deve ser mais antigo.

Por acaso era usada, era bastante usada.

Schumacher 94. Anos 90 ainda?

90, é por isso.

Mais 90 que isto.

Mais 90 do que isto não há. O que é interessante? Há um outro documentário.

O que é interessante nisto?

O que é interessante? É preciso algum esforço. O que é interessante é que o Schumacher é, de facto, uma das lendas da Fórmula 1, um dos melhores pilotos.

Eu ia dizer: "Eu era fã do Schumacher."

Eu também.

Eu não. Estava a ver as imagens.

Este documentário, eu não sei o que é que o Bruno vai dizer.

Espera, então não digas. Deixa-me dizer primeiro e depois já fala. Há um outro documentário que é sobre o Schumacher, também está na Netflix. É bonzinho.

Acho que vi esse, já tem uns anos.

Há aqui um problema: este é sobre o Schumacher em 94 e a época de 94 é marcada pela morte do Ayrton Senna. E este documentário só tem interesse até à morte do Ayrton Senna. O que para um documentário sobre o Schumacher-

E mais ou menos em que parte do documentário é que morre o Ayrton Senna?

Eu acho que é no final do primeiro terço, por aí. Imagina, depois tens mais dois terços de documentário. É ok, houve ali uns incidentes ainda, um muito famoso com o carro do JJ Lehto, que é quando se incendeia nas boxes. Eu já não me lembrava que era em 94 também.

É o Jos Verstappen.

É o Verstappen, não é o JJ Lehto?

Não, é o Verstappen.

É o Verstappen. Então pronto, é o Verstappen. O pai.

Esse Verstappen é o pai do Max.

Pai do Max Verstappen. O Max que quando apareceu era o filho do Jos Verstappen.

Agora olha.

Mas tem esse interesse quanto a mim, até àquele momento da morte do Senna, e a partir daí aquilo não tem rigorosamente interesse nenhum. O Schumacher sempre me pareceu um bocado nazi. Eu estou aqui a usar nazi num sentido muito aberto.

Ok, nazi das sopas.

Não é nazi, nazi. Podia ser uma ótima pessoa, mas tinha aquele ar alemão.

Aquela austeridade.

É, de meter nojo. Não é austeridade, é de meter nojo.

Eu gostava do Schumacher.

Eu não gostava nada do Senna.

Ele era bom de volante.

E era bom, claro que era, mas isso não conta nada para estas coisas.

Claro, isto é emoção.

Claro, a apreciação que tu fazes de atletas, de desportistas, às vezes até mesmo atores, não tem nada a ver com as qualidades deles, tem a ver com cenas epidérmicas. Aquilo irrita-te ou não te irrita. E o Schumacher era extraordinariamente irritante. Aliás, muitas das coisas que estão no documentário provam isso mesmo. Era um tipo muito irritante, para dizer o mínimo. Mas pronto. A mulher do Schumacher é entrevistada abundantemente neste documentário. Eu acho que, de facto, peca por estar centrado numa época que tem muito interesse até à morte do Senna e muito menos interesse depois da morte do Senna.

Como é que está o Schumacher? Está na mesma?

Está como há de ir, como se costuma dizer.

Pois.

Enfim.

O Pedro até se engasgou ao ouvir falar do Schumacher. Olha uma coisa.

Sim.

Há aqui outro tema que tu queres abordar, e ainda bem, porque há mais pessoas a querer falar sobre isto, que é a série "A Leste do Paraíso", na Netflix.

"A Leste do Paraíso", que agora é mais uma guerra cultural.

Já está?

Então não está, meu amigo.

Eu não apanhei essa.

Não apanhaste isso? Eu vou explicar.

Eu tenho tanta coisa para fazer.

Eu de repente comecei: "Isto é a melhor coisa que a Netflix tem desde há não sei quanto tempo". De repente estava em todo lado e eu fui ver. E estou a gostar muito, ainda não vi a série até ao fim. Acho que a Netflix de vez em quando consegue esquivar-se ao padrão Netflix, o que é muito bom.

Aqui está claramente elevado.

Está muito elevado. Portanto, para aquelas pessoas que dizem: "A Netflix é aquela coisa, as boas séries, as mais radicais e as mais arrojadas estão na Prime ou na Apple." Não. Aqui é verdade que é a adaptação de um clássico da literatura, mas é nova. A adaptação é fresca. Traz aqui alguns elementos que até não estão no livro, que também têm levantado alguma polémica.

E é engraçado que ela é filha ou neta do Kazan.

É neta do Elia Kazan.

Zoë Kazan.

Zoë Kazan, que escolheu aqui, e esta é que é a grande questão, escolheu para a personagem.

Vais arranjar confusão.

Eu nunca li o livro, "A Leste do Paraíso", do Steinbeck. Mas o filme de 1955, do Elia Kazan.

É só a parte final.

É só a parte final. Portanto, aquelas personagens aparecem no último terço da história do James Dean. E aparece também a mãe da personagem do James Dean, que é a Florence Pugh nesta adaptação. Mas nós vemos muito pouco dela no filme de 1955. E aqui vemos muito mais. E vemos muito mais até do que está no livro, porque é contada aqui a backstory, a história da origem, de onde é que vem esta personagem, o que é que lhe aconteceu No livro, que eu não li, repito, a personagem é monstruosa, é uma psicopata, sociopata que mata toda a gente.

Ela aqui também não é muito simpática.

Mas logo no início, no primeiro episódio, dá-te uma explicação de qual poderá ser a causa de ela ser assim, que não é dada no livro. Isto é que tem gerado muita polêmica. Essa explicação, essa história, que se percebe que é do abuso sexual de que ela terá sido vítima quando era criança, deveria ser incluída aqui ou não? Estar a enquadrar.

Mas é uma adaptação, ela faz o que quer.

Obviamente, e eu acho que funciona. Só que eu estou a falar da discussão que existe à volta disto. Tu sabes que agora tudo é transformado numa guerra cultural. Por último, em relação à série, a Florence Pugh é de facto magnífica.

É verdade.

Mas ela é quase sempre magnífica. Ainda mais magnífica.

Ela sobe o degrau que faltava.

É. Há um filme que é "O Prodígio", acho que é "O Prodígio". Também deve estar na Netflix, que eu tinha visto aqui há uns anos, em que ela é extraordinária. Ela, regra geral, é extraordinária e aqui acho que está um bocadinho ainda mais extraordinária do que é costume.

Maria Ramos Silva, já lá vamos para ele.

Posso falar do "East of Eden" também?

Podes. Pronto. Vai, força.

O gajo não pode dizer nada. Mas em primeiro lugar, deixa-me moderar isto. Ias falar do Schumacher.

É um documentário irreal, porque o Schumacher é o primeiro homem que ganha, e ele ganha o grande prêmio em que o Senna morre. E festeja. E eles no documentário dizem que ele não festeja.

Pois é.

Há fotos dele.

Isto é devido a uma guerra cultural.

Não.

Eu, por acaso, eu tinha a ideia, depois não fui confirmar.

Há uma foto dele todo contente no pódio.

Esse fim de semana. Mas eles no documentário dizem que a festa do pódio foi cancelada.

Não foi. E depois, o Schumacher não foi ao enterro do Senna.

E isso eles dão a justificação. Eu lembro-me disso, dele não ter ido.

Não mostram imagens do enterro, poderiam ter mostrado, quanto a mim. E o Schumacher, para ganhar o título, atira para fora da pista o Damon Hill.

E isso vê-se. E não é falado é como se tivesse sido um acidente. Não, porque ele só precisava, se os dois saíssem da pista.

Isto foi um trauma.

Não.

O Schumacher era um piloto magnífico e teve uma carreira magnífica, mas vendo este documentário, é irreal.

Uma pessoa tão virtuosa.

Eu detestava o Schumacher, depois nos últimos anos: "Não, mas afinal."

Era bom.

Mas voltei ao meu...

Não, porque é verdade, porque toda a gente aquela altura percebe. Se os dois não acabarem a prova, aquela corrida, o Schumacher é campeão do mundo. E curiosamente, há um acidente em que leva à desistência.

Mas é o Schumacher que faz de propósito.

Claro. Mas no documentário é apresentado como um acidente. Não, claramente ele quis mandar o outro para fora do caminho.

Esta série, "East of Eden", com a Florence Pugh. Eu estive a ver na internet como é que se diz.

Como é que se diz?

É Pugh.

É como Hugh, mas com P. É absolutamente extraordinário, até como figura feminina, que apela ao homem heterossexual. Não sei se se pode falar assim.

Homossexualidade. Mas essa é a questão do corpo.

Ela dá-se à morte.

Sim. Em muitos filmes, parece-me daquelas atrizes dos anos 80. Poderia haver noutro filme uma exploração, mas parece-me nesse aspecto, quando a personagem exige, as atrizes não se importavam de ir tão longe, como nós vimos, por exemplo, no "Game of Thrones". Se a personagem exige, então bora. E a Florence Pugh parece estar sempre disposta a ir.

Mas parece o Messi, a Florence Pugh é o Messi, num jogo de amigos aqui do Observador contra o Correio da Manhã, porque os outros são tão maus atores. É daquelas séries que podem passar para a frente.

A personagem dela também é muito forte.

Eu percebo o que dizes.

Podes mesmo passar para a frente.

Tu estás a ver aquilo e sempre que estás numa cena em que ela não entra, tu estás ali só para estar à espera da próxima cena em que ela entra.

Podem passar à frente, eu já vi a série toda.

Eu não sei se será tanto dos atores ou da forma como as personagens estão desenhadas.

O tipo que faz de pai dos dois filhos, o James Dean é um dos filhos no filme.

O Christopher Abbott.

Sim. E mesmo o empregado chinês. Tu estás a ver aquilo, estás a ver o Banshee, estás a ver Your Friends and Neighbors.

Sim, não é nada que nunca tenhas visto.

A enquadrização, eles não envelhecem. Estão sempre iguais.

Vejam Florence Pugh, os episódios, sobretudo o segundo, acho que é ótimo.

É muito bom.

E as outras podem passar à frente.

Maria. Fomos à box.

Para voltar a isto, que foi uma certa guerra cultural nos anos 50 quando sai o livro. E eu acho que isso também terá um pouco a ver. Acho que essa versão mais encurtada, se quisermos, do filme, provavelmente também tem a ver com essa guerra cultural na altura.

Acusações de misoginia.

Sim, e também havia muita gente que achava impossível uma mulher ser tão sociopata. Também aquela velha questão: como é que era possível uma mulher tão humana?

As pessoas não sabiam de nada.

Não, e depois havia acusações de que o Steinbeck teria escrito aquela personagem como vingança em relação à ex-mulher, porque lhe tinha ficado com os filhos. À roupa suja?

Meu Deus.

No fundo, as guerras.

Tudo que está na origem da grande arte.

A questão é: tu já acabaste a série, estás a gostar?

Já acabei.

E gostaste, recomendas?

Gostei, também subscrevo. Acho que quase tudo perfeito.

Não passaste à frente?

Não, não passei à frente.

Vai estar entre as melhores do ano, pelo menos daquilo que tu viste?

Não sei. Eu concordo com a análise do Bruno.

Ela vai ganhar prêmios para o ano, certeza.

Admito que sim. Acho que é um bom momento Netflix, porque de fato tem essa virtude também, ainda por cima, de ressuscitar um clássico, eu acho que vale sempre a pena.

Se calhar já há algum tempo que a Netflix não tinha um sucesso relativamente unânime. Sim.

Sim, mas aqui, de fato, é maior. Apesar de tudo, são seis ou sete.

Vai ser sucesso, buzz, toda mundo vai falar.

Quer dizer, é a velha história: está em número um na Netflix. Ninguém sabe muito bem o que isso quer dizer.

Tem demasiados episódios. Eu ouvi, mas depois há a questão do algoritmo. Eu comecei a ver muitas coisas relacionadas com a série, com essas discussões à volta da série. Quando apareceu, passou relativamente ao lado. Maria, avança.

Sugestões. Também tem a ver com coisas hediondas. Primeiro, um livro, "Breves Entrevistas com Homens Hediondos", do David Foster Wallace, que é uma pessoa que morreu cedo demais.

É verdade.

E que nos deixou algumas coisas. Seria um autor de jornalistas, diria o Pedro, de certa forma. Mas sendo eu jornalista, de vez em quando também tenho que trazer sugestões de jornalistas.

Mas tu podes.

Eu posso.

É jornalista, tens carteira.

Eu tenho carteira, eu posso fazer essas coisas. Mas enfim, é uma coletânea de 23 contos ou short stories. Isto foi publicado originalmente em 99, portanto, depois da "Piada Infinita", que eu acho que continua a ser a obra mais conhecida do Foster Wallace.

Que o Bruno continua a ler e ainda não acabou.

São tantos retalhos, tão misóginos tantas vezes, que aquilo é tão mau que dá náusea, que acaba por ser bom.

Espera aí. É mau de maldade, não mau de ser mal escrito.

É um exercício de masoquismo para mim, enquanto mulher. Mas de fato são confissões, reflexões, interações.

Mas tu ficas com essa sensação ao ler.

Não é com a sensação, a premissa é mesmo essa.

Ela quase que bate: "Não é com a sensação, miúdo."

São histórias, são fragmentos de homens que não são propriamente virtuosos nos seus comportamentos.

Não, eu estava falando em relação ao-

É muito bem escrito, no registro dele.

Estava falando em relação ao autor.

Ah, não!

Mas essa acusação também recaiu sobre ele. A acusação de se portar muito mal com as mulheres com quem ele teve relacionamentos.

Sim, depois de ler isto, não temos dúvidas, provavelmente.

Que ele possa ter tido esse tipo de comportamento.

Há esse certo exercício um pouco desafiante para mim, mas recomendo. Eu acho que a "Piada Infinita" e a obra dele continuam a ser dignas de leitura. É ler com esse distanciamento. Eu também leio Celine, e o senhor não era propriamente-

Uma flor que cheire.

Uma flor que cheirasse.

Mas tu também só te dás com essas pessoas, Maria.

Olha, e vou trazer aqui mais pessoas complicadas, Tiago Pereira. Eu vi "O Pai", uma encenação do Gonçalo Woden, aqui em Lisboa, no São Luiz, a partir de um texto do Strindberg, do final do século 19. E na altura eu não recomendei, porque, como sabes, muitas destas peças têm, por regra, campanhas muito curtas e, portanto, entre ver e nós conseguirmos recomendar elas já desapareceram. Felizmente, ela agora está em cena no São João, vai estar até 18 de outubro, salvo erro.

Se ainda houver bilhetes.

Pronto. Mas fica um in memoriam, digamos assim, desta peça.

Exato.

É uma espécie de incisão a frio de um texto também sobre relações de poder entre homens e mulheres. E é absolutamente extraordinário como é que uma coisa continua a ser atual. Bem, o Strindberg também tem essa virtude em muitos textos. As interpretações são tal como sempre, o Gonçalo Woden, tem na Carla Maciel, o João Pedro Vaz, muitos outros estão ali em palco e, portanto, se tiverem a oportunidade, vejam. A sensação com que nós ficamos é que é o monólogo do Woden. Não sendo um monólogo, eu percebo essa imagem, porque há ali uma grande conversa com o próprio, com uma série de fantasmas bem reais que estão à volta dele e, portanto, se puderem, vejam. E se por acaso não puderem, vão ler o texto.

Olha, eu do Strindberg gosto muito do "Tubarão".

Tu tinhas aí mais alguma coisa?

E tenho aqui mais coisas, Tiago. Tenho aqui uma coisa.

Um dia vou vos explicar esta piada.

Ora bem. Olha, trago aqui uma coisa que eu descobri, vai se lá saber, por acaso, também na Netflix, mas que entretanto falei contigo, que isto afinal tem uma série de anos. É uma coisa de 2019, que é o "Criminal UK".

Está bem, mas não interessa.

Mas não interessa.

Vários países.

Sim, pronto, eu descobri que é uma antologia Netflix. Tem aqui um lado mais de detetives, que eles já fizeram séries.

Existe o Criminal não sei o quê.

França, Alemanha, tudo mais. Sim, isto basicamente é uma coisa muito confinada, até meio claustrofóbica. É uma série que se passa episódio a episódio, sempre numa sala de interrogatório, há ali uma unidade especial de interrogatório da Polícia Metropolitana de Londres, com diferentes protagonistas. Eles são sempre os mesmos, mas vai mudando o tipo que é interrogado. Normalmente, são figuras relativamente conhecidas. O primeiro episódio, por exemplo, é com o David Tennant, é absolutamente fabuloso. E vão ver, porque eu acho que é altamente recomendável, apesar de não ser aqui no "Vinho em Folha". Eu descobri por acaso, porque estava a ler qualquer coisa na internet e de repente isto aparece, não sei por quê, o algoritmo também tem destas coisas, e foi uma belíssima descoberta para ver na Netflix. Só para fechar, um senhor também já que andava nos anos 90, continua por cá, graças a Deus, e o conservo há muitos anos, chamado Neil Young, também tem um álbum que saiu há pouco tempo.

É verdade, sim, senhor.

E é sempre uma alegria ouvir.

Concordo contigo.

É o 50º álbum, Tiago Pereira. Imagina, 50º álbum.

50º?

Exatamente.

Podias ser tu Muito bem. Eu tenho coisas rápidas para vos sugerir. Primeiro, um podcast extraordinário que se chama The Birth of Salsa in New York.

Como é que isso chegou ao teu cimo?

Não me lembro como é que fui parar a isto.

Isso é que dava um grande programa. Como é que nós chegamos às coisas?

Eu não me lembro. Foi num scroll qualquer, não sei. O que é que decorre? É o que disse, é a história de como a salsa, estamos a falar de música, dança, etc, chegou a Nova Iorque, conquistou uma série de sítios, se tornou símbolo de uma comunidade.

Se torna la cucuracha, la cucuracha.

Pode ser. Como, por um lado, foi um reflexo político e social e como teve também impacto, foi uma espécie de pescadinha de rabo na boca, teve impacto político e social. As personagens, os bandidos e fora da lei que estavam associados a isto. É uma história extraordinária e é uma história verídica, meus amigos, que eu sei que é a melhor parte. Eu recomendo bastante. São uns seis ou sete episódios.

A realidade supera a ficção.

Gostei muito.

Onde é que está?

Está nas plataformas de podcast, seja no Spotify. Chama-se The Birth of Salsa in New York. Depois, na Apple TV está finalmente disponível, eu julgo que para já pelo menos só em aluguer, um filme concerto que se chama Mitski: The Land. Não sei se vocês conhecem a cantora americana de ascendência japonesa, Mitski. Se não conhecem, deviam conhecer. Acho eu que ela é uma pessoa extraordinária. Apesar de eu não a conhecer, acho que ela deve ser uma pessoa muito interessante.

Combina estas coisas.

Gosto dos discos dela.

Ainda bem que o programa não tem imagem.

Ela em palco faz toda uma dramatização das canções. Recomendo "top", como dizem os antigos lisboetas. Chama-se Mitski: The Land. E depois uma recomendação muito rápida. Na quarta-feira, dia 14, André Santos, o brilhantíssimo guitarrista madeirense, vai estar no Maria Matos com o conjunto coral Sopa da Pedra. É um concerto pouco habitual, mas eu acho que esse lado raro torna-o ainda mais interessante. Fica a sugestão. E agora vamos finalizar com Pedro Mexas Mendes, que já está neste momento à minha frente a folhear um livro sobre plantas.

Sim.

Eu não esperava, mas estou muito contente.

Eu gosto muito de plantas.

Chama-se Mais Plantas, é isso?

Eu já atingi muitos goals, bucket list, aquelas coisas na minha vida.

O que é que te falta?

O ter uma horta.

Interessa-me mais o que é que te falta.

Ter uma árvore de fruto que plantei em pequena e que hoje está sorridente e dá maçãs ou pêssegos, de qualquer. Já tentei inúmeras vezes, nunca consegui.

Ok, não conseguiste. E tentaste com diferentes frutos?

Se tivesses conseguido, sabias se dava maçãs ou pêssegos.

Sim, tentei e fui aprendendo e vou lendo sobre isso. É que é interessante, depois te ponho no app, que é se tiverem as folhas amarelas é porque tem ou excesso de água ou falta de água.

Isso é a traler, você nunca sabe.

Não sei se sabes, provavelmente não sabes, mas as plantas é como os embriões humanos. Quer dizer, há uns que dão e outros que não dão.

Pronto. Uns que vingam e outros que não vingam.

Nós achamos que basta comprar um pezinho de cerejeira que aquilo vem. Não, mas é todos. E este livro chamou-me a atenção, chama-se Mais Plantas, portanto, o sinal mais plantas, que é ótimo para googlar.

Exato.

Fica aqui a ironia. Pela Joana Limão, que eu acho um nome incrível.

É mesmo o nome verdadeiro?

Não sei.

É extraordinário. É o nome cristão.

A Joana está na capa. É uma viagem deliciosa pelos mundos vegetais. Os livros de receitas são uma das vítimas das redes sociais, do Instagram.

Sim.

Pronto. Nunca tinhas pensado nisso, pois não, Tiago?

Não, mas sim. Às vezes nós não pensamos nas coisas mais óbvias, Pedro.

E este livro é muito engenhoso, porque está bem escrito, de uma forma otimista e suave. Nós quase que estamos na cozinha com a Joana. E ela fala das plantas e depois de como conjugar, fazer os principais molhos. Ou é molhos? Nunca sei. Molhos, não é?

É molhos.

Os principais molhos. E é mais do que um livro de receitas, apesar de ter receitas, e permite-nos uma compreensão melhor do que são as plantas, ervas aromáticas, essas coisas todas e os ingredientes principais. O livro não tem aquelas receitas que ficas: "Isto tem que ficar agora a marinar durante 16 dias debaixo da terra". São aquelas coisas mais fáceis de fazer. Há umas coisas assim. Aquela coisa chata.

Não gostas dessas?

Não, e há umas que de repente salta um daqueles ingredientes não sei o quê dos Himalaias e tu dizes: "E agora?"

E tu tudo pelo cano.

Também o novo romance do Hugo Gonçalves, que é um dos, eu diria, melhores escritores portugueses da sua idade, da contemporaneidade, desta idade que é também a nossa, a minha, do Bruno, a vossa.

O Pedro tem uma lá, está a meter tudo no mesmo saco. Estou a brincar.

Sim, pessoas que não estão reformadas.

15 anos. Pessoas que não estão reformadas, mas gostavam.

Sim, o Hugo Gonçalves volta com o Império do Fim, da Companhia das Letras. É um romance que aborda o nosso passado colonial, portanto, as relações de Portugal com países africanos e o aftermath, que é uma temática abordada por todos autores, claro. O Hugo tem uma obra que me parece não ser tão reconhecida e falada como mereceria. O último livro dele, o Revolução, parece ter sido muito mais falado em Espanha, por exemplo. Revolução, o 25 de Abril, muito mais falado em Espanha do que por cá. Aconselho este, o Império do Fim, da Companhia das Letras, fazendo a observação, que é uma crítica. Se eu fosse mais corajoso, era uma crítica veemente, é só uma observação, que é o papel não parece um papel.

O papel do livro.

O Hugo mereceria melhor papel.

Mais gramagem.

Este papel parece um bocado de fotocópia, às vezes. Julgo entender os custos de manufatura dos livros.

Vocês acham que esses detalhes, para quem ainda lê livros em papel, faz diferença e influencia a leitura?

Acho que são mensagens a um lado inconsciente que tu tens, em que associas certas coisas à qualidade e um bom papel tu associas a um livro de qualidade e um mau papel associas a um livro que não é. Portanto, editora do por favor, editora empresa, não editora pessoa, eu aposto que a editora pessoa queria um melhor papel, façam um esforço e deem melhor papel ao Hugo.

Deem ao Hugo o papel que ele merece. Não esperava.

Deixem-me só dizer também que há uma nova adaptação de Carrie, de Stephen King.

Já viste?

Já vi um bocado na Prime.

Eu tenho ouvido falar bem.

É que ele é contemporâneo, portanto, tem telemóveis, os miúdos têm telemóveis hoje.

E tem aquele lado do bullying e não sei o quê.

Que todos fizemos, perdão, todos passamos.

Pedro, tu é que sabes da tua vida. Muito bem.

Uns passaram.

E outros sofreram. Sugestões entregues estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos e não percam nenhuma destas doses. Nós voltamos na quinta-feira. Até lá.