Bab el-Mandeb. Houthis ameaçam fechar estreito e estrangular ainda mais as rotas do petróleo

🗓️ 2026-07-20 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

Os Houthis do Iémen, aliados do Irão no enfrentamento contra os Estados Unidos e Israel, ameaçam agora Riade com um bloqueio naval no Estreito de Bab el-Mandeb, que se juntaria ao estrangulamento das rotas mundiais do petróleo em Hormuz.

Em comunicado, os Houthis declararam “um embargo marítimo contra o inimigo criminoso saudita, baseado na equação de ‘olho por olho’, com efeito imediato”.

Afirmam os Houthis que se trata de uma decisão que responde ao que consideram de “um cerco injusto e opressor” imposto ao Iémen pela Arábia saudita.

Já em 2023, durante a ofensiva de Israel contra o território palestiniano da Faixa de Gaza, os Houthis entraram no conflito para condicionar a operação israelita mediante de ameaças constantes contra navios no Mar Vermelho. Realizou então vários sequestros, acrescentando ataques com drones e mísseis, que visariam também o território do inimigo sionista.

Os bombardeamentos recorrentes contra a navegação internacional obrigaram as transportadoras marítimas a desenhar novas rotas, rumando ao Cabo da Boa Esperança, contornando a costa africana, o que encareceu desde logo os custos do transporte.

Com os condicionamentos a quem tem estado sujeito nos últimos meses o Estreito de Hormuz, no lado oposto, controlado pelo Irão, a Arábia Saudita tem-se apoiado na passagem em Bab el-Mandeb, a porta de entrada sul do Mar Vermelho, para exportar diariamente cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo e combustíveis relacionados.

A maior parte destes produtos terá como destino a Ásia.

Numa intervenção televisiva esta segunda-feira, o porta-voz das forças Houthis, Yahya Saree, justifica a medida agora anunciada como resposta contra o “contínuo cerco saudita” ao Iémen. O porta-voz militar acusa Riade de manter há anos portos e aeroportos fechados, impondo restrições terrestres, marítimas e aéreas.

Estrangulamentos das vias do petróleo mundial

O encerramento total de Bab el-Mandeb significa uma pausa nas exportações de petróleo saudita para a Ásia, podendo reduzir o fornecimento global de petróleo em 7 por cento, o que levou os aliados dos sauditas no Iémen a responder que essas “ameaças são uma violação do direito internacional, mais típicas da pirataria marítima”.

Com as contas a pontar a uma queda de 10 por cento nos fluxos internacionais de petróleo graças ao conflito aberto com o Irão, a questão não se coloca agora se os Houthis vão cumprir ou não a promessa de encerramento das rotas dos navios que transportam petróleo saudita. Como referem um analista iemenita fundador da consultora Basha Report, citado pela Reuters, “mesmo que nenhum navio seja atacado, o simples anúncio é provável de perturbar o transporte marítimo e criar incerteza nos portos da Arábia Saudita”.

Considera, contudo, que “a questão crítica continua a ser se os Houthis passarão das ameaças à ação direta”.

O presidente da gigante petrolífera estatal da Arábia Saudita, Yasir al-Rumayyan, reconheceu recentemente que usar os terminais de exportação do Mar Vermelho para contornar o bloqueio ao Estreito de Ormuz tem sido uma “tábua de salvação” para a economia saudita.

No que tem sido uma guerra envolvendo proxis mais ou menos evidentes, a Guarda Revolucionária do Irão tinha na semana passada deixado no ar a possibilidade de encurtar ainda mais as rotas do petróleo, com Bab el-Mandeb a pontificar nas ações recomendadas.