Astra: o que o novo ChatGPT tem de novo mesmo
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A OpenAI lançou nesta quinta (3), o GPT-6 Astra. O novo modelo começará a chegar nos próximos dias aos assinantes dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise. Por enquanto, a empresa não anunciou quando, ou mesmo se, ele será liberado para usuários gratuitos.
Para o cidadão comum, é até difícil dar conta de tanta novidade que surge nessa indústria, não? A pessoa mal deu conta de se atualizar do ChatGPT 5.6, que chegou em julho, e lá vem mais novidade.
Calma, segura minha mão. Respira. Você não precisa saber tudo.
Mas, para facilitar, listei aqui algumas das coisas mais relevantes para o usuário comum dessas máquinas.
Ótima notícia: Astra apresentou menos alucinações
Sempre orientei meus leitores e alunos a desconfiar de tudo que a IA entrega em respostas. Pode baixar a guarda agora? Não. Mas pelo menos parece ter havido avanço.
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Num teste da Artificial Analysis, empresa independente especializada em comparar o desempenho de modelos de IA, a taxa de alucinação caiu de 92% no GPT-5.6 Sol para 51% no Astra. Outra métrica, que mede o grau de precisão, apresentou melhora de 4 pontos.
Diante disso, o leitor pode argumentar: “Mas a IA erra 51% das respostas? Não pode ser!” E não pode ser mesmo. É que nesse teste os modelos são submetidos a situações intencionalmente mais complicadas, que favorecem o aparecimento de alucinações. A ideia é ver como a IA se comporta em casos extremos. E, pelo
Outra dúvida que talvez tenha surgido na sua cabeça tenha a ver com a semelhança entre “diminuir alucinação” e “aumentar a precisão”. Embora as duas coisas sejam próximas, tratam de métricas diferentes. Nesse teste, os pesquisadores analisam como a IA se comporta quando não sabe uma resposta (e inventa) e como ela performa ao responder perguntas numa prova, por exemplo (acurácia).
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Agentes que precisam de menos supervisão
Mandar uma IA navegar por sites, preencher formulários ou trabalhar dentro de programas já é possível há algum tempo. A Anthropic apresentou seu computer use em 2024, enquanto OpenAI e outras empresas desenvolveram agentes semelhantes depois. Portanto, ver o Astra mexendo sozinho num computador não deveria causar espanto por si só.
O avanço está em quanto trabalho ele consegue executar antes de precisar ser corrigido, orientado ou resgatado pelo usuário.
No OSWorld 2.0, benchmark que simula tarefas dentro de um computador, o Astra chegou a 72,6% de desempenho, contra 65,7% do GPT-5.6 Sol. Mais interessante é que, numa simulação de tempo, concluiu as tarefas em aproximadamente 40 minutos, ante 75 minutos do antecessor, redução de 47%.
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Trabalho profissional mais longo e complexo
Outra aposta forte está em tarefas que começam com muita informação e terminam num arquivo utilizável. O Astra foi treinado para produzir documentos, planilhas e apresentações, seguir modelos fornecidos pelo usuário e manter-se orientado durante trabalhos com várias etapas. Vamos ver se, no dia a dia, ela vai fazer a gente passar menos raiva, né? (Eu sei que você me entendeu, leitor! Uma coisa é o desempenho dos modelos em testes iniciais, a outra é o comportamento na vida real das pessoas, afinal.)
Matemática mais forte
Em matemática avançada, o Astra chegou a 97,6% no FrontierMath Tier 4, um benchmark formado por problemas extremamente difíceis. É um resultado forte e indica avanço real nessa área específica.
Mais inteligente no geral? A diferença é menor
Quando ampliamos a avaliação, porém, o salto diminui bastante. No Intelligence Index da Artificial Analysis, que reúne diferentes testes de raciocínio, ciência, programação, conhecimento e outras capacidades, o Astra marcou 61 pontos, praticamente o mesmo resultado do GPT-5.6 Sol.
Novo ChatGPT e riscos de cibersegurança
O ganho de capacidade também chegou à segurança. O Astra é o primeiro modelo da OpenAI classificado no nível “crítico” de capacidade de cibersegurança segundo o sistema interno da própria empresa. Com as ferramentas e acessos adequados, demonstrou conseguir encontrar vulnerabilidades desconhecidas e desenvolver formas de explorá-las sem que uma pessoa oriente cada etapa. Por causa disso, as funções cibernéticas mais sensíveis terão acesso restrito.
Existe ainda uma preocupação menos visível. Pesquisadores da própria OpenAI reconhecem que acompanhar o raciocínio de modelos mais avançados está ficando mais difícil. O Astra apresentou maior capacidade de ocultar ou disfarçar partes do processo usado para resolver determinados problemas.
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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda
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