B3 estreia Ibovespa em dólar nesta segunda; entenda o que muda para o investidor
A B3 começa a divulgar nesta segunda-feira, 14, uma versão do Ibovespa calculada em dólares. Batizado de Índice Ibovespa B3 em Dólares Americanos, o novo indicador permitirá acompanhar o desempenho do principal índice da Bolsa brasileira levando em consideração também as oscilações do real frente à moeda americana.
A carteira de referência continua sendo a do Ibovespa tradicional. A diferença está na moeda utilizada para expressar seu desempenho. A conversão será feita pela taxa WMR, referência cambial calculada pela WM/Reuters e utilizada internacionalmente por gestores, bancos centrais e índices financeiros.
A taxa é atualizada diariamente às 16h no horário de Londres. Ao fim de cada pregão, a B3 disponibilizará duas versões do novo indicador, uma de fechamento e outra de liquidação, por meio do canal Indices on Demand.
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Por que olhar o Ibovespa em dólar?
Na prática, a nova referência ajuda a mostrar como o desempenho das ações brasileiras é percebido por quem investe a partir do exterior. Uma valorização expressiva do Ibovespa em reais pode se transformar em um ganho menor em dólares caso a moeda brasileira perca valor no mesmo período. No sentido contrário, a valorização do real pode potencializar o retorno quando convertido para a moeda americana.
Essa diferença fica evidente quando se olha para os recordes históricos. Na sexta-feira, 11, o Ibovespa encerrou aos 187 206 pontos. Convertido para dólares, porém, estava na faixa de 36,5 mil pontos. O maior nível histórico do índice em moeda americana ainda remonta a 20 de maio de 2008. Na ocasião, os 73.517 pontos registrados pelo Ibovespa correspondiam a 44.638 pontos quando convertidos para dólar. Isso significa que, apesar dos recordes recentes em reais, a Bolsa brasileira ainda estava cerca de 22% abaixo de seu pico histórico quando medida na moeda americana.
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Para investidores estrangeiros, a divulgação oficial também padroniza uma conta que até agora precisava ser feita separadamente para comparar a rentabilidade das ações brasileiras com mercados como o americano. Para o investidor local, o indicador cria uma referência adicional para avaliar o desempenho da Bolsa brasileira em moeda forte.
A estreia acontece poucos dias depois de outra mudança anunciada pela B3 para o Ibovespa. A Bolsa informou que BDRs de companhias brasileiras poderão integrar o universo de ativos elegíveis para compor o índice. A alteração está prevista para entrar em vigor no primeiro quadrimestre de 2027.