Carneiro diz serem levianas declarações de Hugo Soares que o comparam a Ventura
O secretário-geral do PS classificou esta terça-feira como “levianas” as declarações do líder parlamentar do PSD que o comparou a André Ventura, garantiu que é alternativa séria e credível e que o partido quer contribuir para a estabilidade.
“Quem se entretém nesse tipo de pingue-pongue verdadeiramente não sabe aquilo de que o país precisa. Eu tenho pena que o Governo que foi escolhido pelos portugueses esteja deslocado daquilo que são as preocupações das pessoas”, afirmou José Luís Carneiro, depois de uma visita à escola de hotelaria, em Chaves, no distrito de Vila Real.
Depois da insistência dos jornalistas para comentar as declarações proferidas por Hugo Soares, que acusou os líderes do PS e do Chega de estarem “cada vez mais parecidos” e de “navegarem no populismo”, demonstrando “impreparação para serem alternativas” ao atual Governo da AD, José Luís Carneiro afirmou que “são declarações levianas de quem se vê que nunca teve experiência executiva”.
Antes já tinha dito que responde sempre a Luís Montenegro, que disse que é o seu interlocutor principal. “É ele que eu verdadeiramente disputarei a função quando chegarem as eleições”, sustentou.
Hugo Soares quis mostrar que Montenegro é único capaz para ser primeiro-ministro. Carneiro e Ventura “impreparados”
José Luís Carneiro salientou que o PS está a trabalhar para servir o país e a construir uma “alternativa clara” para servir o país.
E é isso que eu estou a construir. Uma coisa é uma oposição para destruir as instituições, como afirmou o doutor Francisco Assis, que querem destruir o regime. Aliás, não o esconderam, têm-no mesmo anunciado. Outra coisa é quem está na oposição e está a construir uma alternativa sólida, de confiança e credível para servir os portugueses. Essa é a mesma alternativa do Partido Socialista”, sublinhou.
Antes da sua intervenção, já o eurodeputado socialista Francisco Assis tinha classificado como “absolutamente incompreensível” e inadmissível a comparação feita por Hugo Soares, realçando que há “uma diferença profunda entre o PS e o Chega na vida política nacional”.
Questionado sobre como se sente ao ser posto no mesmo patamar de André Ventura afirmou: “Eu quero dizer que o Partido Socialista e o secretário-geral do PS são alternativas sérias e credíveis para servir o nosso país”. E referiu que já se sabe que há um outro partido que quer “destruir as instituições” e que “não tem equipa” e “não tem programa”.
“Nós queremos contribuir, como aliás temos feito, para a estabilidade política e para uma proposta de serviço político ao país que corresponda ao interesse das nossas gentes e do nosso país. Naturalmente que há matérias que são matérias sensíveis, em relação às quais o Governo deve ter uma especial atenção”, afirmou. Essas matérias são a “revisão da Constituição e a segurança das pensões”.
“Portanto, o Governo e o primeiro-ministro têm de dar uma palavra pública aos portugueses para mostrarem que, efetivamente, podem estar tranquilos. O PS será sempre um garante da segurança das pensões. E já mostrámos no passado como é possível reformar e consolidar o nosso sistema de pensões sem colocar em causa os seus fundamentos principais”, sublinhou.
E acrescentou: “Os portugueses podem confiar em nós porque o PS quer ser mesmo o garante da segurança das pensões, são matérias fundamentais que transmiti ao primeiro-ministro”.
Nesta passagem por Chaves, José Luís Carneiro fez questão de sublinhar que a sua “grande preocupação é que o país saiba aproveitar dois terços do território que estão hoje em inutilidade económica e que têm um potencial imenso para garantir o crescimento da economia do país, criar melhor economia, capaz de pagar melhores salários”.
E é essa a razão por que eu me encontro agora aqui a fazer o percurso pela raia na valorização dos agrupamentos de cooperação territorial transfronteiriça, tendo em vista mostrar ao país que há um potencial que está por valorizar e por aproveitar no território e também nas pessoas, porque há pessoas de grande valor, de grande envergadura intelectual, cultural, científica, técnica e empresarial e que têm também de ser valorizadas e o país tem de saber olhar para todo este potencial”, sublinhou.
A passagem do líder do PS esta terça-feira por Chaves, no distrito de Vila Real, está incluída na nova rota pelo país que está a realizar e que, desta vez, é dedicada à valorização do interior e cooperação com Espanha e tem como objetivo apresentar “uma agenda estratégica” depois de feito o diagnóstico.
Depois de Chaves, Carneiro segue para Vinhais, Vila Nova de Foz Côa e acaba o dia em Freixo de Espada à Cinta.