Bastonário dos farmacêuticos apela à vacinação antes do pico da gripe
"É importante que as pessoas se vacinem rapidamente, quanto mais cedo melhor, para que o sistema imunitário responda à vacina e esteja preparado no momento do pico da infeção", disse o bastonário, Helder Mota Filipe, adiantando que está a fazer uma campanha para que os farmacêuticos comunitários sensibilizem de forma proativa as pessoas com mais de 60 anos.
Este ano, a campanha de vacinação da gripe alarga a vacinação gratuita às crianças entre os 2 e os 4 anos de idade.
Segundo a norma da Direção-Geral da Saúde (DGS), as crianças abrangidas pela vacinação gratuita serão vacinadas nas unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e em hospitais e clínicas dos setores privado e social que sejam pontos de vacinação autorizados.
O SNS comprou este ano cerca de 2,3 milhões de doses de vacinas contra a gripe de dose normal e outras 369 mil de dose elevada, um aumento de 187 mil vacinas de dose normal e de 12 mil de dose elevada.
Entre os grupos elegíveis para a vacinação contra a gripe estão incluídos os profissionais que prestam diretamente cuidados nos setores social e privado em unidades com internamento, de cirurgia de ambulatório, de obstetrícia e neonatologia e de diálise, assim como estabelecimentos com atendimento permanente.
Constam também as grávidas, profissionais do SNS, bombeiros com contacto direto com pessoas de alto risco de doença grave, reclusos e pessoas em situação de sem-abrigo, entre outros.
Para os idosos com 85 ou mais anos, está prevista a vacinação de dose elevada, assim como para residentes com 60 ou mais anos em lares de apoio e residenciais, centros de acolhimento temporário e que estejam na rede de cuidados continuados integrados.
Quanto à possibilidade de as pessoas recebem gratuitamente a vacina nas farmácias, este ano está abrangida a população entre os 60 e os 84. Acima dessa idade mantém-se a vacinação no SNS.
"É uma divergência que mantemos com a DGS", lembrou Helder Mota Filipe, acrescentando: "a pessoa [com mais de 85 anos] deve poder decidir, como todos os outros podem, de acordo com as suas preferências e com a comodidade, se quer ser vacinada num centro de saúde ou numa farmácia".
Se o importante é aumentar a cobertura – defendeu –, "na vacinação, a facilidade de acesso é um aspeto fundamental para uma maior cobertura".
"Se tinha dificuldade em compreender o ano passado, tenho mais dificuldade este ano, porque se são problemas logísticos tivemos um ano para os resolver", acrescentou.
Na gripe, este ano também se podem vacinar nas farmácias as pessoas entre os 18 e os 59 que tenham patologias de risco, como as doenças respiratórias crónicas, as doenças cardiovasculares, hepáticas ou metabólicas, entre outras.
"Isto aumenta o acesso das pessoas com menos de 60 anos que têm patologias de risco. É um aspeto positivo e de solidariedade", reconhece o bastonário.
Já quanto à covid-19, o limiar etário para recomendação da vacina passa dos 60 para os 70 anos, mantendo-se a vacinação de pessoas com condições ou patologias associadas a maior risco de doença grave, bem como de residentes em estruturas e contextos particularmente vulneráveis.
O bastonário dos farmacêuticos disse que o facto de todos os anos haver pequenas diferenças nas idades de vacinação "pode confundir" a população e insiste na necessidade de passar a informação de forma simples, para não baixar a taxa de cobertura vacinal.
No âmbito da vacinação contra a covid-19, também é alargada a vacinação nas farmácias às pessoas entre os 18 e os 69 anos com patologias de risco, mantendo-se a vacinação das pessoas entre os 70 e os 84 anos, independentemente da existência dessas doenças.

Vacinas da gripe em falta no privado? DGS reconhece constrangimentos
A Direção-Geral da Saúde (DGS) reconheceu hoje constrangimentos no fornecimento de vacinas contra a gripe destinadas ao mercado privado, salientando que não intervém nesse processo, que decorre entre as farmácias e a indústria farmacêutica.
Lusa | 16:43 - 17/09/2026