A resposta do Discord à ANPD após suspensão de lives

🗓️ 2026-08-15 📁 technology 📝 ⏱️ 👁️ : -

Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure apoio especializado. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24 horas por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.

O Discord respondeu à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) na noite de sexta-feira (14). A empresa disse atuar para garantir um ambiente seguro na sua plataforma. No documento enviado ao órgão, a companhia também disse que adota medidas constantes de moderação. E busca manter um espaço digital saudável para os seus usuários.

A manifestação ocorre após a ANPD determinar a suspensão das transmissões ao vivo (lives) do aplicativo no Brasil. A medida cautelar foi motivada por preocupações com a segurança e a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual.

Em resposta à ANPD, Discord nega transmissão de suicídio

Na resposta enviada à agência reguladora, o Discord afirmou que trabalha de forma contínua para garantir um ambiente seguro e saudável na plataforma. A empresa declarou que repudia qualquer ato de violência, automutilação ou incitação a crimes.

Sobre o caso da adolescente de 13 anos, a plataforma alegou que análises técnicas preliminares indicam que o ato final não foi transmitido em live. A companhia afirmou ainda que, após ser alertada pela polícia, removeu o canal, suspendeu as contas envolvidas e derrubou a transmissão em 25 minutos.

Pessoa abrindo o aplicativo Discord no celular
No começo, o Discord era voltado para gamers, mas conquistou outras áreas com o tempo – Imagem: Diego Thomazini/Shutterstock

Para explicar a falta de bloqueio prévio das imagens, a empresa argumentou que as chamadas de voz e vídeo usam criptografia. Segundo o aplicativo, essa tecnologia impede a fiscalização direta do conteúdo em tempo real, o que exige a ajuda de denúncias de usuários, sistemas de inteligência artificial (IA) e alertas de autoridades.

No documento, o Discord pediu que a ANPD trate a situação como um caso isolado. A plataforma também destacou que possui ferramentas de verificação de idade e sistemas de controle parental, como a “Central da Família”, para limitar o acesso e as interações de menores de idade.

Apesar das justificativas enviadas pela empresa, o histórico de investigações sobre a rede permanece no radar das autoridades. Relatórios do Ministério da Justiça indicam que o aplicativo esteve envolvido em pelo menos sete operações policiais nos últimos três anos por conta do compartilhamento de conteúdos ilícitos.

Por que a plataforma virou alvo do governo

O avanço das ações contra o Discord ocorre na esteira do aumento de investigações policiais no Brasil com a plataforma envolvida. Relatórios de inteligência indicam que salas privadas do aplicativo vêm sendo usadas para coação de menores de idiade, chantagem com imagens íntimas, incentivo à automutilação e apologia ao extremismo.

Em entrevista ao Olhar Digital, Lisandrea Salvariego Colabuono, chefe do Núcleo de Operações e Articulações Digitais (Noad) da Polícia Civil de São Paulo, aponta que os criminosos costumam aliciar as vítimas em outras redes sociais antes de migrar para o Discord. No aplicativo, a estrutura de canais fechados e o recurso Go Live facilitam a transmissão de abusos em tempo real para grupos restritos.

Outro ponto de atrito envolve a lentidão da empresa em responder a ordens judiciais e pedidos de quebra de sigilo. Investigadores afirmam que a demora no envio de dados cadastrais e na remoção de salas com crimes em andamento prejudica o resgate de vítimas e o avanço dos inquéritos.

Outro lado

Em nota enviada ao Olhar Digital, o Discord disse o seguinte:

O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência e estamos cooperando com as autoridades policiais na investigação deste grave caso. O Discord mantém um diálogo contínuo com as autoridades brasileiras, incluindo o Ministério da Justiça, e tem atuado de forma proativa ao reportar indivíduos às autoridades policiais brasileiras, contribuindo para operações que resultaram em prisões. Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas a desarticular esses grupos, remover conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas. Esperamos dar continuidade ao diálogo com os formuladores de políticas públicas no Brasil para promover uma experiência online mais segura para todos os usuários do Discord e em toda a internet.”

Confira a entrevista com a chefe do Noad e a íntegra do posicionamento da plataforma nesta matéria exclusiva do Olhar Digital.

Reforçando: Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure apoio especializado. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24 horas por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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