Bugalho: "Ambiência de bloco central é o sonho de Ventura"

🗓️ 2026-10-08 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Bem-vindos à segunda parte da Vici & Suave, hoje numa edição especial aqui a partir do Parlamento Europeu em Estrasburgo. Bem-vindo, Sebastião Bugalho, é vice-presidente do PSD, é também porta-voz do PSD e aqui eurodeputado e porta-voz também da delegação do PSD em Bruxelas/Estrasburgo. Sebastião Bugalho.

Onde nós estamos.

Exatamente. Defendeu que com o compromisso constitucional entre PS e PSD também devia existir uma garantia do lado dos socialistas, enquanto durasse esse processo, de alguma forma, uma garantia de estabilidade. Ou seja, com o orçamento do próximo ano também estaria incluído, uma vez que esse processo decorria. O facto de o presidente da República ter uma leitura de que o chumbo do orçamento não significa automaticamente uma dissolução e uma instabilidade total, nunca é por terra esse argumento?

Não creio que os dois argumentos se autoanulem ou entrem em confronto. Em primeiro lugar, boa tarde e obrigado pelo vosso convite. É sempre bom ter correspondentes portugueses em Estrasburgo. Repare, eu quando lancei essa questão, só para ficar claro, não falei nem em orçamentos, nem em legislaturas. O meu único ponto era se sendo essa a exigência final, porque era aquela a que faltava o presidente do PSD corresponder, mas sendo essa a exigência final da parte do Partido Socialista para viabilizar o orçamento, isto é, o PS exigiu ao PSD um compromisso constitucional para que não fizesse uma revisão da Constituição que excluísse o PS, portanto, apenas com o partido Chega, ou que apresentasse um projeto para a revisão da Constituição, ou votasse favoravelmente um projeto que ultrapassasse os limites materiais da revisão da Constituição, consagrados no texto constitucional desde 75. Aquilo que o PS nos pediu foi isso. E a minha pergunta era muito simples, era se nós acedermos, e acedemos a esse compromisso, se ele é para levar a sério, isto é, se o PS, ao nos pedir um compromisso constitucional, está disponível para viabilizar o compromisso que ele próprio pediu. Era apenas essa a questão. E eu devo dizer que numa entrevista aqui ao vosso observador, da parte de um elemento de secretariado próximo do doutor José Luís Carneiro, próximo do líder do PS, o André Marques Caldas, não me pareceu que a resposta do PS fosse exatamente de rejeição. Eu percebi a resposta do PS. É entendível o que dizem, que é nós não passamos um cheque em branco, nós também não o pedimos, mas nós vamos comportar-nos de forma leal enquanto parceiro de revisão constitucional, que é aquilo que o PS nos pediu e que nós obviamente também pedimos ao PS. Eu não fiquei desapontado com a resposta do PS. Em relação àquilo que disse o senhor presidente da República no discurso do 5 de outubro, a mim parece-me que é o raciocínio natural de um presidente da República que não é imediatista e quer guardar para si a máxima margem de manobra possível para gerir qualquer eventual crise política, evitando ao máximo essa ocasião de crise política.

E o presidente da República, já agora, é um aliado do governo naquilo que é o cumprimento da legislatura até o fim?

O PSD não olha para a função presidencial nem na expectativa de aliados, nem no receio de adversários. Julgo que conhecendo a persona pública, até já antiga, do senhor presidente da República, do recém-eleito presidente da República, António José Seguro só é aliado de uma coisa neste momento, é da estabilidade. E nesse sentido, obviamente coincidimos nesse interesse da estabilidade.

Voltando ao ponto do PS e de uma perspetiva de alguma estabilidade, houve um manifesto de empresários e ex-ministros que pediam acordos de médio e longo prazo entre PS e PSD que fossem até para lá daquilo que são a duração das legislaturas. No Sofá do Parlamento esta terça-feira aqui gravado em Estrasburgo também, o Francisco Assis disse na Rádio Observador que o PS e o PSD têm a obrigação histórica de promover um entendimento de fundo. O PSD estaria disponível para um entendimento de fundo com o PS em troca de uma estabilidade até ao fim da legislatura?

Eu entendo as boas intenções dos proponentes desse modelo e tenho imenso respeito pelo Francisco Assis, mas julgo que quando queremos projetar um ciclo político com estabilidade, nesta legislatura ou na próxima, temos de olhar para o sistema político como ele é, não como ele foi. E parece-me que a maioria dos bem-intencionados proponentes de um acordo de regime entre o PSD e o PS ou entre o PS e o PSD para esse entendimento de fundo, como dizia o Rui Pedro Antunes, que ainda encaram o sistema político como ele era e não como ele já é. E infelizmente ou felizmente, os sistemas políticos não são algo que nós possamos rebobinar como antigamente os VHS. E muitas vezes quando tentamos travar a mudança do sistema político ou até reverter à força as mudanças que estão a ocorrer em sistemas políticos, corremos o risco de as acelerar. E esse é um receio.

Isso tornava o Chega a única alternativa e ainda iria ajudar o Chega a crescer, é isso?

Esse é um dos receios que eu tenho, mas como digo com respeito pelos proponentes, porque acho que a sua intenção é positiva, é a estabilidade, e nesse sentido também coincidimos com a intenção.

E é isso que te coloca o risco de ir planando entre a direita e a esquerda, como diz Luís Montenegro.

Não, porque eu julgo que o governo é mais parecido com um porta-aviões do que com um parapente, Miguel Vitor Pedro. Mas sem querer subscrever a sua alegoria, eu tentei dizer-vos isso, aliás, quando nos cruzamos no Congresso do PSD. Nós não temos uma estratégia de não parceiro preferencial, nós não assumimos um parceiro preferencial. A ideia de nós não dependemos de ninguém para não fortalecermos o outro, como é assim desde o início dos governos Luís Montenegro em 2024, não é uma questão de dissimulação, não é uma questão tática Não é uma questão de isto dar mais jeito com este, isto dar mais jeito com aquele. Não é por isso que temos essa opção. O PSD e esta liderança do PSD estão convencidos, e até agora eu ainda não cruzei com nenhum dado que desmente isso, que esta é a forma mais responsável de preservar o sistema político, porque como o Rui Pedro dizia, se houvesse uma ambiência de bloco central, seria o sonho de André Ventura, porque faria campanha contra todo o sistema aliado em conjunto, como aliás tenta fazer mesmo quando nós não estamos aliados em conjunto. Ele já faz essa campanha sem essa ocorrência, imagine se ocorresse de fato. O comportamento mais responsável dentro de um sistema político que está obviamente a mudar, é olhar pra mudança de frente e projetar um horizonte de estabilidade onde seja possível reformar, tendo pontos com todos para não depender de nenhum. Isto não é como eu vos digo, não é dissimulação, é responsabilidade no que diz respeito ao sistema político que está a mudar.

Teme que esses dois-

Só pra ficar claro, eu identifico-me integralmente com essa estratégia, precisamente porque me parece que é a forma mais responsável de preservar o sistema político.

Teme que Chega e PS, na especialidade do Orçamento de Estado, acabem por desvirtuar o orçamento e colocar em causa este rigor das contas públicas?

Temer seria um termo forte. Nós confiamos nas palavras de responsabilidade que até agora a direção do Partido Socialista foi transmitindo nesse aspecto, tanto da parte do secretário-geral, como da parte-

Confiam mais no PS do que no Chega?

Do líder parlamentar. Nesse caso, não é uma questão de confiança, é uma questão de registro histórico e memória. Até agora, a liderança de José Luís Carneiro nunca diz respeito a palavras de responsabilidade com impacto orçamental, cumpriram com aquilo a que se haviam comprometido previamente. Se o Partido Socialista cumprir com a intenção já verbalizada de não apresentar propostas que desvirtuem as contas públicas e que tenham impacto orçamental que pudesse nomeadamente afetar ou prejudicar o superávit que este governo espera ter e que vai ter, parece-me que essa possibilidade já foi desmentida pelos próprios. Mas é algo que definitivamente é um compromisso que nós obviamente esperamos que o PS cumpra.

Por falar em responsabilidade, o antigo ministro das Finanças, Mário Centeno, publicou hoje um artigo de opinião no jornal Público em que diz que Luís Montenegro está com as contas públicas descontroladas e até já superou os registros de José Sócrates. O diabo pode chegar com a AD no governo?

Eu vou medir as minhas palavras, porque não tenho nada pessoal contra o professor Mário Centeno e tenho aliás lido as suas entrevistas, porque são entrevistas essencialmente políticas e eu, sendo alguém que gosta de política, tenho alguma curiosidade. Mas esse artigo já foi desmentido de ponta a ponta por economistas com a mesma preparação acadêmica e a mesma carreira de sucesso que o próprio professor Mário Centeno, nomeadamente no fato de esconder os anos que não lhe convém que apareçam nesse artigo para sustentar a sua tese política de que, de forma quase cômica, as contas públicas de Luís Montenegro, que vai pro terceiro orçamento com excedente orçamental seguido, se assemelhariam de forma alguma às do engenheiro José Sócrates, que foi secretário-geral do partido sob o qual Mário Centeno foi ministro das Finanças. Vocês reparem que os anos de 2010 e 2011 não estão presentes nesse artigo. Anos de governação de José Sócrates. Não estão presentes nesse artigo. Não aparecem, ele não os menciona. Por quê? E se repararem de 2020 a 2023, que foram anos, obviamente, de grande choque de despesa devido à pandemia, também não aparecem nesse artigo, porque era um governo que Mário Centeno fez parte. Parece um artigo politicamente habilidoso, que merece ser denunciado. Aliás, o professor António Nogueira Leite praticamente polígrafa ponto a ponto esse artigo. Eu recomendo aos vossos ouvintes e leitores que tomem nota disso, porque me parece que o professor Mário Centeno assinou um artigo de opinião político, não uma tese ou um ensaio como economista que é. É uma opção dele, mas deve ser julgado por isso, deve ser avaliado com base nessa opção sua. E aliás, deixem-me só dizer isso que acho que é importante.

Acha que ele tem uma ambição a isso?

Isso eu tenho que lhe perguntar a ele. Ele já veio dizer que não, tenho que lhe perguntar a ele, convido ele pra uma entrevista e pergunto-lhe com todo respeito. Mas repare, eu li as entrevistas, confesso-lhes, que ele tem dado, como partilhava convosco há pouco. Parece-me que ele é saudosista de um tempo que não existiu. Eu vou vos ler aqui, eu por acaso até trouxe, porque imaginei que viesse à baila. O Mário Centeno, numa entrevista ao Jornal Negócios da Antena Um, dizia que ao contrário dos últimos 10 anos, em que o crescimento foi feito com investimento e exportações, hoje em dia voltamos ao consumo. Bem, isto é extraordinário, porque o Mário Centeno foi o autor do cenário macroeconômico, quando António Costa foi criado a primeiro-ministro pela primeira vez, que defendia o consumo como motor da economia pra essa campanha eleitoral. Vocês senhores lembram-se e podem recordar, é ir ver a conferência de imprensa de António Costa e de Mário Centeno quando apresentaram esse cenário, que levava ao consumo como o grande fator diferenciador do programa econômico da altura do doutor Pedro Passos Coelho e do doutor Paulo Portas. Portanto, aquilo que eu acho extraordinário é que o deixem dizer estas coisas sem contraditório, ninguém se lembra. 2015 não foi assim há tanto tempo. E depois, também me parece uma coisa, lendo aquilo que ele vem dizendo, é que ele não tem uma única ideia pro país, que é uma coisa extraordinária pra alguém que foi governador do Banco de Portugal.

Isso poderá significar que não ambiciona propriamente nenhum lugar, não é?

Mas eu acho que nós não precisamos de querer lugares pra ter ideias pro país. O Miguel também há de ter ideias pro país e os eleitores e os cidadãos também têm ideias pro país e não precisam de querer coisas. Eu acho que nós podemos ser aposentados respeitáveis e dar o nosso contributo pro país. Agora, eu, como devem imaginar, não sou um crítico da autoestima, pelo contrário, eu pratico bastante, mas parece-me extraordinário que alguém que foi ministro das Finanças, governador do Banco de Portugal e presidente do Eurogrupo, tendo tido ambições também no Banco Central Europeu e no FMI, aparentemente rogadas, que a única ideia que tem pro país é ele próprio

Deixe-me ir à questão ainda do custo de vida, que também foi tema aqui de debate no Parlamento Europeu. O governo anunciou a descida de IRS e o bónus para os pensionistas. Não ficam a faltar medidas mais direcionadas pra população que não é abrangida por estas duas e que é ainda uma fatia alargada?

Desculpe, pode repetir a pergunta, não ouvi.

A questão da descida do IRS e dos bónus para os pensionistas, se não fica aqui a faltar uma medida direcionada para quem fica de fora destas duas.

A mim parece-me que dentro daqueles que têm um salário mais reduzido e um rendimento menos favorecido em Portugal, que os 1300 milhões de alívios pra combustíveis que o governo já investiu em ajudas, que obviamente também englobam quem tem esse rendimento mais reduzido e tem que usar o automóvel, que infelizmente em Portugal ainda é uma faixa considerável da população. Depois, tanto o apoio à botija solidária como o apoio às IPSS foi reforçado da parte do governo. Portanto, não se pode dizer que os mais desfavorecidos foram deixados sem nada. Isso não é verdade, se contabilizarmos os apoios que foram dados até agora.

Mas a questão da subsidiação direta fica excluída.

Mas deixe-me só dizer. Não, o complemento solidário para idosos também foi reforçado. Mas deixe-me dizer uma coisa, porque eu acho que a sua pergunta é importante, porque é uma questão que para futuro pode ter sentido ter em conta face àquilo que estamos a viver. Há uma razão pra o governo não poder apoiar toda a gente de uma vez só. E há uma razão pro governo fazer um esforço pra equilibrar ao máximo a consciência social com a responsabilidade orçamental, é que nós não sabemos quando é que a crise vai acabar. Não sabemos quando é que vai acabar, nem sequer se vai agravar ou não contra a nossa vontade. Portanto, nesse sentido, eu confio, e acho que o governo merece a confiança da gestão deste equilíbrio e obviamente que é um governo que está focado em não deixar ninguém para trás. A consciência social é uma das marcas deste governo. Em crise ou não em crise.

Podem vir aí mais medidas então mais pra frente.

O governo já o veio assumir.

Luís Montenegro disse no discurso que fez aqui no Parlamento Europeu que-

Agora, deixe-me, mas ó Rui. Se essas medidas pra futuro, que o Rui me estava a perguntar, só serão possíveis se tivermos margem orçamental pra isso. Por isso é que as contas certas, nomeadamente até o final deste ano, são tão importantes. É pra preservarmos essa margem, pra virmos a ajudar quem mais precisa, caso a crise se agrave contra a nossa vontade.

Mesmo estas só surgiram depois de haver algumas garantias de que não haveria desequilíbrio orçamental.

De que os excedentes se preservavam, exatamente.

Luís Montenegro disse no discurso que aqui fez que não queria fazer um concurso de pedinchice, mas ao mesmo tempo também pediu que diminuísse o mínimo possível os fundos da coesão pra não perder essa competitividade. Isto não é contraditório, não é pedir com uma mão e depois recolher a outra?

Eu percebo a sua pergunta. Está me a perguntar no fundo se não é paradoxal nós estarmos disponíveis pra competitividade, portanto pra um quadro mais moderno e virado pra futuro.

Ou querer mais fundos e dizer que não se está a pedir.

Eu acho que aí a questão é que fundos é que nós queremos e como é que os queremos obter e que critérios é que nós defendemos para os fundos do próximo quadro. Essa é que é a questão interessante, essa é que é fundamental, essa é que é aliás a grande divergência dentro deste Parlamento e dentro do Conselho. Mas eu percebo perfeitamente a sua questão. A sua questão é: não é paradoxal assim à primeira vista, o primeiro-ministro de Portugal estar a dizer que está disponível para os fundos virados para o futuro, que são concorrenciais, isto é, são disputáveis entre Estados, empresas, regiões e municípios, no nosso caso, e ao mesmo tempo tenta preservar a coesão. Não é paradoxal por uma razão simples: nós só conseguimos estabilidade política dentro dos Estados membros e dentro da União Europeia pra fazer essa transição pros quadros financeiros em que nós passamos a ser contribuintes líquidos, em que temos uma União Europeia mais alargada com Estados membros, nomeadamente até 2030, com a possível entrada de Montenegro, Montenegro país, não o nosso, e a Albânia. Só conseguimos fazer a transição pra esses quadros financeiros do futuro, pra arquitetura financeira dos fundos europeus de amanhã, se conseguirmos fazer a transição gradualmente. Portanto, é necessário preservar paulatinamente a coesão, ao mesmo tempo que nos transformamos em Estados mais disponíveis e mais competitivos pros fundos europeus.

Pra não haver uma rutura grande.

Pra não haver uma rutura que pode ter consequências negativas para os governos e negativas também pra Europa, porque repare uma coisa, se de repente a insatisfação fosse tal que os governos passavam a ser eurocéticos, aí é que não havia orçamento comunitário nenhum, nem fundos para ninguém. Agora, eu julgo que há um problema em Portugal, deixa-me dizer isto, depois os senhores saberão o que fazer com o que eu estou a dizer. Mas há um problema em Portugal com a questão dos fundos, porque os fundos ou são olhados como uma mulher mieleira e um sorvedouro, ou são olhados como se fossem as razões dos nossos males. É um discurso manifestamente desinformado, seja de qual dos lados da trincheira insistem em disparar as duas balas que são mentirosas. A questão é, nós temos aqui uma oportunidade. Portugal tem uma grande oportunidade, e o Rui Pedro falou do discurso do primeiro-ministro, nós temos uma oportunidade enquanto país. E eu recuso-me, não vou ser cúmplice do crime político que seria desperdiçar e até ignorar essa oportunidade enquanto país, enquanto economia, enquanto geração que quer mais da Europa, mas também que quer mais de Portugal nesta Europa. Repare uma coisa, a coesão na proposta da coesão que será convertida em planos nacionais e regionais, mas fundamentalmente passa de 68% pra 45% pra toda a Europa, não é só pra nós. A competitividade dispara de 16 pra 30%. O que isso quer dizer pra os seus ouvintes perceberem, pra os seus leitores perceberem? Quer dizer que nós vamos ter 400 mil milhões de euros de fundos europeus concorrenciais, ou seja, não nos estão garantidos, não vão para o nosso envelope nacional, mas estão lá pra nós os irmos ganhar, estão lá pra nós os irmos conquistar.

Nós temos menos condições que muitos outros Estados membros pra os conseguir.

Não, mas é exatamente como o Rui Pedro disse. Mas há formas criativas, novas, de resolver esse problema. Várias. É possível fazer coligações entre municípios e empresas portuguesas. É possível aproveitar, por exemplo, o modelo, e aqui tenho que fazer um elogio ao professor Costa e Silva, das agendas mobilizadoras do PRR e fazer coligações mobilizadoras entre polos de conhecimento, setor privado, entidades públicas como CCDRs e câmaras municipais dentro de Portugal pra ir buscar esses 400 mil milhões de euros e esses fundos de futuro onde há investigação, tecnologia, inteligência artificial, competitividade. E depois é possível fazer outra coisa O Rui tem razão quando diz que há Estados membros europeus que têm muito mais facilidade em ir buscar esses fundos, porque têm mais escala, mais empresas, mais capital humano e mais capital financeiro, mais capacidade de investimento. Por isso é que 80% do Horizonte Europa foi pra França, pra Itália, pra Espanha, pra Holanda e pra Alemanha. É exatamente como diz, 80% no quadro em vigor. Como é que nós podemos, criativamente, e o primeiro-ministro defende isso, e o ministro da Coesão está a fazer isso, está a promover isso, por que nós não fazemos coligações entre os outros países que são parecidos conosco e nos juntamos a eles pra coligações mobilizadoras para esses fundos concorrenciais? Isso não só é possível, como é desejável. Por que nós não defendemos, só mesmo pra terminar, já existe a majoração em alguns fundos, por exemplo, do Horizonte Europa, a majoração dos fundos em candidaturas de consórcios que tenham regiões ultraperiféricas. Isto é, se uma candidatura a um fundo tiver uma região ultraperiférica, das nossas regiões autónomas, não ganha automaticamente direito a esse fundo, mas ganha mais orçamento por ter uma região ultraperiférica. Por que nós não defendemos uma majoração idêntica para os consórcios que tenham universidades, posto de conhecimento, empresas ou regiões dos países da coesão? Este é um debate que vale a pena ter e o primeiro-ministro está disponível não só a tê-lo, como a liderá-lo no Conselho Europeu.

Acerca dessa liderança, um dos eurodeputados do Partido Socialista, neste caso o Bruno Gonçalves, disse nesse debate que por esta altura, nesta negociação do anterior quadro, António Costa já tinha reunido com 17 primeiros-ministros, visitado capitais europeias, reunido com os principais líderes europeus, enquanto Montenegro chegou tarde. Isto é verdade?

O Rui é que é jornalista, portanto, se é verdade ou não, se é facto ou não, podem poligrafar a afirmação. Certamente que o governo de Portugal está disponível pra transmitir o número de reuniões que o seu primeiro-ministro já teve. Eu acho que é uma narrativa distante da realidade.

Não está a ser menos eficiente do que foi o António Costa.

Ó Rui Pedro, mas nós só vamos saber isso quando virmos o resultado final. E seria muito irônico.

Mas o contexto também é mais adverso.

E seria muito irônico. Eu espero que o Rui Pedro não se esqueça da pergunta que me está a fazer pra depois a fazer a quem de direito. Seria muito irônico que Portugal conseguisse um resultado melhor em 2026, ou no final de 2026, início de 27, conseguisse um resultado melhor neste quadro financeiro que está a negociar agora do que em 2020, em que alegadamente, segundo o deputado que citou, tínhamos feito tanto pra termos menos. Mas eu aí sobre as negociações que estão a decorrer e sobre o que vamos ter ou não vamos ter, está a decorrer, não quero fazer previsões, mas espero que não se esqueça da pergunta que me fez pra depois a fazer a quem de direito. Porque eu sei, este quadro é muito difícil de negociar por causa da instabilidade política que os governos europeus estão a viver, em que os frugais obviamente têm posições mais assertivas porque têm instabilidade nos seus próprios países. Nós compreendemos isso, nós percebemos isso. Mas repare, foi o Luís Montenegro que tomou a iniciativa e que conseguiu o apoio do presidente de França e do ainda primeiro-ministro espanhol, pra uma carta conjunta a defender as regiões ultraperiféricas, nomeadamente explicando que há uma importância geopolítica e geoestratégica nos Açores e na Madeira hoje, que não havia em 2020. E essa carta foi assinada antes da presidência irlandesa apresentar a sua caixa de negociação. Foi o Luís Montenegro que se juntou aos amigos da Coesão justamente pra a defender, com 16 chefes de governo e chefes de Estado da Coesão. Portanto, a ideia de que não estamos a fazer nada, eu posso lhe dizer com um sorriso: vamos ver o resultado final.

Por falar em António Costa, e foi eu que falei, a eleição em Espanha do líder do Partido Popular e uma eventual saída de Sánchez, como disse o ainda, parece que acredita nisso.

Eu acredito que ele vai perder, sim. Espero que ele perca.

Isso não pode, de alguma forma, colocar a reeleição de António Costa em perigo pra um segundo mandato à frente do Conselho Europeu?

Da parte do PPE e da parte daquilo que já foi veiculado pelo chefe do governo português, não.

Independentemente do resultado em Espanha, o resultado em Espanha não terá o mínimo impacto nesta matéria.

A mim parece-me que a equipa e o triângulo institucional da presidente da Comissão, do presidente do Conselho e da alta representante pra política externa, é um triângulo funcional que tem produzido resultados e que merece o apoio transversal das famílias políticas europeias e europeístas deste Parlamento, que é por quem eu falo, porque o presidente do Conselho, como vocês sabem, é escolhido no Conselho, onde têm assento os chefes de governo. Eu limito-me à minha capacidade de deputado de uma força política europeia representada neste Parlamento.

Foi um dos impulsionadores de uma resposta europeia à crise da habitação. Não é pouco prudente, tendo em conta as vezes que o Chega já falhou à 25ª hora, um acordo numa matéria como arrendamento com o partido de André Ventura?

Não, porque o conteúdo é nosso, a reforma é nossa. Eu confio na reforma, a reforma é equilibrada.

Pra ser viabilizada precisará receber algo do Chega.

Não, repare. Eu julgo que a reforma protege todos aqueles que têm 65 anos ou mais, ou uma incapacidade igual ou superior a 60%, e este é o governo que em apoios diretos às rendas já apoiou em dois anos e meio mais do dobro do que o governo do PS tinha apoiado em oito anos e meio. Podem confirmar esta frase, poligrafem-me à vontade. Portanto, do ponto de vista da habitação, nós não só temos trabalho feito, mais de 120 mil jovens apoiados com políticas pra juventude, pra adquirir a primeira casa, mais 120 mil jovens apoiados, mais 30 mil casas construídas e 40 mil até o final do ano. Nós em matérias de habitação não aceitamos lições de ninguém.

O ponto é a confiança com o Chega.

Eu vou aí, porque fizemos mais em dois anos e meio do que eles fizeram em oito anos e meio. Sobre a questão do Chega, ó Miguel Vitor Dias, se as intermitências e os estados de alma do partido que refere afetassem o ímpeto reformista deste governo, nós não o tínhamos. E nós não podemos fazer isso, porque isso sim seria uma vitória do Chega.

Parece estranho ter o líder parlamentar chamar à ordem André Ventura e depois a confiar em André Ventura pra mudanças destas.

As descrições da paisagem político-parlamentar e os adjetivos eu deixo pro Miguel e pros comentadores.

Foi o Hugo Soares que fez a descrição

A necessidade de reformar não é diminuída consoante o vocabulário parlamentar. Isso não é assim. Repare uma coisa, vou dar aqui um exemplo. A Lei da Nacionalidade dos Estrangeiros do Retorno, a reforma estrutural da imigração na soma da alteração destas três leis, não teria sido possível sem o Chega. É verdade, o PS era contra, nós tínhamos que a aprovar, portanto tínhamos que a aprovar com o interlocutor que nos sobrava, não tendo nós parceiros preferenciais.

Pelo caminho o Chega tirou o trapete à AD.

Essa reforma não era necessária? A criação da Unidade Especial de Polícias não era necessária? Repare uma coisa, o tráfico humano caiu pra metade por causa dessas reformas. A Unidade Especial de Polícias, que o PS recusou criar, identificou centenas de casos de tráfico humano nas nossas fronteiras que conseguiu travar. Queríamos que esses casos de tráfico humano continuassem? Queríamos 583 mil migrantes por regularizar em Portugal?

Tem que se agradecer ao Chega isso.

Mas eu tenho que perguntar isto. Eu percebo o vosso ponto, que é: os senhores querem reformar com interlocutores parlamentares que têm um discurso e uma forma que não tem que ver com o discurso institucional.

E sobretudo depois da questão da lei laboral, pode ter marcado ou não uma mudança nessa relação.

No dia em que nós desistíssemos de governar, porque não gostamos do dicionário do Chega, ou dos estados de alma do Chega, ou das intermitências negociais do Chega.

Ou dos aldrabões do Chega.

Disse o Rui, eu não discordo nem concordo.

Não, não estou a citar o despacho.

Foi uma boa citação. Mas no dia em que nós fizéssemos isso, temos que nos perguntar nós aqui: quem é que ganhava mais com isso? Quem é que ganhava mais com o PSD abdicar dos seus interlocutores parlamentares? Era o Chega, porque o objetivo de um partido de protesto é que não se consiga reformar. E o objetivo do PS também é esse, coincidentemente, que é que o governo minoritário do PSD também não consiga governar, pra virem eles governar a seguir. Eu não vou fazer favores nem ao PS nem ao Chega, porque eles agem de forma que eu não gosto ou dizem coisas nas quais eu não me revejo, não vou fazer isso.

Se o senhor Mugalho, apelando à capacidade de síntese que tem, até em virtude de ser comentador televisivo e vai voltar em breve a esse palco.

Eu não sou comentador.

Carlos Moedas disse que para Passos Coelho é mais fácil falar do que fazer. Concorda com o tom desta afirmação?

O engenheiro Carlos Moedas trabalhou de perto todos os dias, durante quatro anos e meio com o doutor Pedro Passos Coelho, foi seu secretário de Estado adjunto e trabalhou de perto com ele e conhece-o melhor do que eu. Teve uma proximidade política profissional que eu nunca tive, de um panorama executivo e muito exigente, com uma intervenção externa no país.

Está a defender que tem razões pra dizer o que disse.

Portanto, o engenheiro Carlos Moedas tem pergaminhos para responder e para usar o termo que entende com o doutor Pedro Passos Coelho, que eu próprio não tenho. Portanto, não vou ser eu a avaliar nem as declarações do Carlos Moedas e muito menos, que é meu colega como vice-presidente do PSD, foi meu mandatário nas eleições europeias, é uma pessoa que eu estimo, portanto não vou estar aqui a colocar uma posição em que avalio o tom das declarações de alguém que só merece o meu respeito e amizade. Não tendo eu o mesmo percurso dele.

Teme que este estudo de Pedro Passos Coelho seja um programa de governo alternativo ao da AD?

Nem eu temo, nem acho que isso receie.

Acho que já não podemos utilizar o verbo teme, porque diz imbirra.

Sim, mas não é uma imbirra só porque o doutor Marta temido, prometo. Eu encaro qualquer estudo vindo da sociedade civil e especialmente ex-governantes, ou seja, que têm conhecimento técnico e executivo e político dos dossiês que importam ao país, sempre com enorme interesse. Portanto, não o olho como um bicho de sete cabeças, acho que é um contributo natural de alguém que teve funções políticas e que a própria pessoa assume que está fora da política e que não tem ambições políticas, portanto, não há outra forma que encarar.

Acredita tanto na literalidade das palavras de Passos Coelho como de Mário Centeno.

Perdão?

Acredita na literalidade das palavras de Mário Centeno e de Passos Coelho, que não têm nenhuma ambição futura?

Não. Eu seria incapaz de colocar no mesmo patamar público o doutor Pedro Passos Coelho e o professor Mário Centeno, mas acho que isso é compreensível, dado que o Pedro Passos Coelho foi o primeiro ministro e presidente do meu partido.

Vai arrancar ainda este mês a comissão de inquérito aos casos que envolvem Luís Neves. Se a comissão de inquérito aos restantes inquéritos em curso chegar à conclusão.

Isto é um trava-línguas, uma matrioska de inquéritos.

À conclusão de que existiram falhas éticas ou de procedimento, Luís Montenegro deve substituir o ministro.

Sobre a composição do executivo, sobre a equipa governamental, não me pronuncio, eu sou porta-voz do PSD. E vou vos dizer uma coisa, posso partilhar convosco essa impressão. Eu quanto mais conheço e interajo com quem foi ou é primeiro-ministro mais me apercebo que a escolha da equipa governamental é algo absolutamente pessoal e é uma responsabilidade que não deve ser confundida com nenhuma outra.

Os governos não necessitam, naturalmente, de algum refrescamento.

Sim, mas como eu lhe digo, pode ser que sim, pode ser que não, mas eu julgo que só uma pessoa é que sabe realmente o momento e a dimensão dessa necessidade, e é o primeiro-ministro.

Não é necessária uma remodelação neste momento.

Mas é o que eu vos estou a tentar dizer. Eu não estou a fugir à questão. Obviamente, não vou aqui sortear nomes convosco, nem quem é que deveria sair ou entrar, ou a pasta que devia ser refrescada ou não. Isso eu não vou fazer, porque eu não sou comentador. Mas deixem-me dizer-vos uma coisa que é sincera, é franca, é direta. Eu tenho colegas que foram ex-primeiros-ministros aqui no Parlamento Europeu e trabalho diretamente com o primeiro-ministro, que é presidente do meu partido, do qual eu sou porta-voz. A escolha de uma equipa governamental é algo que responsabiliza diretamente, e até legalmente, o primeiro-ministro. Portanto, é uma responsabilidade dele. Obviamente, eu não me vou colocar na posição de comentar uma responsabilidade que é sua.

Claro que não, portanto quero só fazer uma pergunta que esta colou.

Desculpem ser desinteressante a resposta, mas eu estou a responder sem favor.

Pode ser, pode responder a esta que é: se em virtude de uma futura remodelação governamental ou uma nova composição, em virtude de uma nova legislatura, for convidado, poderá fazer esse caminho que outros ex-colegas ou ex-deputados fizeram e ir para a composição do governo, fazer parte do elenco governamental?

Os meus ex-colegas tiveram a sorte de receber esse convite.

Ou deixe-me perguntar de outra forma.

Eles receberam o convite ao fim de 15 anos de mandato, eu só tenho dois, Rui Pedro.

Consigo dizer que não a Luís Montenegro se ele o convidasse para ir para o governo?

O cenário, a situação, a circunstância nunca me foi colocada, nunca tive sequer uma conversa vaga ou lateral sobre esse tema.

Mas teria dificuldade em dizer que não a Luís Montenegro?

A questão não é sobre esse tema. Está a ver?

Tem dificuldade em dizer não a tudo.

Isso é o que o Rui Pedro está a dizer. O que eu estou a dizer é que eu estou satisfeito com o meu mandato, fui eleito para este mandato, tenciono cumprir este mandato. Nunca tive uma conversa nem com o Luís Montenegro nem com alguém da liderança atual sobre essa possibilidade. Como lhe digo, a composição de uma equipe governamental, na minha perspectiva, tem que dizer respeito somente ao primeiro-ministro. Eu sou feliz no Parlamento Europeu, sou feliz nas minhas funções, sou muito jovem, acho que tive responsabilidades muito cedo. Fui cabeça de lista com 28 anos, sou vice-presidente e porta-voz com 30. Como o Rui Pedro uma vez escreveu, a direção do partido com o Luís Montenegro está desgovernamentalizada, portanto, o poder de fogo da Comissão Política Nacional e Permanente tem uma série de quadros novos que não estão no governo. Portanto, eu acho que fui convocado para uma missão.

Não tem a pulsão de fazer parte de um executivo. Já não estou a perguntar liderar, é uma evolução na pergunta.

Eu vejo que as expectativas que o Rui Pedro tem sobre mim vão diminuindo a cada ano que passa, mas eu fico muito aliviado com isso, acredite. Não, mas repare, eu fui convocado para esta missão, que é ser vice-presidente e porta-voz. Não é uma missão fácil, é exigente. Obviamente que é uma responsabilidade que me orgulha, é um gesto de confiança de que me orgulho, mas eu estou absolutamente focado na missão para a qual fui convocado e não contemplo nem pondero nenhuma outra.

Muito bem, vamos avançar para a fase do cardápio, em que tem que escolher uma de duas opções. Preferia ser ministro adjunto do primeiro-ministro Carlos Moedas ou do primeiro-ministro Passos Coelho?

Bem, como vos digo, o Pedro Passos Coelho não só já reiterou que está fora da política, como já afirmou que não contempla qualquer regresso. Portanto, eu como tenho o Pedro Passos Coelho como uma pessoa totalmente honesta, não tenho forma de o inserir nessa pergunta.

Se fosse primeiro-ministro, depois de uma crise na seleção, ligaria primeiro a Cristiano Ronaldo ou a Jorge Jesus?

Como também já vos disse, de ano para ano, julgo que as expectativas do Rui Pedro baixam e as minhas ambições também.

Não responde a essa, portanto. A quem é que ofereceria um livro sobre Napoleão, a José Luís Carneiro ou a André Ventura?

A quem é que ofereceria um livro sobre Napoleão, a José Luís Carneiro ou a André Ventura? É uma boa questão. Eu vou lhe dizer uma coisa. O Napoleão era um homem extraordinário e tinha uma característica: era muito obstinado. Infelizmente, apesar de isso obviamente ser um contributo para a democracia, eu acho que ambos partilham essa característica. São ambos dois homens obstinados.

Compraria dois livros, portanto.

Tenho a certeza que eles não gostariam de o partilhar.

Se pudesse escolher, preferia a afirmação do Canadá como membro associado da União Europeia ou o regresso do Reino Unido como membro de pleno direito?

Julgo que o caminho equilibrado será no conceito de aliança para o futuro, que é aquele que foi apresentado ao mesmo tempo que o de membro associado, que não é nada impossível que até 2030 contemos nessa aliança para o futuro, tanto com o Canadá como com o Reino Unido. Aliás, esse é o meu desejo.

Chegamos agora à parte final, que é a sobremesa, que é o porquê da música que escolheu, que já agora pedia-lhe que dissesse qual é e que desse essa justificação.

Muito bem, a música que eu vos trago chama-se Falling e é do Sam Brooks. É uma música fantástica de um álbum que não tem uma música má. É pouco conhecida e pouco ouvida em Portugal, portanto trouxe-a para partilhá-la convosco. E Falling é no fundo aquilo que eu espero que aconteça ao PS ou ao Chega nas sondagens nos meses que vêm, porque quanto mais nós reformarmos, mais eles vão cair.

Muito bem, obrigado Sebastião Morgado. Mais uma emissão especial da Vici & Suave no Parlamento Europeu. Regressamos na próxima semana e já a partir de Alvalade, em Lisboa.