AfD reclama "mandato para governar" em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental mas está isolada
A Alternativa para a Alemanha (AfD) reivindicou hoje um “mandato para governar” em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, após vencer as eleições neste estado do Leste da Alemanha, mas todas as restantes forças políticas rejeitam coligar-se com o partido de extrema-direita.
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De acordo com várias projeções já com base em resultados parciais, a AfD terá alcançado a segunda vitória consecutiva em eleições regionais na Alemanha — após o retumbante triunfo de há duas semanas na Saxónia-Anhalt –, ao alcançar um resultado na ordem dos 38% (mais do que duplicando o resultado de há cinco anos, de 16,7%), superando por pequena margem os sociais-democratas do SPD (socialistas, centro-esquerda), que terão obtido cerca de 36,5% dos votos.
Em declarações desde Berlim, o co-líder da AfD Tino Chrupalla classificou o resultado em Meclamburgo-Pomerânia Ocidental como “sensacional” e considerou que o partido “tem sem dúvida um mandato para governar” o estado, anunciando que vai propor conversações a todos os partidos.
No entanto, apesar do triunfo, a AfD não parece reunir condições para governar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, já que deverá eleger 27 ou 28 deputados, aquém dos 36 assentos necessários para uma maioria absoluta, e todos os outros partidos rejeitam liminarmente coligações com a extrema-direita.
A solução governativa deverá assim passar por uma nova coligação liderada pelo SPD, atualmente no poder com a Esquerda, e cuja líder, Manuela Schwesig, ministra-presidente deste estado no nordeste da Alemanha, da antiga RDA, destacou hoje ao início da noite a “grande recuperação” do partido.
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“Há um ano, poucas pessoas pensariam que seria possível esta recuperação”, disse, considerando que o resultado do SPD, que acaba por cair “apenas” três pontos face às eleições de 2021 (quando ganhou com 39,6%), mostra que “é possível enfrentar a AfD”.
No início do ano, as sondagens apontavam para que o SPD se quedasse pelos 25%, 10 pontos atrás da AfD (35%).
Schwesig disse estar disposta a conversar com as forças democráticas em busca de uma solução governativa, avançando analistas que, caso SPD e A Esquerda não consigam repetir a maioria absoluta que os levou ao poder há cinco anos, a hipótese mais provável é de uma coligação que inclua ainda os Verdes.
De acordo com as projeções e resultados já parciais, A Esquerda é a terceira força política, com 6,2%, à frente dos Verdes, com 5,5%, e só depois surgem os conservadores da União Democrata-Cristã (CDU), com 5,1%, no limiar para a eleição para o parlamento estadual, naquele que é o pior resultado do partido em eleições estaduais desde a II Guerra Mundial, o que deixa o chanceler Friedrich Merz numa situação ainda mais delicada.
“Não podemos amenizar os resultados em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental. É um desastre. A CDU lutou arduamente, mas, no final, foi esmagada no confronto crescente entre o SPD e a AfD”, declarou Merz, em Berlim.
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As eleições de hoje em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental eram aguardadas com grande expectativa face ao crescente sucesso da extrema-direita na Alemanha e à retumbante vitória alcançada pela AfD há apenas duas semanas nas eleições na Saxónia-Anhalt (também no Leste da Alemanha), com 43,8% dos votos, o maior triunfo eleitoral da história do partido.