Alemanha: extraditada, "neonazista trans" vai para uma prisão feminina
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Antes de mudar o registro civil para o gênero feminino, Marla-Svenja Liebich utilizava o nome Sven e militou por décadas na extrema-direita
16/07/2026 07:07

Uma integrante de destaque da cena neonazista do leste da Alemanha foi extraditada da República Tcheca nessa quarta-feira (15/7) e encaminhada a uma prisão feminina na cidade de Chemnitz. A transferência de Marla-Svenja Liebich, de 55 anos, ocorre em meio a intensas suspeitas de que ela tenha abusado da legislação alemã de autodeclaração de gênero para evitar o cumprimento de pena em um presídio masculino.
De acordo com informações divulgadas pelo Ministério Público, Liebich cooperou com as autoridades durante o processo de extradição. Atualmente, a direção da penitenciária feminina de Chemnitz avalia se a detenta cumprirá a totalidade de sua pena na instituição ou se haverá necessidade de transferência para outro local.
A ativista de extrema-direita estava foragida desde agosto do ano passado, quando descumpriu uma ordem para se apresentar à Justiça.
A prisão da extremista ocorreu em abril deste ano, em território tcheco, após a Justiça local rejeitar seus sucessivos recursos contra a extradição. Durante o processo legal, Liebich argumentou que temia por sua vida caso fosse enviada a uma ala prisional masculina na Alemanha. No entanto, o jornal alemão Mitteldeutsche Zeitung revelou que, no momento de sua captura pelas forças policiais, ela usava roupas masculinas e estava com a cabeça raspada.
Antes de alterar seu registro civil para o gênero feminino, Liebich utilizava o nome Sven e acumulou décadas de atuação no cenário extremista de direita do país. O processo de transição legal foi realizado no final de 2024, período em que ela recorria de uma condenação em primeira instância a um ano e meio de prisão por incitação ao ódio étnico e difamação. Diante do histórico, a Justiça de Halle avalia uma ação para anular a mudança de registro.
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A transição de gênero de Liebich foi amplamente interpretada pela opinião pública como uma provocação deliberada e um teste de estresse à Lei de Autodeterminação de Gênero da Alemanha. Implementada no final de 2024, a legislação permitiu a simplificação da mudança de nome e sexo em cartório sem a exigência de laudos médicos ou tratamentos hormonais. A polêmica em torno do caso reacendeu o debate político nacional sobre possíveis brechas no texto legal.
Má-fé
O comportamento passado da militante reforça as suspeitas de má-fé levantadas por opositores e analistas políticos. Sob a identidade de Sven, Liebich era uma crítica feroz da chamada “ideologia de gênero”, tendo proferido ofensas contra a comunidade LGBTQ+ e comercializado produtos com mensagens contrárias à transição de menores. Após a alteração documental, ela passou a processar veículos de comunicação que a identificavam pelo gênero biológico.
A disputa judicial chegou a envolver grandes nomes da imprensa alemã e órgãos de regulação de mídia. Liebich perdeu uma ação contra o jornalista Julian Reichelt, ex-editor do tabloide Bild, que garantiu na Justiça o direito de afirmar que ela não era uma mulher.
Paralelamente, o Conselho de Imprensa da Alemanha arquivou uma reclamação contra a revista Der Spiegel, concluindo que a mudança civil ocorreu para ridicularizar o Estado.
O desfecho do caso da extremista deve ter repercussões que vão além do cumprimento de sua pena em Chemnitz. O episódio serve de combustível para a ala conservadora do país, que pressiona por modificações estruturais na legislação de gênero. O governo do chanceler Friedrich Merz já sinalizou que pretende revisar as diretrizes da Lei de Autodeterminação para evitar novos episódios de suposto abuso jurídico.