Administradora de insolvência acusa direção de desviar responsabilidades

🗓️ 2026-10-16 📁 sports 📝 ⏱️ 👁️ : -

A administradora da insolvência do Boavista, Clarisse Barros, disse hoje não ser "aceitável" que se procure desviar para a gestora judicial uma responsabilidade que pertence a quem exerce funções de Direção" do emblema axadrezado.

A tomada de posição surge em resposta às recentes declarações do presidente do clube, Rui Garrido Pereira, que, em declarações ao jornal O Jogo veio manifestar convicção de que o encerramento do Boavista, previsto para o final de outubro, pode ser revertido, questionando duramente a atuação da responsável judicial.

Numa comunicação enviada ao presidente da direção do clube, Rui Garrido Pereira, e enviada à Lusa, a responsável manifestou "profunda tristeza" e "inequívoco desagrado" face às recentes declarações públicas do dirigente a propósito do processo de insolvência.

Clarisse Barros vinca que não pode ser responsabilizada "pelas opções de gestão, decisões estratégicas ou pela (in)capacidade da direção em assegurar a sustentabilidade financeira do clube".

A responsável lamenta e repudia as palavras que o presidente alegadamente proferiu, nomeadamente a afirmação de que "não se entende a ação da administradora de insolvência".

A administradora recorda que as suas funções decorrem estritamente da lei e das decisões do tribunal e dos credores, apontando que "a responsabilidade pela apresentação de soluções credíveis, pela sua viabilidade e pela obtenção dos meios necessários à concretização dos objetivos anunciados não pode ser confundida com a responsabilidade de quem acompanha e atua no âmbito de um processo de insolvência".

No mesmo documento, Clarisse Barros recorda que, na assembleia de credores realizada a 07 de outubro, o plano de recuperação foi rejeitado pela maioria dos credores, tendo sido decidido que o processo prosseguirá com a liquidação do ativo.

Apesar de o encerramento da insolvente ter ficado protelado para o próximo dia 31 de outubro de 2026 a pedido da própria insolvente, a administradora lamenta que as intervenções públicas da direção tenham omitido este prazo limite, correndo o risco de induzir os associados e a opinião pública em erro.

A responsável esclarece que a divulgação da ata junto de diretores, coordenadores e atletas teve apenas o propósito de acautelar os envolvidos face à possibilidade real de encerramento da atividade.

"A situação do clube é demasiado séria para que a comunicação institucional se transforme num instrumento de transferência de responsabilidades ou de construção de narrativas que não correspondem à realidade dos factos, o que, de todo, não tolero", lê-se na missiva.

Na ocasião da última assembleia de credores, o presidente da direção garantiu, em declarações à Lusa, estar empenhado em negociar com as entidades credoras com vista a apresentar um novo plano viável até ao final do mês.

Rui Garrido Pereira garantiu ainda que o clube se mantém "em atividade, de acordo com o que vem sucedendo desde a reabertura da atividade do clube".

A administradora deixou também duras críticas a um procedimento recente relacionado com a marca do Boavista FC, classificando-o como "no mínimo reprovável" e indicando que o mesmo está a ser devidamente avaliado para apurar se constitui uma tentativa de empobrecimento da massa insolvente.

A associação Panteras Negras denunciou, a 10 de outubro, uma alegada tentativa de apropriação indevida da marca "Boavista Futebol Clube" por parte do presidente do clube, Rui Garrido Pereira, e do presidente-adjunto, Reinaldo Ferreira, através do registo da designação em nome da sociedade privada Boavista Global, Lda.

A claque acusou a direção de colocar em risco o património e os símbolos da instituição.

Num comunicado assinado pelo presidente da associação, Nuno Fonseca, o grupo revelou ter enviado uma exposição urgente à administradora judicial, Clarisse Barros, solicitando a adoção de todas as providências cautelares e a oposição formal com vista a impedir a concessão do registo à Boavista Global, Lda.

A associação solicitou igualmente a junção da denúncia ao processo de insolvência e a imediata participação criminal junto do Ministério Público, com vista à responsabilização criminal e civil dos dirigentes visados.

O clube tinha visto aprovada a sua liquidação em setembro de 2025, depois de apresentar dívidas superiores a 150 milhões de euros, mas o tribunal autorizou posteriormente a continuação da atividade, mediante o cumprimento de condições financeiras.

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Lusa | 18:44 - 07/10/2026