Aeroporto de Damman na Arábia Saudita alvo de ataque

🗓️ 2026-10-10 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O aeroporto de Dammam, na Arábia Saudita, foi alvo de um ataque com um "projétil", segundo informações oficiais, horas após a suspensão das operações no aeroporto de Riade, devido a um ataque atribuído aos rebeldes xiitas houthis do Iémen.

"Um projétil caiu nas imediações do Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam", segundo o porta-voz militar da coligação liderada pela Arábia Saudita em apoio ao Governo iemenita internacionalmente reconhecido, o saudita Turki al Maliki, numa publicação na rede social X, citada pela agência de notícias EFE.

O porta-voz não revelou detalhes sobre o ataque, como o tipo de "projétil" ou se houve vítimas, nem fez referência ao ataque de hoje à tarde no Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, que levou as autoridades sauditas a suspenderem "temporariamente" as operações no aeródromo.

A Autoridade Geral da Aviação da Arábia Saudita referiu anteriormente num comunicado que o aeroporto da capital "sofreu um ataque […] no contexto dos contínuos e flagrantes ataques dirigidos contra as instalações da aviação civil no reino".

Segundo as autoridades sauditas, pelo menos 12 pessoas morreram e 309 ficaram feridas algumas em estado grave, no ataque atribuído aos rebeldes Huthis do Iémen.

De acordo com a autoridade de aviação civil saudita, entre as vítimas mortais encontram-se quatro cidadãos sauditas e oito estrangeiros, dos quais um norte-americano.

A mesma autoridade também deu conta de "danos materiais".

Anteriormente, uma fonte médica tinha adiantado à agência France-Presse (AFP) que duas pessoas tinham morrido no ataque contra o aeroporto Rei Khalid, tratando-se de um membro de uma tripulação egípcia ao serviço de uma companhia aérea saudita e de um palestiniano com documentos de viagem egípcios.

A autoridade aeronáutica saudita confirmou hoje a suspensão dos voos no aeroporto de Riade após um ataque, sem especificar a origem, mas que fonte diplomática citada pela AFP atribuiu aos rebeldes Huthis do Iémen.

No primeiro pronunciamento de Riade sobre numerosos relatos de um ataque hoje dirigido contra o Aeroporto Rei Khalid, a Autoridade de Aviação civil saudita tinha confirmado a existência de "vários feridos", cujo número ainda estava a ser contabilizado.

A companhia nacional Kuwait Airways já tinha anunciado a interrupção das ligações com a capital saudita.

Fonte diplomática disse à AFP que "os Huthis estão a atacar alvos civis", especificando que um míssil atingiu as instalações do aeroporto por volta das 15:00 locais (13:00 em Lisboa).

Fonte médica citada pela agência noticiosa francesa indicou, após o ataque, que "dezenas de pessoas ficaram feridas, na maioria cidadãos sauditas", das quais cinco estavam em estado grave e foram levadas de helicóptero para unidades de cuidados intensivos.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu hoje juntar-se à coligação liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes Huthis, referindo que espera tomar uma decisão "muito rapidamente", na sequência do ataque.

Várias outras embaixadas ocidentais aconselharam o pessoal a evitar durante uma semana o aeroporto de Riade, indicou à AFP um diplomata na capital saudita.

A Embaixada da França já tinha pedido na sexta-feira aos seus cidadãos que tomem "extrema cautela" na Arábia Saudita devido aos "ataques dos Huthis nos últimos dias".

Vários órgãos de comunicação social internacionais noticiaram incêndios causados no aeroporto por projéteis dos Huthis e a evacuação do Terminal 3 após um "impacto direto" que deixou várias pessoas feridas, segundo o The Wall Street Journal.

Os Huthis, grupo aliado do Irão, ainda não se pronunciaram, apesar de terem reivindicado ataques anteriores contra a Arábia Saudita, que apoia o Governo internacionalmente reconhecido no Iémen, depois de terem imposto um bloqueio naval aos navios do reino árabe, maior exportador mundial de crude, desde julho no Mar Vermelho.

Riade anunciou hoje uma "operação em grande escala" da coligação que lidera contra os Huthis, visando "os efetivos e as capacidades" dos rebeldes, ao mesmo tempo que apoia o exército do governo internacionalmente reconhecido no Iémen.

A contraofensiva ocorre após significativos avanços militares dos Huthis no oeste do Iémen, permitindo o controlo de vastas áreas do Mar Vermelho e do estreito de Bab el-Mandeb.

Esta passagem estratégica de acesso ao Canal do Suez tem servido de alternativa ao estreito de Ormuz, que se encontra sob bloqueio do Irão desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, contra a República Islâmica.

Após anos de relativa calma na guerra civil no Iémen, a frágil trégua acordada em 2022 entrou em colapso em julho, quando os Huthis desafiaram o controlo de Riade sobre o espaço aéreo iemenita, permitindo a aterragem de um avião com representantes iranianos em Sanaa.

Os Huthis integram o chamado eixo da resistência, formado por grupos políticos e armados apoiados pelo Irão, ao lado do Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano e milícias xiitas no Iraque.

Entre 2023 e 2025, atacaram navios comerciais no Golfo de Aden e Mar Vermelho, como forma de apoio ao Hamas na guerra com Israel na Faixa de Gaza.

Pelo menos 12 mortos e 309 feridos em ataque ao aeroporto de Riade

Pelo menos 12 mortos e 309 feridos em ataque ao aeroporto de Riade

Pelo menos 12 pessoas morreram e 309 ficaram feridas hoje, algumas em estado grave, segundo as autoridades sauditas, no ataque contra o aeroporto internacional de Riade, capital da Arábia Saudita, atribuído aos rebeldes Huthis do Iémen.

Lusa | 23:35 - 10/10/2026