Análise: derrota de 6 a 0 é a menor vergonha de uma Ponte quebrada | Ge
O placar já estava 2 a 0 com 12 minutos de jogo. O Vila ainda fez mais um gol antes do intervalo e marcou outras três vezes no segundo tempo.
É o que cabe ser dito sobre o jogo diante da realidade da Ponte Preta. Falar de futebol ou de tática nesse momento é ignora o cenário caótico que o clube vive no extracampo.
Uma derrota de 6 a 0 ser a menor das vergonhas atuais mostra o buraco que a Ponte se enfiou - e o quanto será difícil sair dele.
Vila Nova x Ponte Preta — Foto: @betocorreaphoto
Vergonha mesmo é não oferecer o básico os profissionais (funcionários, jogadores e comissão técnica) a ponto de o técnico Márcio Zanardi dizer em entrevista coletiva recente que falta tudo - contra o Vila Nova, por exemplo, a delegação viajou sem um fisioterapeuta à disposição.
Vergonha - para quem comanda - é o elenco soltar uma nota hora antes de entrar em campo contra o Vila Nova dizendo que está há quase seis meses sem receber e dando um ultimato por greve caso as pendências não sejam regularizadas a partir do dia 25 de agosto.
Vergonha é ter contratado jogadores no início de julho, garantir a inscrição a partir da abertura da janela, como fez o presidente Luiz Torrano, e ainda não poder utilizá-los por causa de três transfer bans originários de dívidas. Vergonha é fazer promessas vazias e não cumpri-las. Vergonha é deixar que funcionários passem dificuldades no dia a dia pela recorrente falta de pagamento.
Porque ninguém chega a 17 jogos sem vencer - com 14 derrotas no período - por acaso. Ninguém soma apenas 10 pontos em 23 rodadas por acidente.
É um retrato devastador, de abandono, de uma falência muito mais profunda. E também um atestado de fracasso de quem está à frente do clube - a menor parcela de responsabilidade é dos jogadores e da comissão técnica.
Eberlin e Torrano estão à frente da atual diretoria executiva da Ponte — Foto: Marcos Ribolli/ PontePress
Por mais que gestões passadas tenham contribuído para a situação financeira atual, o grupo que assumiu em 2022, liderado por Marco Antonio Eberlin e que hoje tem Luiz Torrano na presidência, não conseguiu estancar o sangramento. Pelo contrário.
O sangramento virou hemorragia, com atrasos salariais desde o ano passado, ações trabalhistas cada vez mais frequentes e a normalização do absurdo fora e dentro de campo em um processo de destruição da história centenária do Ponte. É uma situação que deveria constranger qualquer pessoa que tenha responsabilidade sobre os rumos do clube.
O pior é que já não existe sequer surpresa. O espanto ficou para trás. A humilhação que começa nos bastidores e termina no placar virou rotina no Majestoso em um 2026 que caminha para terminar com dois rebaixamentos - já caiu no Paulistão e está condenada também na Série B.
A Ponte está quebrada. Financeiramente. Esportivamente. Moralmente.