Análise: como Omã passou de mediador a alvo das ameaças de Trump | CNN Brasil

🗓️ 2026-08-22 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou no início desta semana atacar Omã caso o país interfira nos esforços americanos no Estreito de Ormuz.

“Se Omã atrapalhar, vamos bombardear aquela merda toda”, disse Trump em uma entrevista à Fox News na segunda-feira, enquanto Teerã afirmava que as negociações com Mascate sobre a importante via marítima continuavam.

Omã, um aliado histórico dos EUA, tentou atuar como mediador entre os Estados Unidos e o Irã antes e durante o conflito, especialmente ao sediar negociações nucleares entre Teerã e Washington antes do início da guerra, em fevereiro.

Leia Mais

  • Trump critica liderança do Irã e exige acordo ou rendição total
  • Análise: "Eles são a escória, pessoas doentes", diz Trump sobre Irã
  • EUA vigiarão Estreito de Ormuz, mas nenhum país vai controlá-lo, diz Trump

Um dia antes de os EUA e Israel atacarem o Irã, em 28 de fevereiro, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, afirmou que o Irã havia concordado em não armazenar urânio enriquecido, o que significaria que nunca teria material suficiente para produzir uma arma nuclear caso chegasse a um acordo com os EUA.

No dia seguinte, após os ataques americano-israelenses, Albusaidi disse estar “desapontado” porque as “negociações ativas e sérias” entre os EUA e o Irã haviam sido “mais uma vez prejudicadas”.

Em março, Albusaidi classificou a guerra contra o Irã como o “maior erro de cálculo” do governo Trump. Dias depois, publicou no X: “Independentemente da sua opinião sobre o Irã, esta guerra não foi provocada por eles.”

Nos meses seguintes, Omã trabalhou com o Irã na elaboração de protocolos para reabrir o Estreito de Ormuz.

Em maio, Trump ameaçou Omã pela primeira vez, dizendo que o país “vai se comportar como todo mundo, ou teremos que explodi-los”.

Semanas depois, um alto funcionário do governo americano disse a jornalistas que Omã havia sido “duplo” durante os esforços de negociação com o Irã — e que, por isso, “os retiramos” do papel de mediador.