Assentamentos na Cisjordânia: boicote de 12 países afeta Netanyahu | G1
O impacto das sanções para Israel é mais político e menos econômico, já que apenas 5% das exportações israelenses provêm das colônias. Em busca de um sétimo mandato, Netanyahu luta para manter unida sua base de pequenos partidos radicais, a pouco mais de um mês das eleições.
Pesquisas de opinião para o pleito de 27 de outubro mostram o principal partido de oposição, o Yashar, liderado por Gadi Eisenkot, à frente do Likud, do premiê.
Mas, ao longo de sua carreira, Netanyahu provou que, mesmo quando não foi o mais votado, teve habilidade para agregar ultraortodoxos e extremistas para garantir a maioria parlamentar e consolidar-se como o primeiro-ministro mais longevo do país.
Netanyahu se fiava na falta de consenso na União Europeia para aplicar sanções que proibissem a importação de produtos de assentamentos.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante sessão no Parlamento em 16 de julho de 2026 — Foto: Ronen Zvulun/Reuters
A ONU contabilizou 1.400 ataques este ano, 18 mortos e o deslocamento de mais de 41 mil pessoas na Cisjordânia.
Em discurso contundente no Parlamento britânico, o secretário de Relações Exteriores, Ed Miliband, descreveu-se como um judeu orgulhoso e decretou a ilegalidade da ocupação israelense da Cisjordânia, anunciando sanções ao comércio com assentamentos.
As restrições incluem a prestação de serviços, como construção e financiamento das colônias e a proibição de anunciá-los no Reino Unido, além de sanções pessoais contra os acusados de promover a violência dos colonos. Entre eles, os ministros Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, ambos colonos.
O governo israelense revidou o que chamou de “mentiras ultrajantes” de Miliband, com medidas retaliatórias, como o fechamento do consulado britânico em Jerusalém e a proibição da entrada em Israel de 12 parlamentares e ativistas britânicos.

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Como observou Michael Ben Yair, ex-procurador-geral de Israel, em artigo no jornal “Financial Times”, para sustentar a ocupação, as instituições estatais foram cooptadas pelo movimento dos colonos.
A única maneira significativa de corrigir o rumo, segundo ele, é a comunidade internacional deixar claro que haverá consequências para essa política.
“É por isso que as medidas do governo britânico são tão importantes. Essas sanções não são um ataque ao Estado de Israel; elas diferenciam a legitimidade do país da ocupação, que é moral, política e juridicamente inaceitável”, ponderou Yair, também ex-juiz da Suprema Corte.