Casa Branca acusa Conselho de Direitos Humanos da ONU de "proferir disparates sem sentido há décadas"

🗓️ 2026-09-18 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Reação surge depois de a organização ter divulgado um relatório polémico, criticado pela administração Trump

A Casa Branca acusou esta sexta-feira o Conselho de Direitos Humanos da ONU de "proferir disparates sem sentido há décadas", reagindo ao relatório de uma comissão do organismo que atribui aos Estados Unidos crimes de guerra em bombardeamentos no Irão.

"O Conselho de Direitos Humanos da ONU não alcançou nada em matéria de direitos humanos, enquanto há décadas profere disparates sem sentido", declarou a porta-voz adjunta da Casa Branca, Anna Kelly, em comentários citados pelo jornal Washington Post.

Kelly realçou que "a única parte neste conflito que cometeu crimes de guerra é o regime iraniano, que assassinou milhares dos seus próprios cidadãos".

O relatório aponta a Teerão crimes contra a humanidade, devido à repressão de manifestações antigovernamentais.

A porta-voz denunciou ainda que o Irão "matou norte-americanos no estrangeiro, perpetrou atos de terrorismo no estreito de Ormuz e lançou ataques indiscriminados contra os seus vizinhos da região".

Além disso, sublinhou que o Presidente Donald Trump "está a trabalhar corajosamente para garantir que um país tão malévolo nunca possua uma arma nuclear, o que tornará o mundo inteiro mais seguro e estável".

Uma comissão da ONU, mandatada pelo organismo de direitos humanos da ONU, afirmou hoje existirem "motivos razoáveis" para determinar que os EUA cometeram crimes de guerra em bombardeamentos contra uma escola e um complexo desportivo, ocorridos no início da guerra lançada em fevereiro contra o Irão.

"Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, a missão encontrou motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos cometeram o crime de guerra consistente em lançar ataques indiscriminados que causaram a morte ou ferimentos em civis, ou danos a bens de caráter civil", indicou a comissão de investigação para o Irão, na apresentação do seu relatório.

A comissão especificou que as forças norte-americanas lançaram ataques com mísseis Tomahawk contra a escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab — um centro escolar "claramente identificável" — e outro com mísseis munidos de ogivas de tungsténio contra um complexo desportivo em Lamerd, também "claramente identificável".

A missão da ONU apontou que o primeiro ataque, que resultou em mais de 150 mortos [incluindo 120 menores], atingiu uma escola situada junto a um complexo naval da Guarda Revolucionária do Irão. O complexo militar ficava a cerca de 70 metros da escola e não havia informações que indicassem que estivesse a ser utilizado para fins militares no momento do bombardeamento.

Quanto ao bombardeamento contra o complexo desportivo de Lamerd, que fez mais de vinte mortos, observou-se que o edifício "está visivelmente separado" de um outro complexo da Guarda Revolucionária da região, sublinhando que tal como no caso da escola de Minab, "não há informações que indiquem que fosse utilizado para fins militares no momento do ataque".

A missão recordou que o direito internacional humanitário "proíbe dirigir ataques contra bens de caráter civil" e "estabelece a obrigação de distinguir entre bens de caráter civil e objetivos militares", por isso, concluiu que os Estados Unidos "incumpriram a sua obrigação de fazer todo o possível para verificar se se tratava de um objetivo militar" ao bombardear a escola em Minab.

A missão de investigação apontou ainda que as autoridades iranianas reprimiram os protestos antigovernamentais entre dezembro e fevereiro de uma forma que pode ser descrita como "um ataque sistemático e generalizado" contra a população civil, o que poderá levar à sua classificação como crime contra a humanidade.

O relatório determinou que as ações das forças de segurança iranianas representaram "uma escalada sem precedentes em relação a medidas repressivas anteriores, caracterizada pelo uso generalizado de força letal — que provocou mortes e ferimentos em massa — e por detenções em larga escala".

"As informações disponíveis indicam que as mortes [mais de 3.000 para o Governo iraniano e cerca de 30 mil para fontes independentes e médicas] provocadas pelas forças de segurança ocorreram a uma escala impressionante e sem precedentes nas 31 províncias", afirmou a missão, detalhando que a capital, Teerão, e as cidades de Karaj, Mashhad, Isfahan e Rasht registaram o maior número de vítimas mortais.

Está previsto que o Conselho dos Direitos Humanos, composto por 47 membros, receba na próxima segunda-feira este relatório.