Carro de luxo e jatinho: os indícios de vínculo entre Bacellar e bicheiro Adilsinho, segundo PF
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Um relatório da Polícia Federal (PF) apontou indícios de uma relação entre Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e o grupo do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Os dois, além do pastor Márcio Poncio, foram alvos da quinta fase da Operação Unha e Carne, da PF, no início deste mês. Tanto Bacellar quanto Adilsinho já estavam presos no momento da ação. Poncio chegou a ser detido no Rio, mas recebeu prisão domiciliar humanitária dias mais tarde.
A operação da Polícia Federal, deflagrada em 2 de junho, teve como objetivo “aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho (Adilsinho) e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”. A ofensiva foi iniciada no ano passado para apurar uma suposta estrutura responsável por repassar informações sigilosas sobre operações contra o Comando Vermelho (CV), comprometendo ações policiais e favorecendo integrantes da organização criminosa.
A PF cita dois episódios como parte dos indícios: um carro de luxo blindado encontrado na casa do ex-presidente da Alerj e uso de aeronaves de aeronaves de empresários ligados a Adilsinho pela família de Bacellar. No primeiro incidente, uma Mercedes-Benz GLE 400 foi apreendida durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o político em dezembro. O documento informa que o veículo foi encontrado na garagem da residência de Bacellar. Na ocasião, o caseiro afirmou que o carro era “da casa”, mas os registros do Detran contrariam a versão.
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O automóvel, na verdade, estava no nome da Race Car Automóveis, cujo dono é filho do empresário Marcos Alexandre Barros Rodrigues — vinculado, segundo investigações da PF, a seis negócios usadas pelo grupo de Adilsinho para movimentação de recursos ilícitos e financiar agentes políticos. Uma semana após a operação, o quadro societário da empresa foi mudado, em uma ação considerada pela PF como um ato de obstrução de Justiça e destruição de provas para impedir que o elo da Mercedes com os criminosos liderados pelo bicheiro.
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O relatório também relata o uso de aeronaves vinculadas ao grupo criminoso pela família do então presidente da Alerj. Uma delas foi utilizada pela mulher do político, Manoella Bacellar, para uma viagem. O avião pertence à empresa GPC Soluções em Saúde Ltda — que firmou três contratos com a a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro, no valor de R$ 60,3 milhões, através de dispensa de licitação. O jatinho não tinha autorização para operar serviço de táxi aéreo, mostram registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A cessão das aeronaves é um “elemento indiciário relevante” de ocultação de benefício econômico, conflito de interesses e vantagem indevida, de acordo com a PF. Os dois incidentes fazem parte de um conjunto de indícios da influência de Adilsinho entre empresários e políticos.
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