Associação alerta para dificuldades no acesso à interrupção da gravidez

🗓️ 2026-09-12 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Em entrevista à Lusa a propósito dos 50 anos da UMAR, que se celebram hoje, Maria Idalina Rodrigues diz que a interrupção voluntária da gravidez (IVG) é uma das questões que mais preocupa atualmente a associação, que aponta dificuldades em vários serviços de ginecologia e obstetrícia.

A dirigente dá como exemplo o Hospital Garcia de Orta, em Almada, que, em meados de agosto, suspendeu as IVG, que passaram a ser garantidas por uma clínica privada em Lisboa, o que levou a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) a avançar com uma "ação inspetiva" à unidade hospitalar.

Maria Idalina Rodrigues refere que existem serviços com falhas de profissionais e que os processos podem tornar-se demorados, fazendo com que algumas mulheres sejam encaminhadas de um local para outro e acabem por ultrapassar o limite legal de 10 semanas de gestação para fazer uma interrupção de gravidez.

"Portanto, isto é uma questão grave e nós sabemos que há muitas mulheres que têm de ir para outros locais para fazer a interrupção", afirma.

A dirigente sublinha que essa deslocação pode representar custos para as mulheres, recordando que antes da legalização da IVG algumas mulheres com capacidade económica recorriam inclusivamente a outros países, como Espanha, para interromper a gravidez.

O aborto foi, aliás, uma das lutas históricas da UMAR. Após o 25 de Abril, a organização integrou uma plataforma de unidade que defendia que as mulheres deveriam ter capacidade para decidir por si próprias. O movimento culminou no SIM no referendo de 2007.

Para responder às atuais dificuldades, Maria Idalina Rodrigues aponta algumas medidas concretas, como permitir que determinadas consultas de IVG sejam realizadas nos centros de saúde, sem necessidade de encaminhamento para o hospital.

Defende também que a interrupção medicamente assistida possa ser realizada nos centros de saúde, mediante formação dos médicos e enfermeiros, e que o Serviço Nacional de Saúde contrate profissionais que não sejam objetores de consciência para reduzir as dificuldades existentes.

A questão da IVG é enquadrada pela dirigente num problema mais amplo de dificuldades no Serviço Nacional de Saúde, que, na sua opinião, não tem tido investimento suficiente e enfrenta uma crescente canalização de respostas para o setor privado.

Maria Idalina Rodrigues considera ainda que problemas como saúde, educação e habitação continuam a ser prementes na vida das mulheres atuais, juntando-lhes questões como a violência nas escolas, a violência no namoro e a violência doméstica.

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