Alemanha investiga idoso de 105 anos por crimes cometidos na II Guerra
A justiça alemã está a investigar um idoso de 105 anos por suspeitas de ter sido cúmplice de vários crimes, incluindo homicídios, num campo de prisioneiros de guerra nazi, durante a Segunda Guerra Mundial.
Em comunicado, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP), a procuradoria alemã adiantou que "o suspeito, de 105 anos, terá sido guarda no campo de prisioneiros de guerra Stalag 326 VI K", na região de Senne, no oeste da Alemanha.
O homem é "acusado de ter sido cúmplice de vários homicídios através das atividades que desempenhava no local".
Citada na nota, a procuradora de Dortmund, Sonja Frodermann, explicou que outro antigo guarda, de 99 anos, estava também a ser investigado, mas acabou por morrer há alguns meses. Até ao momento, não foram divulgadas mais informações sobre os suspeitos.
O Stalag 326 VI K era um dos maiores campos de prisioneiros da Alemanha, tendo albergado entre 180 mil e 200 mil soldados do Exército Vermelho soviético, entre 1941 e 1945, até ser libertado pelas tropas norte-americanas.
De acordo com a BBC, o campo tinha também prisioneiros provenientes de França, Polónia, Sérvia e Bélgica, que viviam em condições de vida deploráveis e eram sujeitos a maus-tratos extremos e subnutrição.
Nos últimos anos, a Alemanha julgou e condenou vários antigos SS (Schutzstaffe) e estendeu as acusações contra antigos guardas de campos de concentração nazis, por cumplicidade na morte dos prisioneiros.
A título de exemplo, Josef Schuetz, um antigo guarda, foi condenado em junho de 2022 a cinco anos de prisão, mas morreu menos de um ano depois, aos 102 anos. Na altura, foi a pessoa mais velha de sempre a ser julgada por crimes cometidos pelo regime nazi.
Já em abril de 2025, outro antigo guarda do campo de concentração de Sachsenhausen, perto de Berlim, morreu antes de poder ser julgado pelas acusações de cumplicidade no homicídio de mais de 3.300 pessoas.
Em 2021, uma antiga secretária alemã de um campo de concentração nazi foi processada por cumplicidade em milhares de mortes. Tinha 96 anos.
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Lusa | 14:49 - 10/02/2026