Alicia Klein: Athletico planta mais uma semente da cultura do estupro

🗓️ 2026-08-19 📁 sports 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Léo Derik em ação durante jogo entre Athletico e Corinthians pelo Brasileirão
Léo Derik em ação durante jogo entre Athletico e Corinthians pelo Brasileirão Imagem: Robson Mafra/AGIF

O lateral do Athletico-PR Léo Derik foi condenado a 13 anos de prisão por estuprar duas vezes a mesma mulher, em 2023 e 2024. Vale repetir: ele foi condenado. Cabe recurso e ele vai recorrer em liberdade porque assim é a nossa Justiça.

Uma magistrada avaliou todo o conjunto probatório, os depoimentos do jogador e da vítima e decidiu que ele era culpado. Por dois estupros. Os detalhes do caso são, como sempre, assombrosos.

Foi, logicamente, afastado do Furacão, certo? Não.

Perguntado sobre a permanência do atleta no elenco, o técnico Odair Hellmann respondeu o seguinte: "Existe o posicionamento do clube, e existe uma decisão técnica. A decisão técnica foi tomada e a gente vai avaliar a cada partida. Ele treina normalmente, e as decisões técnicas cabe ao treinador tomá-la, como eu tomei hoje". Acrescentou ainda que "administra tudo isso primeiro com responsabilidade, com equilíbrio, para que a gente possa fazer as melhores escolhas. Eu sou um líder técnico, existe um clube, uma hierarquia, eu como líder técnico respondo por isso, respeito a hierarquia, sou funcionário do clube".

Responsabilidade e equilíbrio. Decisão técnica e hierarquia. Nada disso parece levar em conta a possibilidade uma mulher ter tido a sua vida arruinada por alguém que não só permanecerá livre, por ora, como seguirá trabalhando, exercendo uma profissão com imensa visibilidade. Sendo exemplo.

Normalmente é um termo que também não poderia se aplicar a essa situação, até porque com certeza não se aplicará a nenhum dia da vida da vítima de Derik.

Talvez Hellmann e o clube não se deem conta de que toda vez que um homem condenado por estupro é abraçado pela sociedade, outros homens se sentem mais confortáveis para nos violentar e menos mulheres se sentem encorajadas a denunciar seus agressores. Ou talvez não se importem em se tornar cúmplices, reforçando uma dinâmica que favorece a sua classe.

Seja qual for a motivação para manter um estuprador treinando, está plantada mais uma semente da pujante cultura do estupro do futebol brasileiro.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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