Alta do petróleo impulsiona Petrobras, mas medidas do governo reduzem ganhos, diz Moody’s

🗓️ 2026-07-21 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro (Fernando Frazão/Agência Brasil)

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A disparada dos preços internacionais do petróleo deve reforçar a geração de caixa da Petrobras, mas parte desse benefício será neutralizada pelas medidas adotadas pelo governo federal para conter a inflação dos combustíveis. A avaliação é da agência de classificação de risco Moody’s.

Segundo o relatório, o aumento das cotações do petróleo favorece diretamente a estatal no segmento de exploração e produção, principal fonte de receita da companhia. A Moody’s estima que o fluxo de caixa operacional da Petrobras cresce cerca de US$ 5 bilhões a cada aumento de US$ 10 por barril no preço do Brent.

No entanto, o governo decidiu criar mecanismos para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre consumidores e empresas. Entre as medidas estão um subsídio de R$ 1,12 por litro para o diesel, outro de R$ 0,44 por litro para a gasolina e a cobrança temporária de um imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto.

Na avaliação da agência, essas iniciativas reduzem parte dos ganhos que a Petrobras obteria com a valorização do petróleo. Isso porque a companhia terá de arcar com a nova tributação sobre as exportações e também enfrentará um efeito indireto sobre a formação dos preços dos combustíveis no mercado doméstico.

Pressão sobre a política de preços

A Moody’s destaca que a Petrobras continua exposta ao risco de interferência política na definição dos preços dos combustíveis.

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Segundo a agência, a estatal demorou a repassar integralmente aos consumidores o aumento das cotações internacionais. Apesar dos reajustes já anunciados, os preços da gasolina e do diesel no Brasil apenas recentemente voltaram a se aproximar da paridade internacional.

A expectativa é que, caso os subsídios sejam retirados nos próximos meses e os preços do petróleo permaneçam elevados, a Petrobras precise promover novos reajustes graduais ao longo de 2026 para preservar essa paridade.

A agência ressalta que algum alinhamento entre os preços domésticos e internacionais é necessário para evitar distorções de mercado e oportunidades de arbitragem que possam provocar desequilíbrios no abastecimento.

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Exploração de petróleo reduz impacto no refino

Apesar das incertezas relacionadas à política de combustíveis, a Moody’s avalia que a Petrobras está mais protegida do que em ciclos anteriores.

Nos últimos anos, a companhia reduziu em cerca de 20% sua capacidade de refino, diminuindo a participação desse segmento nos resultados financeiros. Ao fim de 2025, aproximadamente três quartos do Ebitda da empresa vieram das atividades de exploração e produção de petróleo.

Essa mudança de perfil ajuda a compensar eventuais perdas nas refinarias causadas por controles de preços ou atrasos nos reajustes dos combustíveis.

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Indicadores financeiros seguem sólidos

A Moody’s afirma que os fundamentos financeiros da Petrobras permanecem robustos.

Em dezembro de 2025, a companhia tinha dívida total ajustada de aproximadamente US$ 74 bilhões, além de US$ 9 bilhões em caixa e US$ 7 bilhões em linhas de crédito disponíveis.

A agência projeta que, considerando um preço médio do Brent entre US$ 60 e US$ 75 por barril nos próximos dois anos, a relação entre dívida e Ebitda deve permanecer entre 1,5 e 2 vezes até o fim de 2027.

Para a Moody’s, a forte geração de caixa da área de exploração de petróleo e a gestão ativa do portfólio devem continuar sustentando a qualidade de crédito da estatal, mesmo em um cenário de maior intervenção governamental nos preços dos combustíveis.

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