Azerbaijão perdoa francês na origem de retirada de sanções a oligarca
Martin Ryan, nascido em 1988, está entre os 20 indivíduos hoje perdoados e é o único cidadão francês nesta lista, após a sua detenção em 2023 por alegada espionagem.
O presidente azeri, Ilham Aliyev, teve em conta "as suas personalidades, estado de saúde e situação familiar", de acordo com o decreto publicado no 'site' presidencial.
A diplomacia de Paris saudou o perdão como um "gesto humanitário", que resultou de "um diálogo paciente e exigente com as autoridades azeris".
Paris pressionou os Estados-membros da UE para levantarem as sanções contra o multimilionário Alisher Usmanov, considerado próximo do regime de Baku, no âmbito de um acordo de libertação de prisioneiros que envolvia cidadãos franceses detidos no Azerbaijão.
Seguindo os passos da França, o Luxemburgo também solicitou e obteve o levantamento das sanções contra outro oligarca, o russo-israelita Mikhail Fridman, que exigia 15 mil milhões de euros ao Grão Ducado de compensação pelas penalizações europeias a que estava sujeito desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
O levantamento, anunciado na terça-feira, das sanções da União Europeia contra os dois oligarcas, conhecidos pela sua proximidade com o Kremlin e acusados de apoiar o esforço de guerra contra a Ucrânia, provocou fortes protestos em Kiev.
"Numa altura em que a Rússia está a realizar ataques brutais contra o nosso povo (...) enviar sinais sobre o levantamento das sanções contra os oligarcas russos é uma atitude autodestrutiva e contraproducente", criticou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiga, foi mais longe e condenou uma decisão "vergonhosa e injustificável".
A renovação do pacote de sanções europeias encontrava-se bloqueada há vários dias devido às exigências de França e Luxemburgo sobre os dois oligarcas russos, que contavam por sua vez com a oposição da Letónia.
A presidência irlandesa do Conselho da União Europeia considerou que o acordo sobre as sanções por violação da integridade territorial da Ucrânia foi um "compromisso difícil" e implicou a "retirada de alguns indivíduos da lista".
A Letónia justificou posteriormente que, para impedir que o pacote de sanções expirasse, decidiu abster-se na votação e avançar com sanções nacionais a Usmanov e Fridman.
Paris tem vindo a pedir a libertação de Martin Ryan há meses, depois de ter sido condenado a 10 anos de prisão no Azerbaijão, em março de 2026, por espionagem.
O empresário, que vivia em Baku há vários anos, foi detido em 04 de dezembro de 2023 pelas autoridades azeris, que o acusaram de trabalhar para os serviços de informação franceses.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês sempre rejeitou "categoricamente" esta alegação e classificou a detenção como "arbitrária".
De acordo com a acusação, Martin Ryan terá recolhido informações sobre as relações de Baku com a Turquia, o Irão e o Paquistão, bem como empresas ligadas à Rússia e à China, e ainda questões relacionadas com Nagorno-Karabakh, um enclave que há muito está no centro de um conflito armado entre o Azerbaijão e a Arménia.
De acordo com o decreto presidencial azeri hoje publicado, além de Martin Ryan, foram libertados mais quatro estrangeiros: um russo, um paquistanês e dois turcos.
Outro cidadão francês, o empresário Anass Derraz, está preso no Azerbaijão, depois de ter sido condenado a 12 anos de prisão em novembro de 2025, num caso em que foi acusado de aceitar subornos de um oligarca russo.
As relações bilaterais entre a França e o Azerbaijão deterioraram-se acentuadamente depois de Baku ter retomado o controlo da região de Nagorno-Karabakh em setembro de 2023.
As autoridades azeris criticaram o apoio francês à Arménia, enquanto Paris as acusava de interferir nos seus territórios ultramarinos.
Em maio, o Presidente francês, Emmanuel Macron, falou por telefone com Ilham Aliyev em pleno período de agravamento das relações entre os dois países.

Retirada de sanções a oligarcas russos é "vergonhosa e injustificável"
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiga, classificou hoje como "vergonhosa e injustificável" a decisão da União Europeia (UE) de retirar sanções contra dois oligarcas russos acusados de cumplicidade com a invasão da Ucrânia.
Lusa | 19:59 - 22/09/2026