Banco de Portugal revê crescimento da economia em alta para 2,3%

🗓️ 2026-10-07 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

O Banco de Portugal reviu esta quarta-feira em alta a previsão de crescimento da economia portuguesa para 2,3 por cento este ano e 1,8 em 2027, no Boletim Económico de outubro. O banco central mantém, por outro lado, a projeção de inflação em 3,1 por cento.

Segundo o comunicado enviado às redações pelo Banco de Portugal, “a economia portuguesa deverá acelerar em 2026, para 2,3 por cento, impulsionada pelos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pelas medidas orçamentais e por um desempenho mais positivo das exportações. Nos anos seguintes, projeta-se que a atividade cresça 1,8 por cento."O crescimento da atividade no período 2026-28 situa-se acima do projetado para a área do euro. Estas projeções reveem em alta as divulgadas no Boletim Económico de junho para 2026 (0,5 pp) e 2027 (0,2 pp)", acrescenta o documento.

Neste Boletim Económico de outubro, o banco central prevê que a inflação deverá aumentar para 3,1 por cento em 2026 e diminuir nos anos seguintes para valores próximos da estabilidade de preços (2,4 por cento em 2027 e 2,0 por cento em 2028), "beneficiando da dissipação dos efeitos do choque energético e da moderação dos custos laborais".

"Esta evolução está em linha com a projetada para a área do euro e com os valores divulgados no Boletim Económico de junho", completa o BdP.

Jornal da Tarde | 7 de outubro de 2026

Já a situação do mercado de trabalho permanecerá favorável, mas antevê-se um crescimento menos acentuado do emprego, num contexto de fluxos migratórios inferiores aos observados em 2021–2024. "O emprego deverá aumentar 1,7 por cento em 2026, 0,7 por cento em 2027 e 0,3 por cento em 2028, enquanto a taxa de desemprego deverá situar-se em 5,6 por cento". 

A composição do crescimento deverá alterar-se, com uma redução do contributo do consumo privado e um maior contributo das exportações.

As projeções revelam ainda que o rendimento real das famílias deverá abrandar, refletindo a desaceleração das remunerações e, em 2026, também o impacto da subida não antecipada dos preços.

Tensões geopolíticas no Médio Oriente

Segundo o Banco de Portugal, “os riscos são predominantemente em baixa para atividade e em alta para a inflação, sendo condicionados principalmente pela evolução das tensões geopolíticas no Médio Oriente. A intensificação ou o prolongamento do conflito poderão gerar novos aumentos dos preços da energia, perturbar as cadeias de abastecimento e deteriorar a confiança, penalizando a atividade e aumentando as pressões sobre os preços.

Além disso, “existe ainda a possibilidade de uma correção abrupta dos mercados financeiros, desencadeada por uma reavaliação das expetativas de rendibilidade dos investimentos em inteligência artificial ou por receios relativamente à situação orçamental de diversas economias”.

O comunicado salienta ainda que “a economia portuguesa tem demonstrado resiliência perante os choques recentes, beneficiando de transformações estruturais, incluindo a melhoria das qualificações, o aumento do peso de exportações de serviços de maior valor acrescentado e a redução do endividamento.

No entanto, o Banco de Portugal deixa o alerta para “os desafios demográficos e a transição energética e digital requerem progressos adicionais no reforço do capital produtivo e tecnológico, na adequação das competências da população e na remoção de obstáculos a uma afetação eficiente dos recursos”.

“A recente instabilidade nos mercados internacionais de dívida reforça ainda a importância de preservar o equilíbrio orçamental e a trajetória de redução do endividamento público em Portugal”, remata a nota.

O Banco de Portugal divulga anualmente quatro exercícios de projeção macroeconómica, incluídos nas edições de março, junho, outubro e dezembro do Boletim Económico.