Amei minha carreira, disse Laura Cardoso à Folha; leia - 18/08/2026 - Ilustrada - Folha

🗓️ 2026-08-18 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

"Amei minha carreira, gosto muito da minha vida", disse Laura Cardoso à Folha, há três anos, numa das últimas grandes entrevistas da atriz, que morreu nesta segunfa-feira (17), aos 98 anos.

Na ocasião, Cardoso recebeu a reportagem em seu apartamento em Perdizes, na zona oeste da capital paulista. Aos 96 anos, deu entrevista por mais de 20 minutos para relembrar sua trajetória de oito décadas no teatro, na TV, na rádio e no cinema.

"[Vejo minha carreira] com muita satisfação, amor e prazer. Espero que tenha deixado bons exemplos, belas lembranças de trabalhos, e que tudo de bom seja visto de novo", ela disse. "Sou vaidosa, sou metida. Eu me acho", completou. "Amo representar. Acho que ainda preciso aprender a representar."

À época, a Globo reprisava "Mulheres de Areia", folhetim de 1993 que deu à atriz um dos seus papéis mais celebrados. Pouco antes, fora reexibida "Chocolate com Pimenta", outra novela importante no currículo de Cardoso.

Ela havia acabado de perder Léa Garcia, amiga dos tempos de início de carreira. "Fico muito triste, tenho saudade, vontade de ver, de falar. Mas é o mundo, né? Chega uma hora que é tchau e pronto."

À época, a atriz afirmou que não tinha traçado muitos planos. Disse que aproveitaria os próximos anos para ficar mais perto da família —ela morava com a filha, Fátima Baleron, e era muito próxima do bisneto, Fernando Faria.

Não via mais novelas. "Eu preferia as do meu tempo porque era difícil de se fazer. Não gosto de tecnologia. Enche o saco", afirmou a atriz. "Tudo o que é técnico é frio. Gosto mais do normal, do natural. Gosto de representar quando a vontade vem, quando o gesto vem, quando a fala vem."

"Sinto que a gente está mais preso. No começo, como [a televisão] era invenção, a gente tinha que criar. Saía mais espontâneo e melhor. Hoje tem muita censura. Nas falas, nos gestos, em tudo. Naquele tempo havia, mas não tanto."

Embora tivesse suas críticas em relação à produção cultural contemporânea, Cardoso disse que ela seguia sendo fundamental. "Um país sem cultura morre. Não vive."

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