Aparição de escorpiões aumenta com o calor; saiba como se proteger

🗓️ 2026-09-18 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -
Escorpião amarelo com corpo escuro e cauda curvada para cima, mostrando o ferrão, sobre um tronco de árvore com líquens
O escorpião-amarelo, uma das espécies que mais causa acidentes no Brasil (José Roberto Peruca/Wikimedia Commons)

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De setembro até fevereiro, a elevação das temperaturas faz com que mais escorpiões apareçam de forma gradual. O animal, adaptado aos centros urbanos, pode aparecer com mais frequência e acabar dentro das casas em busca de alimento. Como forma de proteção, algumas orientações do Instituto Butantan e da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo ajudam a população a se orientar sobre quais são os principais escorpiões que causam acidentes no Brasil, como evitá-los e como agir em caso de picadas. 

O Brasil tem espécies diferentes de escorpiões espalhadas por toda sua extensão, e toda espécie conhecida do animal no mundo é venenosa, ou seja, é capaz de inocular veneno caso ataque. Nem todas conseguem causar acidentes graves, mas no Brasil as espécies mais conhecidas (escorpião-amarelo, escorpião-marrom, escorpião-amarelo-do-Nordeste e escorpião-preto-da-Amazônia) podem causar danos a quem for picado. 

Os animais costumam acabar dentro das casas até mesmo em grandes centros urbanos em busca de alimento. Sua dieta é composta, em geral, de baratas, grilos, aranhas e outros vertebrados pequenos. Imóveis e espaços com refúgio e alimento podem ser moradia certa para os escorpiões. 

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Eles costumam ser encontrados em terrenos baldios com mato, entulho ou lixo, locais com material de construção, galerias de águas pluviais e esgotos (canais, bocas de lobo, etc), caixas de passagem e de gordura, caixas e pontos de energia e em lixeiras ou fossos de lixo. Seus principais predadores incluem animais como galinhas, sapos, lagartos, camundongos, corujas, algumas aranhas e outras aves noturnas. 

Como se proteger

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De acordo com cartilha do Instituto Butantan, algumas das melhores maneiras de se proteger do animal envolvem primeiro evitar sua proliferação. Isso pode ser feito através de algumas medidas que incluem, em geral, vedar bem partes da casa, em especial as próximas do chão, e manter todos os ambientes limpos para afastar insetos que sejam parte da dieta tradicional dos escorpiões. 

Para se proteger da proliferação dos escorpiões, é ideal:

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  • Manter ambientes limpos (como jardins, quintais, espaços internos)
  • Evitar o acúmulo de lixo, entulho, folhas secas ou material de construção próximo das casas
  • Evitar folhas densas (como plantas ornamentais, trepadeiras, arbustos, bananeiras, etc) perto de paredes e muros

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  • Limpar periodicamente terrenos baldios vizinhos numa faixa de 1 a 2 metro das casas
  • Vedar soleiras das portas e janelas durante a noite, pelo hábito noturno do animal
  • Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos e vãos entre o forro e a parede, fechar outros possíveis buracos pela casa

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  • Vedar ou colocar tela em ralos do chão, pia e tanques
  • Combater proliferação de outros insetos, que podem servir de alimento aos escorpiões
  • Evitar sujeira e lixos abertos que possam atrair baratas, grande presa dos animais
  • Preservar os inimigos naturais dos escorpiões e aranhas, como as aves de hábitos noturnos, lagartos, sapos, galinhas (em especial a d’angola), gansos, macacos e quatis

Como forma de evitar acidentes, é ideal também que as pessoas realizem alguns hábitos, ao menos durante o período mais frequente de aparição do animal. É necessário sacudir roupas e calçados antes de usá-los, não colocar a mão em buracos, pedras ou troncos, afastar camas e móveis das paredes, evitar que roupas e mosquiteiros encostem no chão e evitar pendurar roupas nas paredes e portas. No caso de quem pratica jardinagem ou manipula materiais de construção, é ideal usar calçados e luvas de raspa de couro. 

Em caso de acidente

Caso alguém tenha sido picado por um escorpião, a pessoa deve lavar o local da picada com água e sabão, manter pressão sobre a área e procurar o serviço de saúde mais próximo. Nas unidades de saúde, os profissionais poderão avaliar o machucado e decidir se algum tipo de soro antiveneno será utilizado, como os soros antiescorpiônicos ou os antiaracnídeos. 

É importante não colocar gelo ou água fria no local da picada, não fazer torniquetes nem cortar ou furar o local. Tentativas de “sucção” do veneno não devem ser feitas. Além disso, é importante não passar qualquer tipo de remédio no local da picada ou ingerir bebidas alcoólicas, álcool, gasolina, querosene ou fumo. 

O animal e o veneno

Os escorpiões são animais do gênero Archnidae, o mesmo das aranhas. No Brasil, as espécies que mais aparecem e podem causar acidentes dentro ou fora de casa são o escorpião-amarelo (Tytus serrulatus, comum por todo o Brasil, com exceção de alguns estados do Norte), o escorpião-marrom (Tytus bahiensis, presente no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e na Bahia), o escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tytus stigmurus, presente no Nordeste mas com registros em São Paulo, Paraná e Santa Catarina) e o escorpião-preto-da-Amazônia (Tytus obscurus, presente na região amazônica, mas pode ser encontrado em estados vizinhos como os do Centro-Oeste).  

Os escorpiões carregam em sua cauda uma “ferramenta” chamada de télson. Essa parte do corpo do animal é o espaço em que ele guarda glândulas responsáveis pela produção de seu veneno, que pode ser inoculado através do télson quando ele ataca. Algumas espécies no Brasil conseguem fazer partenogênese, um tipo de reprodução que não precisa de parceiro sexual. No caso do escorpião-amarelo, um dos mais perigosos, as fêmeas se reproduzem sem macho, e costumam ter dois partos por ano. Cada ninhada traz ao mundo de 20 a 25 novos escorpiões. 

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