"Adormeceram perante o ataque". Ucrânia lança terceira fase da "Operação Vivaldi" com blindados transformados em robôs explosivos
No total, foram recuperados 51 quilómetros quadrados nesta fase, elevando para 176 quilómetros quadrados o território reconquistado. A operação provocou mais de duas mil baixas inimigas e a captura de mais de 250 prisioneiros de guerra, incluindo oficiais, pilotos de drones e soldados de artilharia
Uma manobra de engano calculada ao milímetro, reservas inimigas queimadas na direção errada e blindados soviéticos transformados em robôs explosivos que destruíram posições fortificadas russas. O comando militar ucraniano revelou alguns dos detalhes da terceira fase da chamada "Operação Vivaldi", a contraofensiva ucraniana a norte de Lyman, no oblast de Donetsk, que está a transformar-se num dos mais significativos sucessos táticos de Kiev nos últimos meses.
Num vídeo partilhado nas redes sociais, o brigadeiro-general Andrii Biletskyi, comandante do 3.º Corpo de Exército da Ucrânia, explicou que a terceira fase da operação resultou na libertação de mais três localidades, Nove, Ridkodub e Katerynivka, bem como no restabelecimento do controlo total sobre Karpivka e Novomykhailivka.
No total, foram recuperados 51 quilómetros quadrados nesta fase, elevando para 176 quilómetros quadrados o território reconquistado desde o início da operação, que tem como objetivo eliminar uma perigosa saliência russa que pretendia cercar uma área fundamental para a defesa ucraniana na região de Donetsk. A ofensiva russa na região de Lyman tinha como objetivo cercar as quatro cidades que compõem o "Cinturão de Fortalezas", Kramatorsk, Slovyansk, Kostyantynivka and Druzhkivka, vinda de norte.
During Operation Vivaldi, Ukraine’s 3rd Army Corps converted Soviet-era BTR-60 armored personnel carriers into a massive unmanned explosive vehicles, using them to breach some of the Russian fortified positions during the offensive. https://t.co/1dKZ6TtE3H pic.twitter.com/9SR9FbrZjx
— Special Kherson Cat 🐈🇺🇦 (@bayraktar_1love) September 28, 2026
Os militares do 3.º Corpo de Exército da Ucrânia criaram uma complexa manobra de distração, conduzindo uma série de ataques numa outra direção. Esta ação, desenhada para baralhar o comando russo, funcionou na perfeição. A liderança militar russa ficou convencida de que o próximo passo do ataque ucraniano iria acontecer no eixo entre Shandryholove e Zelena Dolyna, só que as forças ucranianas tinham a mira apontada a outro setor.
"O inimigo estava convencido de que o nosso ataque principal era em direção a Zelena Dolyna. Isso levou-o a queimar inutilmente as suas reservas em contra-ataques precisamente aí. Os russos adormeceram perante o verdadeiro ataque, focado na tomada de Nove", explicou Biletskyi.
Білецький: «Противник був введений в оману і проспав справжній удар»
Третій армійський корпус звільнив Нове, Рідкодуб і Катеринівку та відновив контроль над Карпівкою і Новомихайлівкою. Втрати противника — 2000 живою силою, понад 250 росіян захоплені в полон. Так закінчився… pic.twitter.com/GSV4LFG3gj
— Третій армійський корпус (@ab3army) September 28, 2026
A tomada de Nove era considerada vital para o objetivo ucraniano. Ao assegurar as elevações estratégicas em redor da aldeia, as forças ucranianas assumiram o controlo de fogo e a iniciativa sobre toda a cabeça de ponte russa a norte de Lyman. A partir daqui, todas as posições russas na área passaram a estar vulneráveis aos ataques ucranianos.
Este avanço ficou marcado por algumas adaptações tecnológicas pouco convencionais. Perante posições defensivas fortificadas, o 3.º Corpo de Exército recorreu a antigos blindados de transporte de tropas soviéticos convertidos em veículos não tripulados armados com pesadas cargas explosivas, transformando-os em robôs kamikaze que abriram brechas nas linhas russas. Posições que os pequenos drones FPV não conseguiam destruir e que estes veículos simplesmente reduziram a escombros.
Mais surpreendente para os analistas militares foi a capacidade ucraniana para projetar estes veículos pesados até às trincheiras inimigas sem serem destruídos pelo habitual enxame de drones de ataque russos. Isto só foi possível porque Kiev conduziu uma campanha de ataques de alcance intermédio contra os sistemas de guerra eletrónica e antenas de controlo russas, neutralizando a cobertura aérea local que garantiu supremacia aérea no região.
O resultado no terreno foi devastador para as forças de Moscovo. De acordo com o comando ucraniano, a operação provocou mais de duas mil baixas inimigas e a captura de mais de 250 prisioneiros de guerra, incluindo oficiais, pilotos de drones e soldados de artilharia. Vídeos partilhados nas redes sociais mostram dezenas de soldados russos detidos pelas forças ucranianas.
Ukraine's 3rd Army Corps reports about the capture of around 250 Russian POWs during the course of the Operation "Vivaldi."
This casts serious doubts on the claims that the Russians were able to conduct an orderly withdrawal in that sector. https://t.co/Qb9XA5ZKSD pic.twitter.com/qMxbLmfWTL
— Status-6 (@Archer83Able) September 28, 2026
O sucesso ucraniano em Lyman está a produzir uma onda de indignação nos canais militares russos. Vários influenciadores ultranacionalistas e analistas de guerra pró-Kremlin vieram a público denunciar a "cultura crónica de mentira" que persiste na cadeia de comando russa. Segundo estes relatos, os militares russos enviam relatórios embelezados aos escalões superiores que terão ocultado a vulnerabilidade real das posições em Lyman, impedindo reforços a tempo e facilitando as conquistas ucraniana.