Trump tem pior aprovação após alta do custo de vida - 06/09/2026 - Mundo - Folha

🗓️ 2026-09-06 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O índice de aprovação de Donald Trump caiu ao menor nível até agora, segundo uma nova pesquisa do jornal Financial Times. O levantamento mostra que os eleitores se desencantaram com a forma como o presidente dos EUA vem lidando com a economia e o custo de vida.

A menos de dois meses das midterms, as eleições de meio de mandato em novembro, a mais recente pesquisa nacional realizada pela Focaldata constatou que apenas 33% dos eleitores registrados aprovavam o desempenho de Trump como presidente —o menor percentual registrado desde que o FT começou a fazer a pergunta, em maio, e uma queda de três pontos em relação ao mês anterior.

O índice de aprovação do presidente entre os eleitores republicanos também recuou mais de dois pontos, para 72% —outro recorde negativo na pesquisa do FT.

O levantamento indicou que a piora da percepção dos eleitores sobre a economia e o custo de vida é responsável pelos números desanimadores de Trump, com a maioria dos entrevistados rejeitando as tarifas e a política comercial do presidente.

A pesquisa ocorre em um momento em que o presidente parece incapaz de pôr fim à guerra no Irã, que elevou os custos do crédito dos EUA e os preços dos combustíveis e bens de consumo nos últimos seis meses.

A pesquisa do FT foi realizada online pela Focaldata, empresa de pesquisa apartidária sediada em Londres, de 28 de agosto a 1º de setembro. Ela reflete as opiniões de 1.914 eleitores registrados e tem margem de erro de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Na sexta-feira (4), o preço do diesel nos EUA, combustível essencial para a indústria e a agricultura americanas, atingiu o recorde histórico de US$ 5,85 por galão, segundo a associação automobilística AAA, ameaçando provocar uma nova onda de inflação na maior economia do mundo.

Lá Fora

Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo

As conclusões da pesquisa devem causar apreensão na Casa Branca, enquanto os republicanos tentam manter o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos EUA nas eleições de novembro. Embora Trump não esteja na cédula, essas eleições são amplamente vistas como um referendo sobre a liderança do atual presidente.

Quase dois terços dos eleitores registrados disseram aos pesquisadores que a economia estava indo na direção errada, e 57% afirmaram estar em situação financeira pior sob a Presidência de Trump —aumento de quatro pontos em relação ao mês passado, quando 53% dos eleitores disseram estar em pior situação.

Entre os eleitores republicanos, apenas 53% disseram aprovar a forma como o presidente vem lidando com o emprego e a economia, queda de quase oito pontos em relação ao mês anterior.

No comércio, 56% dos eleitores registrados, incluindo mais de 60% dos independentes e quase um terço dos republicanos, disseram desaprovar a mais recente decisão de Trump de impor uma tarifa de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. A medida levou Ottawa a impor tarifas retaliatórias de até 50% sobre importações dos EUA, intensificando a guerra comercial e aumentando as preocupações com preços mais altos para os consumidores.

Trump colocou-se no centro da campanha republicana para as midterms. O Comitê Nacional Republicano realizará nesta próxima semana, em Dallas, no Texas, uma convenção inédita de dois dias voltada às eleições de meio de mandato, tendo o presidente como principal atração, numa tentativa de mobilizar o apoio dos eleitores.

Mas a pesquisa do FT sugere que a estratégia pode ter o efeito contrário. Quarenta e seis por cento dos eleitores, incluindo mais da metade dos independentes, disseram que Trump estava dificultando a vitória dos candidatos republicanos ao Congresso em novembro. Entre os independentes, 47% afirmaram que o apoio de Trump reduziria a probabilidade de votarem em um candidato.

Quando indagados sobre intenção de voto, os eleitores registrados deram aos democratas uma vantagem de 7,5 pontos sobre os republicanos, ante uma vantagem de 5 pontos no mês passado.

Candidatos republicanos em distritos disputados disseram ao FT nesta semana que estavam ansiosos para que o Maga Inc, grupo que apoiou a campanha presidencial de Trump, usasse seu fundo eleitoral de US$ 400 milhões para ajudá-los. Em um documento apresentado no sábado (5), o Maga Inc informou que estava gastando US$ 10 milhões em anúncios de apoio ao candidato republicano ao Senado pelo Texas, Ken Paxton, contra o democrata James Talarico.

"Embora o presidente Trump sempre tenha deixado claro que haveria perturbações temporárias em decorrência da Operação Fúria Épica [no Irã], o governo continua empenhado em implementar uma agenda econômica comprovada de cortes de impostos, desregulamentação e abundância energética", disse um porta-voz da Casa Branca.

"O relatório de empregos de agosto é a prova mais recente de que essa agenda continua criando empregos no setor privado e impulsionando a reindustrialização dos Estados Unidos —com mais crescimento e alívio pela frente para os americanos comuns."