Avaliação: Leapmotor B10 não nega a origem, mas “acerto Stellantis” faz a diferença - Mundo do Automóvel para PCD

🗓️ 2026-09-20 📁 auto 📝 ⏱️ 👁️ : -

Em um mercado repleto de players chineses e modelos eletrificados, a Stellantis, um dos maiores conglomerados automotivos do mundo, não poderia ignorar esse segmento.

Sobretudo no Brasil, onde os consumidores ampliam gradualmente a procura por modelos 100% elétricos e híbridos. Por isso, o grupo responsável por marcas como Fiat, Jeep e RAM adquiriu uma participação na Leapmotor em 2023.

A operação resultou em uma joint venture voltada à expansão da marca chinesa para outros mercados. Além disso, a Leapmotor possui uma trajetória relativamente curta, já que iniciou suas atividades em 2015.

Na China, seu país de origem, a fabricante mantém um portfólio eletrificado diversificado. No Brasil, entretanto, a marca iniciou sua operação com os SUVs médios B10 e C10, ambos com ampla oferta tecnológica.

Para conhecer melhor a proposta da fabricante, realizamos um teste com o B10 em parceria com a Leapmotor PG Prime, em Natal-RN.

Confira, portanto, alguns pontos acerca do SUV de R$ 182.990 e que tem vendas destinadas ao público PcD:

Design chama a atenção

Desde o desembarque da Leapmotor no Brasil, em 2025, observo com apreço o design dos modelos da marca.

Tanto o B10 quanto o C10 adotam linhas menos carregadas e evitam excessos visuais. Com isso, os dois modelos apresentam um desenho coeso, que chama atenção mesmo com propostas mais simples. No B10, a dianteira utiliza um conjunto óptico dividido. Os LEDs diurnos ficam na parte superior, enquanto os faróis principais ocupam a região inferior.

Além disso, o sistema de iluminação apresenta boa eficiência e reforça a proposta visual adotada pela marca no SUV. Na lateral, o modelo utiliza rodas diamantadas de 18” com pneus 225/55. As maçanetas embutidas não contam com acionamento elétrico.

Por outro lado, o acabamento em black piano aparece nas maçanetas e nas colunas. Novamente, o conjunto evita excessos e mantém uma composição visual equilibrada. Na traseira, a iluminação utiliza LEDs em todas as funções. As lanternas também ficam conectadas por uma barra central, recurso comum entre modelos chineses.

Em alguns veículos, essa ligação recebe iluminação, enquanto outros utilizam apenas o elemento visual. No B10, a solução integra o desenho traseiro. Assim como no C10, a Leapmotor posiciona a placa no para-choque. Dessa forma, a marca mantém uma identidade visual semelhante entre os dois SUVs.

Nível de tecnologia embarcada agrada

Como também é de praxe em carros de marcas chinesas, esqueça pacotes opcionais, ou seja, enquanto em alguns veículos tradicionais nessa faixa de preço é preciso somar pacotes para ter uma lista de equipamentos compatível, o B10 traz já de série uma soma de recursos bem interessante.

Dito isso, traz sete airbags, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, teto panorâmico bastante amplo em que o vidro não abre, mas a cortina tem acionamento automático, central multimídia bastante completa com Android Auto/Apple CarPlay sem fio (recursos ausentes no irmão maior C10), entre outros.

Ademais, possui ampla lista de assistência ao condutor (ADAS), com piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa com centralização, alerta de ponto cego e farol alto automático, além de detector de fadiga do motorista.

Inclusive, vale pontuar que os assistentes funcionam de forma bem satisfatória, mas a ativação do piloto automático e do centralizador de faixa, embora fácil, não é algo rápido de se achar.

Para ativar apenas o ACC, basta guiar para baixo o seletor de marchas do carro uma vez, enquanto para ativar também a centralização tem que ser esse mesmo movimento por duas vezes.

Desempenho e autonomia

Inicialmente, falando do que a ficha técnica do Leapmotor B10 traz, seu 0 a 100 km/h é feito em 7 segundos, o que é um tempo bastante interessante se considerarmos a faixa de preço e a proposta do modelo. Afinal, o carro possui um motor elétrico traseiro somente, rendendo 218 cavalos de potência e 24,5 kgfm de torque instantaneamente.

Com uma bateria de 56,2 kWh, ou seja, de uma capacidade bem significativa, o modelo possui uma autonomia pelo INMETRO de 288 km, mas a realidade é que o modelo elétrico da Stellantis tem uma autonomia real bem superior a essa divulgada.

Pois bem, não foi possível testarmos a autonomia total do veículo, mas ao retirá-lo da concessionária, menciono que ele estava com 70% de carga e a autonomia apontada era de 246 km, mas evidentemente, tal qual em um veículo a combustão, o percurso dado no painel varia de acordo com forma de condução, entre outros fatores.

Contudo, visando ter ao menos uma experiência de carregamento com o carro, quando a bateria estava perto de 30%, fui testar um carregador rápido e em questão de poucos minutos eu tinha 75% de carga disponível e uma grata surpresa – 286 km de autonomia.

Logo, embora não seja possível cravar, a autonomia real de um Leapmotor B10 tende a ser algo perto de 400 km. Portanto, bem generosa!

Carregamento rápido faz a diferença

Um dos principais argumentos de compra de um carro elétrico, além dos custos menores, vem ser a praticidade, sobretudo para usos urbanos.

Com o Leapmotor B10, isso é garantido, pois ele tem suporte para carregamento rápido (DC) de até 140W em 16 minutos entre 30 e 80%, embora seja sabido que para a boa saúde da bateria não recomendado utilizar-se de carga rápida rotineiramente.

Em carga lenta (AC), por sua vez, são 6,8 horas para ir de 0 a 100%, ou seja, facilmente em uma noite de sono o proprietário pode ter seu veículo carregado de forma plena.

Rodando, DNA Stellantis está presente

Chega de falar de pontos superficiais e visíveis e é hora de falar do comportamento do modelo. Aqui, fica nítido o acerto promovido pela Stellantis para nosso mercado, afinal, ela é o guarda-chuva de marcas de peso em nosso mercado, como a Fiat.

Com isso, a expertise de Brasil do grupo poderia ser muito bem aplicada e foi, de fato.

Na direção, de assistência elétrica, a leveza é altamente perceptível e inicialmente achei um tanto exacerbada, mas ela é bem progressiva e conforme a velocidade vai aumentando, o nível de rigidez dela acompanha de modo a transmitir a segurança necessária para a condução.

Já a suspensão, por sua vez, filtra muito bem as irregularidades do solo, transmitindo também a robustez necessária para encarar as ruas deficitárias do nosso país, bem como a dinâmica acertada para que o carro nas rodovias não seja molenga – como é tradicional de veículos de origem chinesa sem a tropicalização tão maciça.

Ou seja, nem é um carro rígido demais para ser chamado de desconfortável, muito menos um carro bobo para ser chamado de perigoso ou instável.

Para PcD, vale a compra?

Finalizo essa matéria respondendo uma pergunta de bastante pertinência, haja visto que o B10 é um dos poucos carros totalmente elétricos vendidos para o público PcD com isenção e, entre os SUVs, tem apenas ele e o GAC Aion Y – embora sua proposta seja mais de minivan.

No quesito preço, em setembro de 2026, com isenção de IPI e bonificação, o Leapmotor B10 custa R$ 164.390, portanto, uma redução bem significativa perto dos R$ 182.990 de preço público geral. Com isso, ele fica em uma faixa que tem uma infinidade de SUVs “tradicionais” a combustão e alguns híbridos, como Omoda 5 HEV e Toyota Yaris Cross.

Considerando, portanto, os fatores de ser um exemplar totalmente elétrico, ter uma lista de equipamentos de série ampla, assim como a tecnologia embarcada, sem falar no acerto Stellantis e no lastro do grupo no mercado brasileiro, o Leapmotor B10 é uma opção bem racional para o cliente PcD.

Ao mesmo tempo, pondere se um veículo totalmente elétrico é condizente para a sua realidade. Isso, pois ao invés de ser um amigo da sua rotina, pode acabar se tornando um complicador dela.