Ataques na Cisjordânia provocam escalada de conflito no território e o aumento da presença israelita

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Um ataque de colonos israelitas em Till, na Cisjordânia, provocou seis mortos — quatro palestinianos e dois israelitas — e oito feridos. Os colonos atacaram várias casas e abriram fogo contra palestinianos, segundo as autoridades locais, citadas pela Al Jazeera.

Na quinta-feira, dois episódios de esfaqueamento por parte de palestinianos tiveram lugar em Beit Furik e Tubase que resultaram em incursões lançadas pelas Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla inglesa).

Os incidentes provocaram uma escalada de confrontos numa região já muito tensa e que levou ao aumento dos ataques de colonos contra palestinianos e ao reforço da presença das Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla inglesa) na Cisjordânia.

Num comunicado conjunto, citado pelo The Times of Israel, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram a intensificação das operações militares contra “focos de terrorismo” na região, incluindo a demolição da casa do suspeito de um tiroteio que na quinta-feira matou um israelita, em Till.

Além disso, os dois governantes anunciaram o reforço da presença militar de Israel em toda a Cisjordânia, juntamente com a legalização de postos avançados agrícolas de colonos e a criação de novos postos de controlo. Do mesmo modo, Netanyahu ordenou a aceleração da legalização de colonatos na Cisjordânia, que são ilegais perante o direito internacional.

Na região de Nablus, colonos abriram fogo contra residentes e atacaram uma ambulância perto do posto de controlo israelita de Zaatara, tendo disparado contra palestinianos e incendiado uma casa em Urif. Além disso, ocuparam Odala, onde instalaram um acampamento, referem a Al Jazeera e a agência de notícias palestiniana Wafa.

Israeli settler terrorists attacked the Palestinian village of Urif in the West Bank, setting homes and vehicles on fire and attempting to burn a family alive inside their home. pic.twitter.com/eJ0ZKBN5jw

— Ihab Hassan (@IhabHassane) July 24, 2026

Na mesma região, militares israelitas invadiram o hospital central e prenderam duas pessoas — que estavam feridas — suspeitas do ataque em Till.

Na aldeia de Surra, colonos israelitas incendiaram casas, campos e veículos civis, enquanto em Madama houve confrontos entre jovens palestinianos e militares israelitas. Os ataques em Surra provocaram três feridos, segundo a Wafa.

Em Ramallah, colonos danificaram canos de água em Ein Samia e bloquearam acessos à cidade, refere a agência de notícias. Em Al-Naqoura, colonos incendiaram campos e casas, sendo que os residentes temem um “pogrom”, de acordo com o ativista cristão palestiniano Ihab Hassan, no X.

BREAKING: Israeli settler terrorists are attacking the village of Al-Naqoura in the West Bank, setting fields on fire and attacking homes.

Residents fear that the attacks could escalate into a pogrom. pic.twitter.com/KIGevlR2cY

— Ihab Hassan (@IhabHassane) July 24, 2026

Em Haris, as forças israelitas isolaram a entrada da aldeia e abriram fogo contra a população, além de lançarem granadas de atordoamento. Do mesmo modo, fecharam os acessos às cidades de Deir Istiya e Deir Ballut, na região de Salfit da Cisjordânia.

Os ataques foram condenados pela Organização para a Cooperação Islâmica, que pediu a responsabilização de Israel e dos colonos, e pela Presidência da Autoridade Palestiniana, cita a Wafa.

A Organização para a Cooperação Islâmica condenou “a escalada de terrorismo dos colonos e os crimes hediondos cometidos contra civis palestinianos com a proteção e participação das forças de ocupação de Israel e gangs de colonos” e pediu “proteção internacional para o povo palestiniano”.

A Presidência da Autoridade Palestiniana apelidou os incidentes de “terrorismo” e denunciou os ataques às várias cidades e vilas, assim como ao Hospital de Nablus.

Do mesmo modo, os Médicos Sem Fronteiras condenaram a ação das IDF por prenderem as duas pessoas suspeitas da morte dos dois cidadãos israelitas e afirmaram que estes casos “não são isolados”, mas “inserem-se num padrão mais amplo de incursões israelitas, violência de colonos patrocinada pelo Estado, interrupção de serviços essenciais e crescente pressão sobre civis e o sistema de saúde“.

West Bank, Palestine – We are deeply alarmed by reports coming out of Nablus today including that of Israeli forces storming Nablus Specialised Hospital, alongside clashes elsewhere in the governorate that have killed four Palestinians and two Israeli soldiers.

These violent…

— MSF International (@MSF) July 24, 2026

Os ataques por parte de colonos na Cisjordânia têm aumentado nos últimos meses. Desde o início do ano, foram registados mais de 1.330 incidentes, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, 50 dos quais resultaram em vítimas, danos materiais ou ambos. Cerca de 60% dos ataques aconteceram nas regiões de Nablus e Ramallah.