Anitta na Grande Rio: conheça a história de Eloina dos Leopardos, travesti que coroou a cantora | Gshow

🗓️ 2026-09-20 📁 entertainment 📝 ⏱️ 👁️ : -

Em uma noite repleta de momentos especiais para a Grande Rio, um se destacou ainda mais. Neste domingo (20), Anitta recebeu a coroa de rainha de bateria da agremiação, e o gesto de veio de mãos históricas no carnaval carioca: de Eloina dos Leopardos, travesti que inaugurou o cargo, 50 anos antes, na Beija-Flor.

Anitta é coroada na Grande Rio por Eloina dos Leopardos — Foto: Reprodução/Youtube

O evento ocorreu na quadra da escola, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, em uma noite que ainda irá eleger o samba que a agremiação irá entoar na Marquês de Sapucaí, em 2027. Ao invés de receber o posto de Virginia Fonseca, a cantora foi coroada por Eloina, que, em 1976, parou na frente dos ritmistas da Beija-Flor de Nilópolis e mostrou ao Carnaval do Rio o que era sambar de biquíni.

Figura já conhecida na cultura gay carioca, a travesti era uma novata no mundo do samba, quando, aos 31 anos, entrou para história, aos 31 anos, como a primeira rainha de bateria que se tem notícia. Ela foi colocada no cargo, que até então não existia, pela mãos do carnavalesco Joãosinho Trinta para desfilar defendendo o enredo "Sonhar com Rei Dá Leão". E, tanto a Beija-Flor quanto Eloina saíram da Avenida vitoriosos.

Eloina dos Leopardos foi a primeira rainha de bateria do Carnaval, desfilando em 1976 pela Beija-Flor — Foto: Reprodução

"Quando a bateria começou a tocar, ele me pegou pelo braço e me colocou lá na frente. O João deu ordem para os diretores que não queria mais ninguém ali e tirou todas as mulheres que estavam por perto. Foi assim que aconteceu, meio de surpresa, como eu sendo a primeira rainha de bateria de todas", contou ela, em entrevista para o gshow em 2023.

A partir de 1976, Eloina dos Leopardos virou a sensação do Carnaval no Rio de Janeiro — Foto: Arquivo pessoal

E a presença de Eloina foi como pólvora em uma fogueira, que incendiou e explodiu.

"Foi um escândalo, porque era tanta gente querendo tirar foto de mim e saber quem eu era. Quando acabou o desfile, o Joãsinho me colocou em um carro de volta para casa, porque ele não queria que ninguém soubesse quem eu era ou o que eu era", se recordou.

A revelação foi feita no dia seguinte: Joãosinho Trinta convocou a imprensa e a comunidade para a quadra em Nilópolis.

"Ninguém imaginou que ele teria a audácia de colocar uma travesti para sambar na frente de uma bateria. Mas ele fez e eu estava lá. Ninguém sabia que eu era uma travesti, só o público gay. Quando as mulheres me viram só de biquíni, eu acabei com a festa delas. Modéstia à parte, eu era perfeita."

Aos 78 anos, Eloina dos Leopardos vive atualmente em São Paulo e trabalha como hostess no restaurante Bar da Dona Onça — Foto: Arquivo pessoal

De rainha de bateria aos Leopardos

A história de Eloina com a Beija-Flor durou de 1976 até 1978. Depois disso, ela voltou a morar em Paris e retornou ao Brasil no final da década de 1980 para criar o que foi um dos shows que mais fez sucesso no Rio de Janeiro: a Noite dos Leopardos. O espetáculo era uma mistura de sensualidade e nudez que marcou uma geração.

Entre a censura da Ditadura Militar e o preconceito da sociedade, Eloina deu seu nome.

"Naquela época era muito preconceito, a geração de hoje não consegue nem imaginar. Quando eu comecei, sair de cara pintada na rua não era uma opção. Porque tinha polícia na rua andando atrás da gente. Com esse espetáculo eu refiz meu nome e fui apresentada para uma nova geração de gays que não me conhecia."

O espetáculo Noite dos Leopardos, com Eloina, aconteceu entre os anos de 1980 e 1990, no Rio de Janeiro — Foto: Arquivo pessoal

Em 2023, Eloina voltou ao Carnaval do Rio de Janeiro. Convidada pela Beija-Flor para desfilar no enredo "Brava gente! O grito dos excluídos no bicentenário da Independência", dos carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues.

Eloina dos Leopardos na Beija-Flor — Foto: Foto: Mateus Almeida

"Depois de quase 50 anos, vou voltar para a Avenida para deixar ela nervosa. Se não for assim, eu fico em casa e assisto pela televisão. Não é que eu queira ser esnobe, mas minha volta não vai ser simples. Não combina comigo", disse.

Juliana Paes usou em 2019 uma fantasia que foi inspirada em Eloina dos Leopardos — Foto: Arquivo pessoal e Reprodução/Instagram

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