Ativista climático suspeito de atos de sabotagem na rede elétrica alemã
A polícia procura "um homem de 48 anos" natural da Renânia do Norte-Vestfália e que "teria redigido uma carta de reivindicação que teria sido autenticada", anunciou o ministro do Interior dessa região, Herbert Reul, durante a conferência de imprensa conjunta realizada em Dusseldorf.
Este homem, natural de uma pequena cidade da Renânia do Norte-Vestfália, no oeste do país — região onde ocorreram a maioria dos supostos ataques —, enviou duas cartas de reivindicação que chegaram tanto às forças de segurança como aos meios de comunicação social, confirmou Reul.
Uma das cartas contém detalhes muito precisos sobre o engenho e o material utilizados, o que leva a supor que o autor do texto possa estar relacionado com os factos, salientou.
Durante a busca à sua habitação, situada na mesma região, a polícia encontrou "substâncias suspeitas ou objetos suspeitos de serem explosivos", indicou Reul.
A investigação "por sabotagem dirigida contra a ordem constitucional" segue duas pistas, acrescentou ainda o ministro regional: "um possível motivo de extremismo de esquerda e uma sabotagem eventualmente orquestrada por um Estado estrangeiro".
Recordou que, na sequência de um corte de energia ocorrido na terça-feira em Bergheim, perto de Colónia, no oeste do país, que afetou cinco unidades de duas centrais elétricas, a polícia encontrou vários dispositivos que causaram o curto-circuito.
Na quinta-feira à noite, a polícia encontrou tubos com cabos e temporizadores direcionados para uma subestação elétrica em Domagen, entre Colónia e Dusseldorf, num incidente classificado como tentativa de sabotagem.
Nas suas cartas, o autor também indicou outros alvos onde supostamente tentou provocar curto-circuitos.
"Nesta fase, devemos partir do princípio de que se trata aqui de extremismo climático", afirmou o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt.
Nos últimos meses, a Alemanha tem enfrentado ataques repetidos contra as suas infraestruturas energéticas, alguns dos quais reivindicados por ativistas climáticos.
A 03 de janeiro, um incêndio numa instalação elétrica, reivindicado pelo grupo Vulkangruppe (Grupo Vulcão, em português), deixou mais de 100.000 pessoas em Berlim sem luz.
Desde então, a investigação tem enfrentado dificuldades.
Esta recente série de supostos ataques acentuou ainda mais o clima de vigilância em relação às infraestruturas críticas do país, já exacerbado pelos atos de sabotagem e espionagem de que Berlim acusa Moscovo desde o início da guerra na Ucrânia.
Está agora a ser investigado se o autor das cartas está realmente relacionado com os factos, se agiu sozinho ou se houve outras pessoas envolvidas e se existe alguma ligação com outro atentado, também considerado sabotagem, perpetrado contra uma subestação elétrica em Brandeburgo, no leste do país, situada perto da central térmica de Janschwalde.
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