Augusto Cury declara apoio a Flávio Bolsonaro, que promete cumprir lista de exigências
Cury tinha declarado neutralidade no início da semana
O escritor de livros de autoajuda e candidato presidencial do Avante, Augusto Cury, que ficou em terceiro lugar na primeira volta na corrida ao Palácio do Planalto, declarou apoio a Flávio Bolsonaro, do PL, na noite de quinta-feira.
"Tive com Flávio uma longa conversa, olho no olho, sem filtros e sem rodeios. Disse-lhe claramente que não participaria de seu governo e que minha independência de pensamento seria inegociável", afirmou.
Cury teve pouco mais de 3,4 milhões de votos válidos no último domingo, o equivalente a 2,89% do total de votos escrutinados, e conquistou apoio de eleitores indecisos, de pessoas contrárias à polarização e por se apresentar genuinamente como um estreante na política.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Cury destacou que o apoio não envolve negociação de cargos ou influência, mas pelo facto de Flávio ter assinado o compromisso de cumprir uma lista de propostas entregues pelo escritor.
Entre estas, e de forma genérica, citou o fim da reeleição, revolução na educação com valorização dos professores, mudança na saúde com uso da telemedicina, proteção "integral às mulheres", apoio às cooperativas, financiamento para "milhões de micro empresas" através dos bancos públicos, revolução na agricultura com o objetivo da duplicação da produção de alimentos, pacificação nacional.
Por fim, sinalizou ainda que o apoio "não é um cheque em branco" e explicou que, embora não tenha nada "pessoal" contra Lula, não é a favor do projeto económico do atual Presidente brasileiro.
"Desde o primeiro turno, escolhi o silêncio. Porque há tempo de falar e há tempo de calar. E as grandes decisões não nascem do barulho, mas da reflexão e da consciência. Sempre defendi que as dores do ser humano não têm cor partidária".
Augusto Cury tinha declarado neutralidade no início da semana.
"Sou radicalmente contra a reeleição, pois ela favorece a perpetuação no poder, o populismo e enfraquece a renovação democrática. Também sou contra o modelo económico, com esses juros altíssimos", completou o escritor de 68 anos.
"Por isso, não posso apoiar Lula. Não é pessoal, é por causa do projeto. Quanto a Flávio Bolsonaro, fui exigente. Afirmei que precisamos de um governo para todos, sem ódio, sem vingança", realçou.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro agradeceu o apoio na sua tradicional "live" de quinta-feira, exibindo o vídeo de Augusto Cury.
Flávio referiu-se ao novo aliado como "pessoa bem intencionada" e que "emprestou o seu conhecimento" ao debate público e confirmou ter assinado o documento intitulado "Termo de compromisso público com o Brasil - Flávio Bolsonaro com Augusto Cury".
Tendo conquistado 2,2 milhões a mais de votos que o atual Presidente, Lula da Silva, na primeira volta, Flávio contabilizou a série de apoios de candidatos e partidos que teve nos últimos dias para ironizar o seu principal adversário.
"Até o Lula vai declarar apoio a mim. Porque ele sabe que é para salvar o país", declarou, voltando a 'decretar' o fim da era dos governos do Partido dos Trabalhadores.
Entre os candidatos presidenciais que declaram apoio a Flávio nos últimos dias estão Romeu Zema (Novo), o quinto mais votado, Ronaldo Caiado (PSD), quarto colocado, e Clariana Barão (DC), que ficou em oitavo lugar.
Flávio teve ainda apoio de cinco grandes partidos de centro e direita esta semana, enquanto Lula da Silva conquistou o apoio de candidatos de pequenos partidos de esquerda, que tiveram votação inexpressiva no último domingo.