BCE prepara novas notas de euro e garante: dinheiro físico não vai desaparecer
As notas de euro vão mudar de imagem. O Banco Central Europeu (BCE) está a preparar a primeira reformulação visual profunda desde a criação da moeda única, com novos temas, elementos de segurança reforçados e imagens mais próximas dos cidadãos europeus.
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Segundo a Euronews, as propostas apresentadas pelo BCE em julho rompem de forma clara com o desenho atualmente em circulação. Entre os conceitos finalistas estão duas grandes opções: uma dedicada à cultura europeia e outra centrada na natureza.
Na primeira, as notas poderão incluir figuras marcantes da história da arte, da música, da ciência e da literatura. Na segunda, os elementos visuais serão inspirados em rios e aves europeias.
Europeus vão escolher o novo desenho
O BCE lançou uma consulta pública para que os cidadãos participem na escolha da opção final.
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Doris Schneeberger, responsável pelas notas do BCE, disse à Euronews que a consulta já recebeu respostas de milhões de europeus.
A opção vencedora deverá ser anunciada em dezembro de 2026.
A entrada das novas notas em circulação, contudo, ainda deverá demorar alguns anos. Uma fonte do setor bancário citada pela Euronews admite que a introdução possa acontecer apenas em 2029.
BCE quer deixar claro que o dinheiro físico vai continuar
A renovação das notas acontece numa altura em que os pagamentos digitais ganham peso e cresce a perceção de que o futuro euro digital poderá substituir o dinheiro físico.
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O BCE rejeita essa ideia.
Schneeberger recorreu a uma comparação para explicar a estratégia: ninguém renovaria uma casa se estivesse a planear demoli-la pouco tempo depois.
A mensagem é, por isso, clara: as notas e moedas continuarão a fazer parte do sistema de pagamentos europeu.
Euro digital será complemento, não substituto
O BCE pretende também combater a ideia de que a criação de um euro digital significará o fim do dinheiro em numerário.
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Segundo a Euronews, o banco central europeu quer garantir que os cidadãos continuam a ter sempre a possibilidade de pagar com dinheiro público, seja através de notas e moedas ou de uma futura versão digital do euro.
O euro digital poderá ficar disponível a partir de 2029.
A instituição sublinha, porém, que esta nova forma eletrónica de pagamento deverá complementar o dinheiro físico e não substituí-lo.
Os europeus deverão, assim, continuar a poder escolher entre dinheiro, euro digital ou outros meios de pagamento.
O que distingue dinheiro público de dinheiro privado?
As notas e moedas são consideradas dinheiro público porque são emitidas e garantidas por uma autoridade pública, neste caso o banco central.
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Também fazem parte desta categoria as reservas que os bancos comerciais mantêm junto do banco central.
Já o chamado dinheiro privado é criado pelos bancos comerciais e assume sobretudo a forma de depósitos em contas à ordem e de poupança.
É esse dinheiro que sustenta grande parte dos pagamentos usados no quotidiano, como transferências bancárias ou operações com cartões.
Notas de euro só tiveram uma grande atualização
Desde a entrada em circulação do euro, em 2002, o aspeto das notas mudou apenas uma vez de forma relevante.
A primeira geração tinha como tema “épocas e estilos”, representados através de janelas, portas e pontes.
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Entre 2013 e 2019 foi introduzida a série Europa, com elementos gráficos e de segurança renovados, mas mantendo uma linguagem visual semelhante.
As atuais notas apresentam monumentos abstratos que não existem na realidade.
Com a próxima geração, o BCE pretende abandonar essa abordagem e utilizar pessoas, aves e edifícios reais, procurando criar notas com as quais os europeus se possam identificar mais facilmente.