1h. Eleições em Berlim. CDU cai para apenas 20% das intenções de voto
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Uma hora. Boa noite, o meu nome é Maria Miguel Marques. Vamos às notícias. A começar pela atualidade internacional. Um anúncio de Donald Trump: os Estados Unidos fizeram um acordo com a Dinamarca para o controle permanente da segurança da Gronelândia. Segundo o que escreveu o presidente norte-americano na rede social Truth Social, o acordo não terá qualquer custo para os Estados Unidos e vai impedir que países rivais instalem bases militares ou realizem investimentos estratégicos na Gronelândia sem autorização de Washington. Trump diz que houve um trabalho conjunto com representantes da Dinamarca e da Gronelândia para garantir que os Estados Unidos terão para sempre total capacidade para fazer o que for necessário naquele território. Trump diz estar orgulhoso de ser o presidente que resolveu, de forma permanente e definitiva, a questão da Gronelândia, após mais de um século de tentativas de líderes norte-americanos para adquirir a maior ilha do mundo. Entretanto, a Dinamarca confirmou a assinatura deste acordo através de um comunicado no site oficial da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen. Fala num grande acordo para a Gronelândia, a Dinamarca e para os Estados Unidos, que fortalece a segurança comum no Ártico e na região do Atlântico Norte. A líder da Dinamarca classifica ainda este acordo como vantajoso para a NATO e para toda a Europa. O acordo vitalício entre os três países deverá ser assinado já na próxima semana na Assembleia Geral da ONU. Ainda esta noite, Donald Trump baniu a CNN, o Político e a MSNBC da Casa Branca. A decisão tem efeitos imediatos. É pelo menos o que dá conta o presidente dos Estados Unidos na rede social Truth Social, numa publicação. Donald Trump alega que se trata de um resultado da constante cobertura de fake news. Mais tarde, na Sala Oval da Casa Branca, o presidente norte-americano detalhou esta decisão.
Porque são notícias falsas. E fico tão cansado de ler e ver notícias falsas. Quando olho para a CNN, é tudo falso. É por isso que as audiências deles não são boas. Quando olho para a NBC, que antes era a MSNBC, que até algumas pessoas chamavam de MSDNC, referindo-se a Comitê Nacional de Democratas, porque são notícias falsas. E olho para o Político. O governo do presidente Biden deu-lhes oito milhões de dólares para mantê-los em pé. As histórias que eles escrevem são falsas. E talvez ainda venham mais notícias, e talvez fiquem melhores, e seria bom tê-las. Mas o nosso país tem que ter notícias honestas.
São declarações do presidente norte-americano na Sala Oval da Casa Branca. Na Alemanha, as sondagens antecipam novas derrotas da CDU em eleições regionais. É uma atmosfera febril que paira sob a corrida regional disputada já neste fim de semana, desde já pelo facto de que está a ser disputada entre a extrema-direita e o centro-esquerda. É assim que o cientista político Andreas Busch caracteriza as eleições de Berlim ao Financial Times, numa altura em que, na capital da Alemanha, Beatriz Félix, as sondagens colocam agora a CDU com apenas 20% das intenções de voto.
É uma inversão dos papéis que se tem verificado na política nacional alemã. A CDU costumava ser o partido da estabilidade e senso comum. Kai Wegner, do partido, foi presidente da Câmara de Berlim desde 2023, preparava-se para assumir um segundo mandato à frente da cidade-estado. Contudo, suas críticas à gestão da crise provocada por um ataque à rede elétrica de Berlim, em janeiro deste ano, resultaram numa queda nas sondagens que acabou por levar Wegner a retirar a candidatura. Mas a troca de Wegner por Stefan Evers, o ministro das Finanças no governo regional, não foi suficiente para inverter a tendência. Uma sondagem da Wahlen para a ZDF, na semana antes das eleições, coloca a CDU com apenas 20% das intenções de voto. Wolfgang Munz, professor de Ciência Política na Universidade Rostock, antecipa que se a CDU se sair mal em Berlim e perder o presidente da Câmara, então muita pressão vai ser exercida sobre o chanceler do mesmo partido, Friedrich Merz. Mas a CDU não quer iniciar uma manobra arriscada de trocar Merz no atual contexto internacional. Uma carta assinada por oito líderes regionais da CDU destaca que a Alemanha vai continuar a precisar de um governo federal estável e eficaz. Se este apoio interno sobreviver ao pior cenário possível, o mais provável é que Merz volte a empreender movimentações dentro do governo à procura de uma renovação. Mas esta ferramenta já foi utilizada e, como podemos ver agora, não assegura a sustentabilidade a longo prazo.
A jornalista Beatriz Félix, com a reviravolta que se antecipa nas eleições regionais da Alemanha, que têm lugar já este fim de semana. É o artigo que faz manchete neste momento no site do Observador. É assinado pela jornalista Madalena Moreira. Na Rússia, começaram as eleições legislativas. São as primeiras desde o início da guerra na Ucrânia. Perante uma oposição limitada pelas autoridades, o partido Rússia Unida, apoiante do presidente Vladimir Putin, procura conservar a maioria constitucional. O único partido que quebra o consenso sobre a guerra na Ucrânia é o Yabloko, que o Supremo Tribunal Russo excluiu das eleições. Na análise, apesar de afirmar que a gênese do regime não vai mudar, Bernardo Valente, professor de Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, acredita que um dos partidos que vai a votos pode conseguir uma representação significativa.
A única esperança, e mais uma vez, mesmo que os resultados sejam muito controlados, há ainda uma pequena esperança que um partido ecologista, que não é necessariamente antiguerra, mas que preocupa-se bastante com as condições de vida de pessoas que têm sofrido muito com este conflito entre a Ucrânia e a Rússia, e a possibilidade de esse partido conseguir algum tipo de representação significativa, pode ser importante para essa população e é um partido que não tem grande simpatia por Vladimir Putin. Portanto, este é o momento em que estamos da política russa, sabendo que independentemente do resultado, a gênese do governo, a gênese do regime, não irá mudar.
Bernardo Valente foi o convidado do Gabinete de Guerra desta sexta-feira. O professor de Relações Internacionais considera ainda que um dos objetivos do Kremlin com estas eleições é demonstrar que é possível levar a cabo eleições durante o conflito, algo que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tem recusado.
O que Vladimir Putin vai dizer depois destas eleições é precisamente que se, por um lado, a Rússia avança com o ato eleitoral, a Ucrânia não teve a capacidade de o fazer, nem Volodymyr Zelensky teve a vontade política de levar a cabo esse ato eleitoral. Portanto, vai usar isso para legitimar também a sua narrativa, mais uma vez, de que Zelensky não tem vontade de ir a sufrágio e não tem essa vontade porque não é um líder democrático.
Bernardo Valente, professor de Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, no Gabinete de Guerra da Rádio Observador. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde propõe taxas moderadoras pagas à entrada dos hospitais e um sistema de checkout para evitar fugas a pagamentos. São propostas que foram apresentadas aos hospitais e à administração central do sistema de saúde para evitar a prestação de cuidados de saúde a não residentes que depois não pagam pelos serviços. Surgem na sequência de um estudo realizado em 2024, em que foi feita a análise do acesso de estrangeiros não residentes às 39 unidades locais do país. A conclusão revelou que só nos primeiros nove meses desse ano, mais de 92 mil não residentes tinham sido atendidos nas urgências, sendo que 49% não tinham seguros ou protocolos de saúde que assegurassem o pagamento dos cuidados que receberam. Em resposta ao Observador, a IGAS avança com algumas das recomendações que fez aos hospitais: a cobrança de taxas moderadoras à entrada no serviço de urgência e não à saída, como atualmente acontece, a instalação de pontos obrigatórios de checkout dos doentes, a revisão dos custos dos cuidados prestados e a divulgação pública dos valores em dívida de cidadãos estrangeiros atendidos nos hospitais públicos. As propostas estão em linha com o que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, defendeu no ano passado, altura em que prometeu mecanismos para travar despesas não pagas. Este é um artigo assinado pelo jornalista Tiago Caeiro e que pode ler com mais detalhe no site do Observador. O incêndio que deflagrou hoje à tarde num povoamento florestal em Aveiro já foi dado como dominado, sem registro de vítimas nem danos em habitações. O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da região de Aveiro confirmou à Lusa que o incêndio foi dado como dominado pelas 10h30. O responsável referiu ainda que o combate às chamas foi dificultado pelo vento forte que se fez sentir e pela pouca ou nenhuma limpeza do povoamento florestal de eucalipto. Este incêndio chegou a ser combatido por mais de três centenas de operacionais, auxiliados por 11 meios aéreos, e obrigou ao corte da A1, que entretanto já foi reaberta. Ponto final neste jornal da 1:00 a.m. A informação está de regresso com a síntese da 1:30 h.