Após agredir operador de imagem da CNN, militar israelita escapa a acusações criminais
Na sequência do incidente, o chefe do Estado-Maior das IDF, tenente-general Eyal Zamir, aplicou medidas disciplinares abrangentes, suspendendo todas as atividades operacionais do batalhão
O soldado israelita que agrediu fisicamente um operador de imagem da CNN, em março, foi formalmente repreendido pelos seus comandantes pelo uso da força, mas não enfrentará acusações criminais relacionadas com o caso, informou na segunda-feira o Exército israelita.
"A investigação concluiu que, durante o encontro entre os soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) e a equipa de comunicação social na área, foi utilizada força física por um dos soldados contra um operador de imagem da organização de comunicação social", afirmou o Exército num comunicado enviado à CNN.
A unidade de investigações criminais da polícia militar investigou a agressão, mas os procuradores militares decidiram não avançar com acusações criminais, optando antes por recorrer ao processo disciplinar interno da cadeia de comando.
"Depois de o soldado ter manifestado arrependimento pelas suas ações durante o processo disciplinar, recebeu uma repreensão formal por parte do comando", indicaram as IDF. Uma repreensão militar fica registada no processo individual do soldado e tem impacto negativo no seu futuro nas Forças de Defesa de Israel. As IDF recusaram identificar o militar, que era reservista.
A investigação foi aberta depois de o soldado ter agarrado o operador de imagem da CNN, Cyril Theophilos, pelo pescoço e o ter projetado para o chão enquanto este filmava na aldeia de Tayasir, na Cisjordânia ocupada, em março. Pouco antes, colonos israelitas tinham estabelecido um posto avançado ilegal naquele local.
Durante o incidente, soldados israelitas apontaram também as armas à equipa da CNN e detiveram os seus elementos. Um militar que falou à CNN, em frente às câmaras, sobre "vingança" contra os palestinianos durante o incidente foi, na altura, afastado das IDF.
A CNN estava autorizada a filmar naquela zona.
Na sequência do incidente, o chefe do Estado-Maior das IDF, tenente-general Eyal Zamir, aplicou medidas disciplinares abrangentes, suspendendo todas as atividades operacionais do batalhão, componente de reserva da unidade ultraortodoxa "Netzah Yehuda". As IDF consideraram que a agressão representou "uma grave falha ética e profissional".
O batalhão foi novamente destacado para a Cisjordânia 30 dias depois, após participar num seminário de formação e receber treino adicional.