Após quase 40 anos, disco inédito de Paulo André Barata é lançado | G1

🗓️ 2026-09-25 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O cantor, compositor, arranjador e instrumentista, que morreu há três anos, será homenageado no espetáculo nesta sexta-feira (25), data em que completaria 80 anos.

O espetáculo será às 20h30 no Teatro Margarida Schivasappa. No palco, 20 intérpretes vão se revezar celebrando a obra do artista.

O disco "Na Correnteza” conta com faixas inéditas e reúne composições de Paulo André com outros artistas. Das 10 composições, a maioria foi escrita junto com o pai, o poeta Ruy Barata.

Ruy Barata e Paulo André, pai e filho, compositores que fizeram história na música do Pará — Foto: Arquivo de família

Cópia guardada por amigo

Tudo começou quando o jornalista paraense e amigo pessoal de Paulo André, Edgar Proença, guardou por quase 40 anos a única cópia, em fita cassete, com músicas inéditas do compositor, gravada em 1987.

O motivo para isso foi e é especial: a última faixa do disco, “Izabela”, foi uma homenagem à sua sobrinha Isabela. A canção é fruto da parceria entre seu pai, Edyr Proença, e seu amigo Paulo André Barata.

“O Paulo ia às vezes para Mosqueiro e tocava violão com o papai no pátio da nossa casa. Eles às vezes faziam parcerias, uma delas foi uma homenagem à minha sobrinha, Isabela, que havia nascido. Os dois compuseram a música e gravaram juntos” conta Edgar.

O disco foi produzido, à época, pelo jornalista e irmão de Paulo, Tito Barata, mas não chegou a ser lançado por falta de investimento das gravadoras.

“Me lembrei desse disco que produzi em 1987 que por algum motivo extraviou a fita master, que era uma fita de rolo. Conversando no ano passado com o Edgar, ele me disse que tinha uma cópia daquele master tirado exatamente na gravadora, inclusive com a letra de Paulo André e assinatura dele”, revela Tito.

Fita guardada de Paulo André Barata deu origem a disco inédito — Foto: TV Liberal/Reprodução

'Disco que é uma pérola'

Para chegar ao público, o material precisou passar por um processo de limpeza e digitalização, feita em Belém, além de uma remasterização, feita por Artur Luna, no Rio de Janeiro.

No Pará, os responsáveis pelo tratamento da obra foram o artista, Léo Bitar, e o produtor musical, Ziza Padilha.

“Quando eu peguei a fita testei em alguns gravadores para ver qual aparelho ela soava melhor para poder fazer a digitalização, daí quando toquei a fita o som era fantástico! A qualidade sonora é incrível, um disco que realmente é uma pérola na obra do Paulo André. É um discasso!”, enfatiza Léo.

Gravações em fita guardada foram restauradas para disco póstumo — Foto: TV Liberal/Reprodução

O disco tem canções inéditas de Paulo com Paes Loureiro, Alfredo Oliveira, Edyr Proença e Ruy Barata, pai de André, incluindo a primeira versão de “Porto Caribe”, que muitos conhecem como “Eu sou de um país que se chama Pará”.

Ziza Padilha destaca que o público, ao entrar em contato com o disco, irá escutar o projeto da maneira que foi idealizado por Paulo André Barata na década de 1980.

“Respeitar o som da época também é importante para que isso chegue no ouvido de quem vai consumir. Essa obra foi feita por um baita compositor com grandes poetas e a gente respeita e admira. Então, a gente faz com todo carinho e se emociona também pela responsabilidade que nos colocam para fazer esse trabalho”, ressalta Ziza.

O álbum ‘Na Correnteza’ já está disponível nas plataformas digitais e em versão CD, ambos lançados pelo selo Na Music.

Quem foi Paulo André Barata

Cantor, compositor, músico e poeta, Paulo André Barata, nasceu em Belém e construiu uma carreira artística marcada pela valorização da identidade cultural amazônica, com referências aos rios, às paisagens e às manifestações culturais da região.

Paulo André Barata lança "Nasci Para Bailar" em plataformas digitais de música. — Foto: Divulgação

Suas canções "Pauapixuna", "Foi Assim" e "Este Rio é Minha Rua" foram imortalizadas na voz de Fafá de Belém.