Candidato do PSTU propõe reestatizar Embraer e Vale - 29/08/2026 - Política - Folha
Candidato à Presidência pelo PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), Hertz Dias, 55, diz que sua primeira medida, se eleito em outubro, seria reestatizar empresas como Petrobras, Embraer e Vale. A proposta é parte de um programa socialista que prevê ainda a expropriação do agronegócio e dos bilionários e a planificação da economia.
Natural de São José de Ribamar (MA), Dias é rapper, professor de história e militante trotskista. Sem pontuar nas pesquisas, ele volta às urnas em 2026 para sua quinta eleição.
Hertz está desde 2010 no PSTU —partido fundado em 1994 nascido de uma corrente expulsa do PT. Pela sigla, já concorreu a vice-governador do Maranhão (2010), vice-presidente (2018), prefeito de São Luís (2020) e governador de seu estado (2022).
O seu diagnóstico é que a disputa eleitoral precisa começar pela realidade material do país: desindustrialização, desemprego, insegurança alimentar e perda de direitos.
Só a partir disso é possível explicar a defesa da expropriação dos bilionários e do agronegócio, a reestatização de empresas estratégicas e, em última instância, o socialismo.
"No geral, a esquerda é muito abstrata. Nós já fomos muito isso. Defender socialismo é abstrato, defender revolução é abstrato, desmilitarização da polícia, reforma agrária etc. Estamos tentando explicar o que é o mundo hoje, o que é o Brasil", diz.
Em um apartamento na Vila Mariana, na zona sul da capital paulista, Dias afirma que o Brasil está vivendo um "processo de esgotamento da Nova República" e "decadência" que compara à crise de 1929 e à ascensão do nazifascismo.
"As ideologias não se propagam no vácuo. Tu tem que entender a base material disso. A extrema direita parte de questões concretas", diz. "Só que eles pegam isso e, a partir daí, apresentam saídas fáceis. Então tem violência, castração química. Tem violência no Brasil, então vamos adotar aqui o modelo do [Nayib] Bukele."
Dias abandonou os estudos por volta de 15 ou 16 anos e voltou a estudar aos 23, por influência do hip-hop. Concluiu o ensino médio aos 26, entrou na faculdade no ano seguinte e se formou em história. Hoje dá aulas nas redes estadual e municipal.
Para as eleições deste ano, não declarou nenhum bem à Justiça Eleitoral. Questionado, disse ter sido contemplado em programa do governo maranhense e ter um apartamento de R$ 170 mil recém-quitado em São Luís, onde mora, mas que ainda não passou para seu nome.
Em pesquisa Datafolha de julho, não pontuou. Ele atribui o desempenho ao que chama de "cordão sanitário nunca visto". Disse que a pré-candidatura não era citada com as demais mais competitivas por emissoras de televisão e criticou o fato de ter havido debate para o Governo do Estado de São Paulo com só dois candidatos.
Classifica a situação como "semiclandestinidade", com recursos parcos (R$ 3,3 milhões), sem tempo de rádio ou TV, mas descarta uma federação com partidos da ultraesquerda por divergências programáticas. Ele dá o exemplo do caráter do regime cubano.
"A UP acha que Cuba é socialista, pra nós não. Pra nós Cuba hoje é capitalista e tem uma ditadura que é burguesa", afirma Dias.
"Nós temos militantes que estão dentro do partido que estão aqui no Brasil porque são perseguidos em Cuba pela ditadura do MPLA. Então, às vezes as pessoas acham que nós somos iguais, mas não. Se fossemos, a gente estaria todo mundo dentro do mesmo partido."
No pleito de 2022, quando concorreu a governador do Maranhão, obteve 5.191 votos, ou 0,15%. Em 2018, na sua experiência como vice em chapa presidencial, registrou 55.762, o equivalente a 0,05% dos votos.
"Nós temos debilidade? Um monte", diz ele, mas "a gente não está entrando nesse processo de eleição, como muita gente fala, só para demarcar espaço". E defende que, num "país extremamente instável, tudo é possível".
"Nós queremos eleger sim, mas uma coisa que a gente quer fazer é disputar palmo a palmo a consciência da classe trabalhadora, no que pesem todas as dificuldades, todos os obstáculos, para que a gente possa apresentar o nosso programa."
O primeiro nome Hertz é uma homenagem ao físico alemão Heinrich Rudolf Hertz, notório pela comprovação da existência de ondas eletromagnéticas e que dá nome à unidade de frequência.
"Algum parente distante do meu pai que tinha esse nome", conto a candidato. "Ele gostava demais de rádio. Deve ter descoberto quem identifica essas ondas."