BC dos BCs diz que euforia com IA no mercado apresenta sinais de vulnerabilidade - 14/09/2026 - Tec - Folha
A alta dos mercados de ações relacionada à inteligência artificial, que levou as Bolsas do mundo a dispararem nos últimos dois anos, está apresentando sinais crescentes de vulnerabilidade, afirmou o BIS (Banco de Compensações Internacionais), órgão que reúne os bancos centrais de todo o mundo, nesta segunda-feira (14).
Em um novo relatório, o BIS afirmou que os investidores estão se tornando "cada vez mais cautelosos" quanto à rentabilidade de futuros investimentos em IA, especialmente à medida que a alavancagem das principais empresas de tecnologia dos EUA continua a aumentar.
"O ímpeto da IA, que impulsionou os mercados acionários e contribuiu para a resiliência da economia global no último ano, começou a mostrar sinais crescentes de vulnerabilidade", afirmou Frank Smets, chefe de análise econômica do BIS.
Os comentários foram feitos na sexta-feira (11), antes da publicação do relatório do BIS nesta segunda. As ações relacionadas à IA caíam acentuadamente nesta segunda, depois que executivos de várias das principais empresas de IA alertaram no domingo (13) que o ritmo de desenvolvimento da tecnologia precisa ser desacelerado para evitar ameaças à humanidade.
O relatório do BIS também apontou para um cenário global incerto de pressões sobre as finanças públicas, agravadas por tensões geopolíticas e pela volatilidade dos preços da energia.
As dívidas no valor de centenas de bilhões de dólares emitidas pelas empresas de IA também podem estar contribuindo para o aumento dos custos de financiamento no mercado de títulos públicos, além das preocupações de longa data sobre a sustentabilidade dos níveis de endividamento.
"Isso está relacionado à fragilidade fiscal que também acompanha a maior incerteza na economia mundial", comentou Smets, referindo-se às recentes pressões nos mercados de títulos.
No entanto, ele acrescentou que não há "sinais de tensão" de maneira geral e que o apetite de risco dos investidores permaneceu "notavelmente resiliente" nos últimos meses.
COMUNICAÇÃO SOBRE A INFLAÇÃO
Conhecido como o "banco central dos bancos centrais do mundo", o BIS tem emitido alertas regulares tanto sobre os níveis globais de endividamento quanto sobre possíveis bolhas no mercado de ações nos últimos anos.
"Se essa resiliência (nos mercados) poderá ser sustentada, especialmente se as pressões de alta sobre os rendimentos continuarem, permanece, no entanto, incerto", avaliou Smets.
Ele também reiterou o alerta feito na semana passada pelo presidente do BIS, Pablo Hernandez de Cos, sobre os riscos à estabilidade financeira representados pela IA.
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"O que mais nos preocupa nessa área (da IA) é o rápido aumento da dívida e da alavancagem", disse Smets. "E o fato de que muitos desses acordos de financiamento são bastante opacos. Frequentemente, ficam fora do balanço patrimonial. Há uma espécie de circularidade neles".
O relatório também analisou em profundidade o financiamento do mercado privado que vem sendo direcionado para a IA nos últimos anos.
O endividamento agregado das empresas de tecnologia subiu de cerca de US$ 22 bilhões (R$ 113,5 bilhões) —ou 22% do crédito privado total— em 2010 para mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,16 trilhões) —ou 44%— até 2025. No total, os empréstimos em aberto de qualquer tipo somam quase US$ 2,5 trilhões (R$ 12,9 trilhões).
Outro de seus estudos utilizou IA para analisar milhares de discursos e relatórios de bancos centrais. Ele mostrou que os indicadores de "inflação subjacente" —que excluem os picos e quedas nos preços da energia— estão sendo citados com mais frequência e em maior variedade.
Embora a tendência reflita as mudanças nas condições econômicas, o relatório afirmou que "a crescente complexidade das mensagens dos bancos centrais pode representar desafios para uma comunicação eficaz com o público".