Capitão e tripulação de ferry que afundou no Chipre foram detidos
"Estamos perante um trágico acidente que ficará na história como o maior desastre marítimo que Chipre alguma vez sofreu", declarou o chefe do executivo da República do Norte de Chipre (RTNC), apenas reconhecida pela Turquia, Unal Ustel, referindo-se ao naufrágio em alto mar de um 'ferry' de alta velocidade com 267 pessoas a bordo (259 passageiros e oito tripulantes).
De acordo com a agência espanhola de notícias EFE, o ministro dos Transportes da RTNC, Erhan Arikli, comunicou entretanto que o número de mortos no acidente tinha aumentado de sete para oito, tendo indicado igualmente que o número de pessoas dadas como desaparecidas tinha diminuído para 17 e que mais de 200 pessoas tinham sido resgatadas com vida, com ferimentos de gravidade variável.
"Enquanto prosseguem os trabalhos de busca e salvamento, foi imediatamente iniciada uma investigação para determinar as causas deste desastre; o capitão do navio e sete membros da tripulação foram detidos", afirmou Ustel, sem revelar as identidades dos detidos.
Segundo o governante, a embarcação ficou completamente submersa numa zona onde a profundidade do mar é de cerca de 500 metros e receia-se que ainda haja pessoas presas no seu interior.
O navio "Filojet", um catamarã de alta velocidade com 40,5 metros de comprimento, pertencente à empresa turca Filo Denizcilik, tinha zarpado do porto de Girne (Kyrenia, em grego) com destino à Turquia quando se deparou com uma forte tempestade.
A tripulação emitiu um pedido de socorro às 12h10 locais (menos duas horas em Lisboa), para informar que a embarcação estava a afundar-se a cerca de três milhas da costa norte de Chipre.
Apesar de as operações de salvamento terem começado imediatamente com o envio de quatro lanchas da Guarda Costeira, dois helicópteros, uma embarcação de patrulha, uma lancha de assalto e equipas de mergulho da Defesa Civil e da Polícia, o navio acabou por virar e afundar-se.
A estes esforços juntaram-se, nas últimas horas, duas aeronaves, quatro helicópteros, quatro veículos aéreos não tripulados e quatro embarcações da Guarda Costeira mobilizados pelas Forças Armadas turcas, segundo detalhou o primeiro-ministro da RTNC.
Além disso, aguarda-se a chegada de um navio de busca e salvamento das Forças Navais da Turquia, capaz de realizar buscas a profundidades de até mil metros para chegar ao navio naufragado.
A ilha de Chipre está dividida desde 1974, na sequência de uma invasão militar turca. A República de Chipre, de maioria greco-cipriota e membro da União Europeia, controla o sul, enquanto o norte está ocupado pela RTNC, entidade reconhecida apenas por Ancara.
Várias companhias operam ligações de 'ferry' na movimentada rota entre Kyrenia e o porto turco de Tasucu, na província de Mersin.
Leia Também: Ferry que naufragou ao largo do Chipre "afundou-se completamente"