Buscas hoje e eleições para ontem: Que há na Ucrânia? Quem é ex-ministro?

🗓️ 2026-08-19 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Mykhailo Fedorov ocupou o cargo de ministro da Defesa da Ucrânia por seis meses, mas deixou a sua marca - não só entre bilionários como Elon Musk, como também entre o povo ucraniano, que na altura do seu afastamento do cargo saiu às ruas em protesto. Cerca de um mês depois de deixar de ser ministro, Fedorov representa agora um desafio em tempos de guerra - já que na terça-feira pediu eleições no país.

"A democracia não pode ser refém da Rússia", diz num vídeo publicado e durante o qual acrescenta que a Ucrânia está a lutar "precisamente porque quer continuar a ser um Estado europeu livre".

Note-se que as eleições estão suspensas desde o início da invasão russa em grande escala, que começou em fevereiro de 2022. Sob a lei marcial, de acordo com a legislação ucraniana, a realização de eleições é proibida.

No vídeo, Fedorov não menciona o presidente da Ucrânia, que ainda não se pronunciou acerca desta ideia de ir às urnas. À BBC, uma fonte do gabinete de Volodymyr Zelensky considerou, no entanto, que era "altamente bizarro planear eleições no meio de mísseis e drones. Isto demonstra uma total falta de realismo".

"Não podemos deixar que [o presidente russo, Vladimir] Putin, decida quando é que os ucranianos poderão escolher o seu governo", prosseguiu Fedorov na sua mensagem, em que incluiu a democracia nos motivos que levam o seu país a lutar, recomendando que não seja encarada como "um luxo" reservado aos tempos de paz.

No seu discurso, o antigo governante pediu também aos titulares de cargos públicos que sejam transparentes e prestem contas, em referência aos casos de corrupção que abalaram o país nos últimos anos e atingiram em particular o setor da Defesa, alertando para o seu impacto na dotação de meios ao exército para combater a invasão russa.

Fedorov disse ontem que "as pessoas não podem viver indefinidamente num Estado onde não compreendem porque é que certas decisões são tomadas", e, no seu discurso, não sinalizou qualquer plano para o seu futuro. Apesar de o antigo governante de 35 anos não ter declarado explicitamente a sua intenção de concorrer contra Zelensky. apresentou o desafio mais sério até agora, na medida em que defende que haja "um Estado onde as instituições sejam mais fortes do que os nomes".

Mas porque saiu Fedorov?

O afastamento de Fedorov, em meados de julho, terá acontecido sobretudo devido à tensão entre este e o chefe do exército de então, Oleksandr Syrsky. Fedorov recusou a proposta de Zelensky para se tornar vice-primeiro-ministro para a inovação militar e, num comunicado citado pela agência de notícias Ukrinform, sustentou que apenas o presidente, o chefe do Exército e o ministro da Defesa têm uma influência decisiva sobre o rumo da guerra: "É por isso que não aceitarei qualquer outro cargo que não seja o de ministro da Defesa".

Logo depois, milhares de ucranianos protestaram contra a saída de Fedorov do cargo. Numa das manifestações, uma das pessoas que exigia o seu regresso contava à Agência France-Presse que queria que "um gestor eficiente". Iryna Tkachuk, de 38 anos, levava ainda um cartaz no qual se lia, em alusão a Zelensky: "A velha senhora é surda?"

Dias depois, Zelensky anunciou a substituição do comandante do exército Oleksandr Syrsky.

Já depois da saída do cargo, Fedorov disse que continuava a conversar com Elon Musk em relação a um possível uso de terminais Starlink para o apoio de ataques contra alvos militares em território russo, incluindo lançadores de mísseis balísticos. Nas redes sociais, Musk, fundador da SpaceX, que opera a Starlink, chegou mesmo a partilhar uma entrevista de Fedorov e colocar um coração como reação.

A BBC escreve que, esta manhã, cerca de 100 manifestantes estavam à porta do parlamento ucraniano para pedir o regresso de Fedorov, gritando: "Tragam Fedorov como ministro da Defesa" ou "Estamos fartos, queremos falar".

A mesma publicação adianta que Fedorov é um político carismático e que durante o semestre em que ocupou o cargo foi reconhecido por revitalizar o ministério, liderar o combate à corrupção, desafiar estruturas militares obsoletas e transformar o campo de batalha com novas tecnologias.

E as buscas relacionadas com a anticorrupção?

Zelensky não se pronunciou ainda quanto ao desafio deixado, mas esta quarta-feira já 'mexeu' novamente com o ministério da Defesa, nomeando Yevgeny Khmara como sucessor de Fedorov. Khmara já exercia interinamente as funções de ministro da Defesa desde julho, antes de ser confirmado agora pelo parlamento, com a aprovação de 312 deputados.

No dia de hoje o chefe de Estado da Ucrânia demitiu também a vice-chefe do seu gabinete, Iryna Mudra, no mesmo dia em que o gabinete nacional anticorrupção lançou uma operação contra uma alegada organização criminosa que envolve altos funcionários da presidência.

Foram realizadas buscas em imóveis ligados a Mudra e ao parlamentar Vadym Stolar, indicou a imprensa ucraniana. Mudra era responsável pelos assuntos jurídicos e pela reforma judicial no gabinete presidencial e, anteriormente, desempenhou funções como vice-ministra da Justiça.

Já Stolar foi eleito para o parlamento como membro do partido pró-russo Plataforma de Oposição — Pela Vida, que foi proibida após a invasão em grande escala da Rússia em 2022. Integra agora o grupo parlamentar Restauração da Ucrânia, formado em grande parte por antigos membros do partido banido.

Zelensky demite vice-chefe do gabinete durante investigação por corrupção

Zelensky demite vice-chefe do gabinete durante investigação por corrupção

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, demitiu Iryna Mudra, vice-chefe do seu gabinete, esta quarta-feira, no mesmo dia em que o Gabinete Nacional Anticorrupção lançou uma operação contra uma alegada organização criminosa que envolve altos funcionários da presidência.

Notícias ao Minuto | 15:12 - 19/08/2026